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Giulia Tofana, a indomável envenenadora de maridos da Idade Média

No século 17, ela fabricou a Aqua Tofana a fim de colocar um fim em diversos relacionamentos abusivos

Nicoli Raveli Publicado em 21/04/2020, às 10h00 - Atualizado às 11h30

Ilustração de Giulia Tofana, envenenadora profissional
Ilustração de Giulia Tofana, envenenadora profissional - Divulgação

É fato que as mulheres do século 17 não tinham voz para controlar suas vidas. Dessa maneira, tanto as ricas, como as pobres, sofriam ao serem utilizadas como propriedade e  se viam presas em relacionamentos abusivos. Mas, desde aquela época, algumas não aceitavam a vida que tinham e buscavam por uma solução para deixar o sofrimento para trás.

A rotina dessas mulheres nunca foi fácil. Desde jovens, pertenciam a seus pais e, em sequência, a seus maridos. Além disso, não existia divórcio, tampouco proteção destinada a elas. Dessa maneira, a única forma de se livrar de um casamento era por meio da viuvez.

É nesse cenário que Giulia Tofana teve grande importância. Ela, que nasceu em 1620, era filha de Thofania d’Adamo. A jovem, de beleza atraente, passou grande parte de sua vida acompanhando a rotina dos farmacêuticos. Isso vez com que, em pouco tempo, resultasse no desenvolvimento de seu próprio veneno.

Entretanto, não se sabe, ao certo, se a substância mortal foi criada a partir de sua interação com os especialistas. Para diversos historiadores, foi a mãe de Giulia quem fez o veneno Aqua Tofana e o encaminhou para a filha.

Desse modo, ele foi utilizado pela primeira vez. Giulia, que tinha uma vida desconhecida por muitos, chamou a atenção pela história de seus pais, uma vez que sua mãe foi morta devido ao assassinato de seu marido em 1633.

Ilustração de Giulia Tofana / Crédito: Wikimedia Commons

 

A ajuda às mulheres

Em pouco tempo, a Aqua Tofana – que era uma mistura de arsênico, chumbo e beladona, uma planta venenosa – foi muito procurada por mulheres que tinham o desejo de se tornar viúvas. Elas repassaram o segredo assim que comprovavam a eficácia do produto.

Por sua indignação pelo baixo status das mulheres, sua filha, Girolama Spera, também ajudou na fabricação e seu negócio foi comercializado em Palermo, Nápoles e Roma.

O produto era vendido em duas formas: poderia ser feito no formato de uma maquiagem de pó ou colocado dentro de objetos sagrados. Dessa maneira, a substância poderia ficar exposta em suas casas e, mesmo assim, passaria despercebido.

Ao ser utilizado, o veneno também não era notado, uma vez que não apresentava gosto. Não obstante, as mulheres o misturavam em bebidas e comidas em diversas doses. A primeira contava com sintomas análogos a uma simples gripe. Entretanto, os sintomas pioravam na segunda e terceira dose e o homem só morria na quarta tentativa.

Ilustração de um homem rodeado por pessoas após ingerir o veneno / Crédito: Divulgação

 

Além disso, a Aqua Tofana também não era notada no organismo do falecido. Ademais, os resultados das autópsias sempre resultavam em uma gripe seguida de sintomas agravantes.

A descoberta do veneno

Não demorou para que o sucesso de Giulia fosse descoberto. Em 1659, uma cliente solicitou o veneno para utilizá-lo em uma sopa para seu marido. Ela preparou o prato, mas, minutos antes do homem comer, se arrependeu e o avisou que continha uma substância mortal naquele alimento.

Todavia, Tofana contou com a ajuda de diversas mulheres que a acobertaram e a ajudaram a se esconder em uma igreja. Porém, a polícia local descobriu seu esconderijo e a abordou.

Em questão de horas, ela foi levada para um interrogatório e foi condenada à morte no Campo de Fior. O fim de sua filha e de outros funcionários também seguiu para o mesmo caminho. Antes de sua condenação, acredita-se que Giulia tenha confessado, sob tortura, a morte de cerca de 600 homens no decorrer de 18 anos.

Ilustração do Campo de Fior / Crédito: Divulgação

 

Além disso, ela foi obrigada a listar os nomes de seus colaboradores e também dos clientes, o que resultou em um grande alvoroço. Após sua morte, alega-se que seu corpo foi destinado a igreja que a abrigou. 


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