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3.096 dias de cativeiro: A traumática saga de Natascha Kampusch

Austríaca foi mantida refém durante 8 anos, retida no subsolo e longe da vida em sociedade

Isabela Barreiros Publicado em 27/04/2020, às 13h44

Retrato de Natascha Kampusch
Retrato de Natascha Kampusch - Divulgação

No dia 2 de março de 1999, Natascha não conseguiu completar o caminho matinal para a escola. Durante o trajeto, a menina foi agarrada por um desconhecido que a puxou para dentro de sua van branca e a levou para Strasshof an der Nordbahn, uma cidade a 50 km de Viena, capital da Áustria. Ela permaneceria no local até conseguir fugir oito anos depois, em 23 de agosto de 2006.

O sequestrador, Wolfgang Priklopil, um técnico de telecomunicações de 44 anos, prendeu a garota de 10 anos no seu porão, com medidas de 5 metros quadrados e 2,4 m de altura.

O local, além de não permitir luz solar, cheirava mal e era muito escondido. Depois de um tempo, ele permitiu que ela frequentasse o piso de cima, mas exigia que Natascha se encarregasse da maioria dos afazeres domésticos.

Natascha Kampusch no lançamento de seu livro / Crédito: Getty Images

 

Além disso, a refém sofria com agressões físicas. Em seu livro, nomeado com o tempo em que ela permaneceu presa — 3.906 Dias —, há fragmentos do diário que ela mantinha escondida.

“23 de agosto de 2005: Pelo menos 60 tapas no rosto. 10-15 socos na cabeça que me deixaram com náusea, um soco com toda a força na orelha direita e na mandíbula. Minha orelha ficou preta. Estrangulamento, soco no queixo, fazendo a mandíbula estalar. Socos no cóccix e na coluna, na costela e entre os seios. Golpes com uma vassoura no cotovelo esquerdo e braço (hematoma preto-amarronzado) e no pulso esquerdo. Quatro socos no olho que me fizeram ver luzes azuis. E muito mais.”

O sequestrador Wolfgang Priklopil / Crédito: Divulgação

 

Natascha conseguiu escapar em 2006. Quando Priklopil, distraído, falava ao telefone e deixava a menina do lado de fora sozinha pela primeira vez. Ela deixou de lado o carro que estava lavando e correu, fugindo pelo portão que, por milagre, estava aberto.

 O homem, após perceber seu escape, se suicidou, atirando-se na frente de um trem em movimento em uma estação no norte de Viena. 

No entanto, os desafios dela não pararam por aí. Após oito anos sem contato com outras pessoas do mundo exterior, a ex-refém teve dificuldades em se adaptar novamente à vida social e à liberdade depois de tanto tempo. 


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