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Gabriele Kopp, a menina violentada durante 14 dias por soldados soviéticos

Após sobreviver a um bombardeio, a jovem passou por momentos de terror que só foram revelados após 65 anos em uma obra

Wallacy Ferrari Publicado em 30/05/2020, às 09h00

Fotografia de Gabriele Kopp
Fotografia de Gabriele Kopp - Divulgação

Próximo ao fim da Segunda Guerra Mundial, a postura dos soviéticos passava a ser cada vez mais agressiva com a possibilidade de uma possível derrota, resultando em episódios de repressão social marcados na história. Diante do cenário caótico, em 1945, uma estudante alemã teria sua vida mudada após uma longa jornada de violência sexual.

Sempre focada, Gabriele Kopp tinha afinidade pela matemática e fazia questão de se especializar em física na época, porém, evitava socializar durante o clima de guerra em seu país. Com 15 anos, a mãe da jovem orientou Gabriele e irmã mais nova na fugirem de casa após a sinalização de que o exército soviético estava em direção à cidade. 

Soldados sovieticos se reúnem para observar revista adulta / Crédito: National Museum of the USAF

 

Em 26 de janeiro de 1945, entraram em uma carruagem que seguia o comboio de mercadorias para uma zona recém-ocupada pelo exército, porém, Gabriele sobreviveu a um bombardeio na ferrovia do comboio, pulando da janela, sendo a última vez que viu sua irmã. Ao fugir, buscou ajuda em uma aldeia próxima, onde foi encontrada por um soldado.

 

14 dias no inferno

Durante a noite, quando se aproximou de uma casa, o soldado, munido de uma lanterna e uma arma, comemorou o fato de ter encontrado uma mulher. Com violência, derrubou a jovem e orientou a mesma a se despir, violando Gabriele ainda virgem. Foi o começo de um longo rodízio; no mesmo dia, outro militar foi convidado pelo homem que a encontrou.

No dia seguinte, foi violentada por mais dois soldados no período da manhã e, pela tarde, foi levada para um cativeiro lotado de mulheres também capturadas. No fim do dia, um oficial selecionou a jovem como vítima e autorizou o cárcere da mesma até segunda ordem.

O inferno de Gabriele durou 14 dias, sendo violentada por dezenas de militares soviéticos, sem direito à alimentação. Com episódios de penetrações coletivas, a alemã relatou diversas agressões físicas e completa ignorância aos ferimentos e sangramentos, chegando a ficar impossibilitada de se locomover durante toda a segunda semana.

 

Trauma eterno

Em uma fuga que durou cinco dias até encontrar um local seguro, Gabriele sofreu com as dores dos abusos e dormiu em locais perigosos, como caçambas e arbustos, para se esconder de uma possível captura dos militares. A jovem só reencontrou a mãe no ano seguinte, quinze meses após os abusos.

Chorando muito, a mãe orientou a jovem a se calar sobre os episódios, visto que as autoridades do país ainda permaneciam ativamente alinhadas aos preceitos soviéticos da guerra e poderiam a capturar novamente. A recomendação de sua mãe foi relatar as experiências em um diário, de maneira que externasse suas frustrações.

Gabriele em fotografia aos 80 anos, no ano de 2010 / Crédito: Jordis Antonia Schlösser / OSTKREUZ

 

Os relatos foram unidos e, apenas em 2010, Gabriele revelou publicamente ao lançar o livro ‘Warum war ich bloss ein Mädchen?’ (“Por Que eu Tinha que Ser uma Garota?, traduzido do alemão), aos 80 anos de idade.

Em entrevista ao Der Spiegel, a vítima se referia ao cativeiro como um “local de horror” e descreveu os agressores como “canalhas” e “brutos”, porém, evitou usar o termo ‘estupro’: “Eu não consigo sequer pronunciar a palavra”.


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