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Há 14 anos, Paulo Maluf era preso por formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro

Preso na madrugada de 10 de setembro, Maluf ficou na cadeia por 40 dias e ganhou o apelido de Sr. Propina

Joseane Pereira Publicado em 10/09/2019, às 12h00

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- Reprodução

No dia 10 de setembro de 2005, o político e empresário brasileiro Paulo Maluf foi preso com seu filho na capital paulista. Decretada pela juíza federal Sílvia Maria Rocha, a prisão preventiva se deu por acusações de formação de quadrilha, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Condenação

Maluf foi acusado de intimidar Vivaldo Alves, testemunha suspeita de movimentar, nos EUA, US$ 161 milhões de dólares pertencentes a ele. Preso pelo delegado de polícia Protógenes Queirós, ele e seu filho permaneceram no cárcere da Polícia Federal de 10 de setembro a 20 de outubro daquele ano.

Flávio e Paulo Maluf durante prisão /
Crédito: Reprodução

 

O Supremo Tribunal Federal julgou que a prisão era ilegal, usando a frágil saúde de Maluf como justificativa para sua soltura. Apesar disso, no dia seguinte ele foi visto tomando um chope e comendo pastéis em Campos do Jordão.

Fragilidade na saúde também foi justificativa anos depois. Condenado por lavagem de dinheiro em março de 2017, já com 86 anos, Maluf recebeu concessão a prisão domiciliar quando seu advogado de defesa demonstrou que ele passava pro graves problemas de saúde.

Malufar

Existem muitos documentos, arquivados pela Justiça brasileira, que comprovam uma movimentação de US$ 446 milhões em contas de Paulo Maluf no exterior. Esses e outros eventos o levaram a ser incluído pelo Banco Mundial, em parceria com a ONU, em uma lista de 150 casos internacionais de corrupção.

Em 2014, Maluf foi escolhido pela ONG Transparência Internacional, da Suíça, como um grande exemplo de corrupção a ser combatido. Na época, ele recebeu o apelido de Sr Propina, e a campanha fazia referência ao verbo “malufar” como sinônimo de “roubar dinheiro público”. Dessa forma, o ex-deputado federal passou a ter um infeliz verbo em sua homenagem, sendo hoje o maior símbolo de corrupção na história do Brasil.