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10 anos de espera: a comovente história de Hachiko, o cão mais leal do mundo

Mesmo após a morte de seu dono, o fiel escudeiro de Hidesaburo Ueno sonhou com o retorno de seu amigo até seu último suspiro de vida

Fabio Previdelli Publicado em 15/03/2020, às 09h00 - Atualizado às 10h00

Hachiko esperando o seu dono
Hachiko esperando o seu dono - Divulgação

Hachiko, o cachorro, era mais que um animal de estimação. O companheiro canino de um professor universitário foi fiel até o fim — muito além do fim pra dizer a verdade. Por quase uma década depois que seu mestre faleceu, o cachorro continuou aparecendo no mesmo local em que cumprimentava o professor todos os dias após o trabalho.

O dócil canino, da raça Akita, nasceu em 10 de novembro de 1923, em uma fazenda japonesa localizada na província que tem o mesmo nome de sua espécie. Um ano depois, o professor Hidesaburo Ueno, que lecionava no departamento de agricultura da Universidade Imperial de Tóquio, comprou Hachiko e o levou para viver com ele em sua residência em Shibuya, na capital do país.

Hachiko, o cachorro mais fiel do mundo / Crédito: Wikimedia Commons

 

A dupla seguia a mesma rotina todos os dias: de manhã, Ueno caminhava até a estação Shibuya com Hachiko e pegava o trem para o trabalho. Na volta de seu ofício, às 15 horas, os dois se encontravam no mesmo lugar e voltavam juntos para a casa.

A dupla manteve essa programação religiosamente até meados de maio de 1925, quando o professor Ueno sofreu uma súbita hemorragia cerebral enquanto lecionava e faleceu. No mesmo dia, como de costume, Hachiko apareceu na estação no horário de praxe, mas seu dono nunca saiu do trem.

Apesar dessa interrupção em sua rotina, Hachiko retornou no dia seguinte, na mesma hora, esperando que Ueno estivesse lá para encontrá-lo. Obviamente, o professor não conseguiu voltar para casa mais uma vez, mas seu leal Akita nunca perdeu a esperança.

Ele repetiu o ato no dia seguinte, e no dia seguinte, e no dia seguinte... Assim, logo o cão solitário começou a chamar a atenção dos outros passageiros. A princípio, os funcionários da estação não eram muito amigáveis ​​com o cão, mas, com o passar do tempo, eles começaram a cuidar dele, trazendo petiscos ou se sentando ao seu lado para lhe fazerem companhia.

Os dias se transformaram em semanas, depois meses e anos, mas a esperança de Hachiko nunca cessou. Sua fidelidade causou grande impacto na comunidade local e logo o cãozinho solitário se tornou um ícone pela região. 

A Estação de Shibuya, onde Hachiko esperava o retorno de seu dono diariamente / Crédito: Wikimedia Commons

 

A história chegou até um dos ex-alunos do professor, Hirokichi Saito, que coincidentemente também era especialista na raça Akita. Ele decidiu pegar o trem para Shibuya para ver por si mesmo se o animal de estimação de seu ex-educador ainda estaria o esperando.

Quando ele chegou, viu Hachiko lá, como sempre. Ele seguiu o cão da estação até a casa do ex-jardineiro de Ueno, Kuzaburo Kobayashi. Lá, Kobayashi o contou a história da vida do cachorro. Logo após essa fatídica reunião com o jardineiro, Saito publicou um censo sobre os cães Akita no Japão. Ele descobriu que havia apenas 30 Akitas de raça pura documentados — sendo Hachiko um deles.

Saito ficou tão intrigado com a história do cãozinho que publicou vários artigos detalhando sua jornada de lealdade. Em 1932, um destes foi divulgado no diário nacional Asahi Shimbun, o que fez que a história de Hachiko se espalhasse por todo o Japão.

Logo, pessoas de todo o país vinham visitar Hachiko, que se tornara um símbolo de lealdade e um amuleto de boa sorte. O animal de estimação fiel nunca deixou a velhice ou a artrite interromperem sua rotina. Quase uma década após a morte de seu mestre, ele ainda voltava à estação todos os dias para esperar, nunca perdendo a esperança de que o professor voltasse. Às vezes, ele era acompanhado por pessoas que haviam percorrido grandes distâncias apenas para se sentar com ele.

O funeral de Hachiko / Crédito: Wikimedia Commons

 

A grande vigília de Hachiko finalmente terminou em 8 de março de 1935, quando ele foi encontrado morto nas ruas de Shibuya, aos 11 anos de idade. Na época, os cientistas não foram capazes de determinar a causa da morte do cão, mas, em 2011, eles descobriram que o cachorro tinha uma infecção por filaria e câncer terminal.

Sua morte foi manchete nacional. Ele foi cremado e suas cinzas foram colocadas ao lado do túmulo do professor Ueno, no cemitério de Aoyama, em Tóquio. O mestre e seu cachorro leal finalmente se reuniram. Seu pelo, no entanto, foi preservado. Agora está alojado no Museu Nacional da Natureza e Ciência em Ueno, Tóquio.


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