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Estuprada pelo amigo do pai e julgada: a saga da artista Artemisia Gentileschi

A talentosa artista foi alvo da sociedade e de julgamentos; seguiu sua carreira criando um novo olhar feminino para a arte

Giovanna de Matteo Publicado em 12/09/2020, às 09h00

Foto de Artemisia Gentileschi
Foto de Artemisia Gentileschi - Wikimedia Commons

Nascida em Roma em 1593, a honra e história de Artemisia Gentileschi só foi ganhar palco na década de 70. Filha de um pintor renomado, cresceu admirando a arte. Entre ateliês, tintas e telas, a menina foi ensinada desde cedo sobre os ofícios das artes plásticas, e quanto mais crescia, mais o seu dom e talento se destacavam.

Era tão boa que conseguiu uma vaga na Academia de Belas Artes de Florença, Itália, sendo uma das primeiras mulheres a ingressar na academia, a mesma pela qual passou Michelangelo.

À esquerda sua primeira obra, chamada de "Susana e os Anciões" (1610); À direita um autorretrato de Artemisia Gentileschi / Wikimedia Commons

 

No entanto, embora tenha tido todos esses privilégios, o fato de ser mulher naquela época fez com que suas conquistas fossem subjugadas, e muitas vezes, suas pinturas desacreditadas, passando pela humilhação de ver a autoria de seus quadros atribuída a seu pai e outros artistas masculinos. Além disso, o seu nome só veio a ser reconhecido após passar por um escândalo que marcaria sua vida: um abuso sexual.

O estupro

Era meados de 1611 quando Artemisia Gentileschi de apenas 18 anos foi acatada em sua própria casa. Em um momento trágico e traumático, a menina prodígio passaria por um estupro, advindo de Agostino Tassi, amigo íntimo de seu pai Orazio Gentileschi, que se aproveitou da hospedagem em sua casa para abusar da moça.

"Trancou o quarto a chave e depois me jogou sobre a cama, imobilizando-me com uma mão sobre meu peito e colocando um dos joelhos entre minhas coxas para que não pudesse fechá-las. E levantou minhas roupas, algo que lhe deu muito trabalho. Pôs um pano em minha boca para que não gritasse. Eu arranhei seu rosto e arranquei seus cabelos", dizia o relato de Artemisia a respeito do abuso que passou, no qual demorou um ano após o incidente para denunciar o ocorrido, fato esse que levou a opinião pública a duvidar da veracidade de suas palavras.

Mesmo impopular, Tassi foi acusado de estupro e passou por um julgamento que durou cerca de 7 meses, alem disso, ele também foi  acusado pelo pai de Artemisia de planejar roubar alguns de seus quadros.

A prisão

No fim, Tassi foi condenado em 27 de novembro de 1612 à prisão durante um ano, mas nunca cumpriu a pena: o caso foi revisto e o juiz deu duas opções: uma sentença de cinco anos de trabalhos forçados ou deixar Roma. Sendo assim, Tassi partiu em exílio sem cumprir pena.

Artemisia, desde então, passou a encontrar no julgamento e na sua pior memória a força que precisava para continuar e a inspiração para seus quadros. A partir disso a sua arte começou a reunir uma visão inusitada e autêntica, no qual suas obras que não se limitavam ao período barroco em que vivia, recheando sua arte de figuras femininas que detinham de um arquétipo empoderador.

Um exemplo da sua genuinidade foi a pintura Judith decapitando Holofernes, que acabou se tornando um de seus quadros mais famosos, no qual mostrava através da sensibilidade da arte toda a sua vingança contra o homem que a abusou.

"Judith decapitando Holofernes" (1612 - 1613) / GALLERIE DEGLI UFFIZI / Divulgação

 

Ela se casou e passou o resto da vida pintando, chegando a ter certa fama, mas caindo em esquecimento após sua morte, em 1654, em Nápoles. Seu nome foi ganhar força apenas no século 20 com o advento do movimento feminista, que buscava dar atenção às figuras das mulheres que, apesar de talentosas, lutadoras e capazes, foram escondidas e apagadas da história.


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