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Eterno registro de guerra: a curiosa história da pedra dos 98

Poucas horas depois do ataque a Pearl Harbor, acontecia a batalha da Ilha Wake, conflito em que inúmeros estadunidenses foram mantidos como prisioneiros de guerra pelo exército japonês

Isabela Barreiros Publicado em 23/10/2020, às 08h00

O monumento dos 98 prisioneiros de guerra na ilha Wake
O monumento dos 98 prisioneiros de guerra na ilha Wake - Wikimedia Commons

Entre os dias 8 e 23 dezembro de 1941, um terrível conflito foi travado em um pequeno atol — como são conhecidas ilhas oceânicas com formato de anel — no Oceano Pacífico. Quase no mesmo momento do ataque a Pearl Harbor, uma ofensiva japonesa que surpreendeu os estadunidenses, a Ilha Wake foi invadida, dando início a uma batalha.

A ilha estava sendo ocupada pelos americanos desde o começo daquele ano, devido ao aumento das tensões entre as duas nações. Fortalecendo as posições defensivas e construindo bases militares, o Exército dos EUA dominou a região. No entanto, os japoneses decidiram colocar um fim nessa hegemonia no atol.

Bombardeios e ataques aéreos foram propagados pelo Exército Imperial Japonês, que conseguiu tomar o território de seus inimigos. Entre os longos dias de batalha, inúmeras vidas foram perdidas, mas, pior que isso, muitos soldados estadunidenses foram mantidos como prisioneiros na ilha.

Prisioneiros de guerra

Ataques japoneses na ilha / Crédito: Wikimedia Commons

 

Os japoneses começaram a reforçar a segurança da ilha assim que conseguiram dominá-la plenamente. O medo de uma nova invasão do inimigo fez com que eles se organizassem ainda mais, no entanto, crimes de guerra terríveis ainda foram cometidos por eles durante esse período. 

Tanto os soldados estadunidenses que permaneceram no território quanto os civis que estavam no local a trabalho foram transformados em prisioneiros de guerra pelo exército japonês. Desse último grupo, 1.104 pessoas foram mantidas em cativeiro e 180 delas morreram enquanto presas. 

A maior obrigação dos cativos era construir bunkers e fortificações na ilha, tudo contra a sua própria vontade. Muitos foram enviados para locais em inúmeros países da Ásia. Em Wake, no entanto, permaneceram apenas 98 indivíduos, contando principalmente com militares, mas ainda alguns civis. 

Os 98 

Um destróier japonês na ilha / Crédito: Wikimedia Commons

 

A história desses presos de guerra poderia ser contada em filmes. Eles tinham que reconstruir uma pista de pouso que foi transformada em destroços no meio do conflito. Com isso feito, parecia que os prisioneiros haviam se tornado inúteis para o exército japonês, o que fez com que o contra-almirante Shigematsu Sakaibara tomasse uma decisão insólita.

Pode até parecer que os estadunidenses tinham desistido de retomar o poder na ilha, mas isso não é verdade. Desde 1942 até quando o Japão, enfim, se rendeu em 1945, as forças dos EUA bombardearam o território periodicamente. Eles queriam de qualquer forma tomar o controle novamente.

Foi assim que Sakaibara ordenou que os 98 cativos fossem executados, a sangue frio. Todos eles foram levados para uma vala comum onde foram vendados e assassinados por uma sequência de tiros de metralhadora. Um deles, porém, conseguiu fugir da morte iminente e esculpiu as palavras "98 US PW 5-10-43" em uma rocha na ilha.

O indivíduo foi pego rapidamente e logo decapitado pelo próprio almirante com uma katana por tamanha ousadia. Até hoje, não foi possível identificar o estadunidense responsável pela gravura que representa um momento curto de liberdade antes de sua morte. O local continua como um marco importante da ilha, uma espécie de memorial para os 98 mortos.

Depois da guerra

Naquele momento, os corpos foram enterrados às pressas em uma vala comum. Porém, em 4 de setembro de 1945, a rendição japonesa aconteceu. Sabendo disso, foi ordenado que os restos mortais dos 98 indivíduos fossem exumados e colocados em um cemitério estadunidense instalado em Peacock Point.

Para tentar encobrir os terríveis crimes de guerra, os oficiais japoneses, quando interrogados sobre o contexto, afirmaram que aquelas pessoas haviam sido mortas durante um bombardeio americano. A mentira não durou muito tempo: já naquele ano, tanto Sakaibara e seu subordinado, o tenente-comandante Tachibana foram julgados e condenados pelas suas ações na ilha.

O responsável por ordenar os assassinatos foi condenado à morte, sendo enforcado em 18 de junho de 1947. Já subalterno foi sentenciado à prisão perpétua. Em Wake, os corpos foram encontrados e exumados novamente, sendo levados para o Cemitério Memorial Nacional do Pacífico, em Honolulu, no Havaí. Na rocha de coral, foi instalada uma placa de bronze em homenagem aos 98 mortos.


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