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Expulso da Alemanha, dono de um império e vítima da Gripe Espanhola: conheça Frederick Trump

Apelidado de Henry Ford da construção de casas, o avô de Donald Trump foi um dos primeiros a morrer pela pandemia que assolou o mundo em 1918

Penélope Coelho Publicado em 30/03/2020, às 11h57 - Atualizado às 21h57

Frederick Trump, avô de Donald Trump
Frederick Trump, avô de Donald Trump - Wikimedia Commons

Frederick Trump nasceu em Kallstadt, um município da Alemanha localizado no distrito de Bad Dürkheim, e imigrou para os Estados Unidos aos 17 anos. Ele chegou na cidade de Nova York em 1885 e se estabeleceu como barbeiro.

A corrida do ouro levou o homem para o Canadá, onde abriu um restaurante de sucesso e começou a juntar sua fortuna. Em 1902, ele conheceu sua esposa Elizabeth Christ Trump, e com isso, voltou para os Estados Unidos.

O império Trump

Apesar da prosperidade que encontrou em terras americanas, ele e sua esposa sentiam saudades da Alemanha, por isso, tentaram retornar para Kallstadt, mas foram enviados de volta para os Estados Unidos. O motivo, segundo reportagem do jornal Bild, seria porque Frederick não cumpriu o serviço militar obrigatório no país. Mesmo implorando para não ser deportado da Alemanha, o pedido foi negado e eles voltaram para a América, onde começaram uma família.

O filho deles, Fred, pai de Donald Trump, nasceu em 11 de outubro de 1905, no Bronx, Nova York. Quando o segundo filho do casal (John) nasceu, eles decidiram se mudar para o bairro do Queens, onde abriram uma barbearia e estavam investindo em imóveis. 

O homem começou aos poucos construindo e vendendo casas no bairro do Queens em Nova York, com preços acessíveis para as famílias da região. Em pouco tempo já havia ganhado uma fortuna e foi considerado um prodígio. Ele chegou a receber o apelido de Henry Ford da construção de casas, em referência ao empresário do meio automobilístico.

Ele vivia sua rotina normal sem perceber que uma das grandes doenças do século 20 já havia tomado conta de seu corpo. A gripe Espanhola, também conhecida como gripe de 1918, foi uma pandemia do vírus influenza. De janeiro de 1918 a dezembro de 1920, a doença infectou 500 milhões de pessoas em todo mundo, contabilizando um quarto da população mundial da época.

Soldados dos Estados Unidos infectados pela espanhola sendo tratados em uma enfermaria / Crédito: Wikimedia Commons

 

A doença que assombrou o mundo 

A estimativa é de que o número de mortes tenha sido de 17 a 50 milhões de pessoas. Foi uma das epidemias mais mortais da história da humanidade, e a primeira de duas pandemias causadas pelo vírus H1N1, a segunda aconteceu em 2009. Na época, a Alemanha, Reino Unido, França e Estados Unidos foram alguns dos lugares mais atingidos, incluindo a cidade de Nova York, onde estava Frederick Trump.

Em maio de 1918, o avô do atual presidente dos Estados Unidos Donald Trump, estava passeando com seu filho Fred, quando teve que parar a caminhada por se sentir muito doente de repente. O homem disse que estava mal e que precisava ficar na cama.

Morte de Frederick Trump

Um dia depois, Frederick morreu em casa. O diagnóstico inicial foi de pneumonia, o que mais tarde seria identificado como uma complicação pelo H1N1 de 1918. O homem foi uma das primeiras vítimas domésticas de uma das piores pandemias modernas, que contaminou e matou milhões.

O vírus, cujo reservatório eram aves migratórias, causava alguns sintomas peculiares, e normalmente não resultavam em sinais de uma gripe comum. As pessoas sangravam pelo nariz, ouvidos, olhos e encontravam problemas para respirar.

Segundo relatos da época, os infectados se sentiam mal pela manhã e à tarde estavam mortos. O vírus da gripe geralmente se manifesta nas células do nariz e da garganta, o H1N1 do início do século 20 mantinha esse traço, mas afetava muito mais as células dos pulmões.

 Frederick Trump e sua esposa Elizabeth em 1918 / Crédito: Wikimedia Commons

 

O então presidente dos Estados Unidos era Woodrow Wilson, que não agiu de maneira muito coerente quando o vírus começou a atingir seu país. Wilson censurou relatórios sobre medidas de precaução que poderiam ter ajudado a controlar a propagação do vírus. Além disso, ele subestimou as mortes causadas pela enfermidade apesar de todas as evidências. Essas atitudes fizeram com que a popularidade do presidente caísse.

Quando Frederick morreu, ele deixou um belo patrimônio para sua família que continuou com seu legado, tornando os Trump o que são hoje. Sua esposa e o filho Fred continuaram seus projetos imobiliários com o nome de Elizabeth Trump & Son. Na época, seus bens foram avaliados em 31.359 dólares americanos.


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