Matérias » Personagem

Há 137 anos, morria o notório comunista Karl Marx

Em 1883, o mundo perdia um de seus mais importantes — e controversos — pensadores, que influencia ideologias até os dias de hoje

Isabela Barreiros Publicado em 14/03/2020, às 08h00

O comunista Karl Marx
O comunista Karl Marx - Wikimedia Commons

Há 137 anos, morria o teórico comunista Karl Marx. Mas o que acontece, mais de um século depois de sua morte, é que ele permanece uma figura mitológica. Se o desmoronamento dos regimes socialistas da Europa Oriental causou abalos em sua reputação, o filósofo tampouco foi esquecido: em 2005, quase 20 anos depois da queda do Muro de Berlim, foi ele quem venceu uma enquete da BBC para eleger o maior filósofo de todos os tempos.

Hoje, suas teorias e pensamentos sobre o mundo ainda influenciam diversas visões de mundo, do próprio marxismo a outros movimentos que incorporam novos princípios aos conceitos de Marx. Nessa mesma proporção, críticas e controvérsias sobre a ideologia continuam a ser realizadas e difundidas.

Marx faleceu no dia 14 de março de 1883, aos 64 anos. O revolucionário, deprimido depois da morte precoce de sua esposa, Jenny von Westphalen, que havia acontecido apenas pouco tempo antes, em 2 de dezembro de 1881, teve seus problemas de saúde acentuados devido à frágil situação em que se encontrava.

Crédito: WIkimedia Commons

 

Ao longo de sua vida, o tabagismo e o álcool, além de sua indisciplina na carga de trabalho, muitas vezes varando noites, fizeram com que ele tivesse uma condição física muito precária. O falecimento de Jenny fez com que isso piorasse, e ele passou a ter problemas com bronquite e pleurisia.

Esse cenário levou a sua morte, em 1883. O comunista foi enterrado no cemitério de Highgate, em Londres, na Inglaterra, como apátrida. Isso aconteceu devido às inúmeras vezes em que foi expulso de países, principalmente devido às polêmicas que escrevia e difundia na Europa durante toda sua trajetória de vida. Bélgica, França e Prússia foram algumas dessas localidades.

Não morreu famoso. Apenas alguns de seus amigos mais próximos compareceram ao seu velório, como o indispensável Friedrich Engels e Wilhelm Liebknecht. Em seu discurso sobre o camarada, que foi sua dupla em diversos textos, afirmou que “Marx era, antes de tudo, um revolucionário”.

Crédito: Wikimedia Commons

 

De acordo com o jornal socialista alemão Der Sozialdemokrat, Engels disse em seu pronunciamento: "no dia 14 de março, as quinze para as três da tarde, o maior pensador vivo deixou de pensar. Ele ficou sozinho por apenas dois minutos e, quando voltamos, o encontramos em sua poltrona e foi dormir pacificamente — mas para sempre”.

"Uma perda imensurável foi sustentada pelo proletariado militante da Europa e da América, e pela ciência histórica, na morte desse homem. A lacuna deixada pela saída desse espírito poderoso logo se fará sentir em breve”, completou.

Ao crescer numa época em que o mundo estava mudando a uma velocidade alucinante, Marx acabou se tornando um arauto da transformação. Em vez de rabino, virou filósofo, economista e agitador político, criando praticamente sozinho a ideia de que o capitalismo carregava dentro de si as sementes da autodestruição.

Crédito: Wikimedia Commons

 

Perseguido e muitas vezes ignorado, o comunista morreu ainda com seu prestígio em ascensão — um prestígio que logo se transformaria em absoluta idolatria entre quase todos os partidos de esquerda do mundo.

Suas ideias ainda circulam de maneira intensa. Seus livros mais famosos, como o Manifesto do Partido Comunista e os inúmeros volumes de sua obra prima, O Capital, também são publicados em novas versões. No entanto, o fracasso de países que tentaram implantar seus ideais leva muitos a questionarem seu real legado nos dias de hoje — o autoritarismo e a brutalidade praticados pela União Soviética, por exemplo, contribuíram para o declínio da ideologia.

Entre suas principais contribuições, está a criação de conceitos como mais-valia, ditadura do proletariado e o fetichismo da mercadoria. A luta de classes entre a burguesia e o proletariado, assim como a abolição da propriedade privada, eram aspectos intrínsecos a análise materialista da sociedade desenvolvida por Marx e Engels.


+ Saiba mais sobre o tema por meio das obras a seguir:

Do socialismo utópico ao socialismo científico, Friedrich Engels (2011) - https://amzn.to/2OoLamW

Utopia, Thomas More e Denise Bottmann (2018) - https://amzn.to/37WP2TH

O Manifesto do Partido Comunista, Karl Marx e Friedrich Engels (2019) - https://amzn.to/2RXJjHX

Princípios Básicos do Comunismo e outros textos, Friedrich Engels (2014) - https://amzn.to/2GSDYv6

O Capital [Livro I]: crítica da economia política. O processo de produção do capital, Karl Marx (2017) - https://amzn.to/2RWpIYt

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, assinantes Amazon Prime recebem os produtos com mais rapidez e frete grátis, e a revista Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.