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Entre massacres e ataques: os crimes cometidos pelos Aliados na Segunda Guerra

Durante o conflito mundial, EUA, França, Inglaterra e URSS violaram diversos acordos internacionais — que hoje são quase um capitulo esquecido da História

André Nogueira Publicado em 31/07/2020, às 11h00

Conflito durante a Segunda Guerra Mundial, em 11 de janeiro de 1942
Conflito durante a Segunda Guerra Mundial, em 11 de janeiro de 1942 - Getty Images

Existem inúmeros casos e exorbitantes cifras de crimes de guerra cometidos pelos EUA, URSS, França, Canadá, Reino Unido, Iugoslávia e outros países contra o Eixo. Durante a Segunda Guerra Mundial, um período conturbado da história, todas as atrocidades cometidas contra civis e prisioneiros de guerra alemães, italianos e japoneses, utilizando a justificativa de que o Holocausto seria muito pior, foram suplantadas em nome da figuração dos Aliados como esmagadores do “mal”.

A noção de crime de guerra esta envolta por uma série de ratificações ligadas à chamada Convenção de Genebra. Os Aliados Ocidentais (EUA, França e Reino Unido) tinham como código de conduta, supostamente, esses acordos, assim como a Convenção de Haia, acreditando que estaria originando um cenário de “guerra justa”. Porém, considerações como o bom tratamento dos prisioneiros de guerra e a salvaguarda dos civis foram ignoradas, e esses países cometeram várias violações contra alemães e soviéticos.

 

Conferência de Haia / Crédito: Wikimedia Commons

A URSS, por outro lado, nunca assinou a Convenção de Genebra, criando uma disputa jurídica referente às violências cometidas contra civis e prisioneiros do Eixo. Com a morte de milhares nas mãos do Exército Vermelho, o tratamento dado aos prisioneiros não foi considerado criminoso. Porém, quando o país ainda era o Império Russo, foi ratificado o Acordo de Haia, que por si só já estabelecia parâmetros para esse tipo de questão.

O que ambos os lados entre os Aliados tinham em comum era um tratamento violento e frio contra os oponentes com o compromisso de reprimir populações de outras nações e estabelecer poderes em regiões conquistadas. Um dos mais trágicos atos nesse sentido foram as diversas violações sexuais contra mulheres da Alemanha, cometidas pelos EUA e, principalmente, URSS, responsável pelo maior estupro em massa da História.

Bombardeios de áreas civis

Todos os países Aliados se envolveram em bombardeios aéreos contra civis no Reich, na Itália e no Japão. Muitos desses eventos, onde os EUA liderava, transpassavam questões táticas e se tornaram pura vingança nacional. Muito antes dos alemães apelarem para táticas de infiltração da Wehrmacht entre comunidades para um recuo seguro, os inimigos já atacavam vilarejos e cidades.

 

Bombas de Hiroshima e Nagasaki / Crédito: Wikimedia Commons

No entanto, o maior e mais lastimável caso de bombardeio em regiões civis foram os dois clássicos massacres ocorridos no Japão em 1945, com o uso pioneiro da bomba atômica. Usando da fraca justificativa de tentar foçar a rendição do Império Japonês, os EUA mataram aproximadamente 200.000 japoneses instantaneamente, demonstrando sua força bélica no quintal da União Soviética.

Casos de tortura

Alguns dos atos de prevenção dos Aliados envolveram clássicas sessões de tortura contra oficiais e soldados, principalmente da Alemanha. Um caso famoso foi o da Operação Teardrop, em que soldados estadunidenses interceptaram submarinos que atacariam a costa leste do país. Além do abate de cinco dos veículos, dois U-546 foram capturados, com cinco tripulantes que foram brutalmente interrogados, com métodos clássicos e proibidos.

Um dos policiais alemães torturados acabou cometendo suicídio ainda em custódia, e outros ficaram com profundos traumas depois da Guerra. Muitas das formas violentas de tratamento dos EUA contra inimigos depois se tornariam táticas de interrogatório da CIA contra a própria população americana.

Outro país que marcou sua presença na guerra por conta da tortura foi a Inglaterra. O Kensington Palace Gardens, em Londres, foi um dos recantos mais cruéis do conflito,  onde os britânicos levavam membros da SS e da Gestapo capturados e realizavam procedimentos criminosos como método de interrogatório. Sem conhecimento da população, os oficiais espancavam, violentavam, criavam cenários de privação de comida e sono, abusavam e agiam de diversas outras maneiras violentas para cooptar os alemães.

 

Gravura do Dia D / Crédito: Getty Images

Prisioneiros de guerra

Alguns massacres contra prisioneiros de Guerra (infringindo a Convenção de Genebra) foram essências para a destruição da Alemanha e aliados a partir de 1944, principalmente. Um clássico caso foi o de Kocevski Rog, em 1945, quando ocorreu o assassinato sistemático da Guarda da Eslovênia e seus familiares pela Iugoslávia. Durante o evento, mais de 12.000 pessoas foram lançadas em poços e cavernas que eram fechados e largados.

Outro exemplo do tipo foi a entrada do Exército Americano no campo de Dachau, onde os aliados descumpriram diversos acordos ao, depois de verem corpos apodrecidos de vítimas do Holocausto, se impregnaram de raiva e assassinaram guardas e oficiais alemães rendidos e desarmados. Muitos deles também foram espancados, sendo que os grandes responsáveis pelo genocídio e operadores do campo já haviam fugido de lá.

Outros casos famosos são citados pela bibliografia, como por exemplo, os soviéticos em Katyn (Polônia) e em Nemmensdorf (Alemanha), os estadunidenses em Rheinwiesenlager (Alemanha) e Malmedy (Bélgica) e os franceses em Goumiers (Marrocos) e Maquis (França).

Crimes da China

Os atos da China contra os japoneses estão entee os mais brutais da guerra, assim como os do Japão contra chineses. A retomada de regiões como a Manchúria foi marcada por ações de peso, como estupros coletivos, pilhagens e assassinatos em massa de civis. Poucos sobreviventes resistiam à horda do exército Chinês, sendo que eles relataram os vários saques realizados por ele, a execução e a tortura de diversos prisioneiros de guerra e cidadãos tanto japoneses quanto chineses colaboracionistas, e violências diversas contra regiões ocupadas.


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