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Austin Spare: o artista ocultista que zombou de Hitler — e sobreviveu à sua vingança

Em resposta a um pedido do Führer, o mago e pintor escreveu uma carta afrontando o ditador, que, em contrapartida, ordenou um bombardeio ao seu estúdio

André Nogueira Publicado em 29/02/2020, às 10h00

Austin Spare trabalhando
Austin Spare trabalhando - Getty Images

Considerado por Alan Moore como “um dos artistas britânicos mais esquecidos da história da arte”, Austin Osman Spare foi uma figura singular. Ligado às artes plásticas, ao ocultismo e às magias, essa figura chegou a conhecer Aleister Crowley e a ter desavenças pessoais com Adolf Hitler.

Entre as maiores contribuições de Spare ao simbolismo foi o uso de traços e linhas na criação do que os magos chamam de escrita automática e o sigilo, que são manifestações do ego de forma subconsciente em imagens concretas, usadas em rituais e trabalhos.

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Spare teve problemas depois que foi reparado pelo líder nazista Adolf Hitler, que declarou gostar muito de seu trabalho, ainda antes da guerra. Nos anos 1930, Hitler teria mandado uma carta ao artista, pedindo que ele o retratasse.

Completamente contrário à ideologia nazista, Spare respondeu ao pedido do Führer com as seguintes palavras: ”Se você é o super-homem, deixe-me ser para sempre um animal”. Isso gerou grande indignação por parte do ditador, que responderia alguns anos depois.

Autorretrato como Hitler / Crédito: Austin Spare

 

O pedido de Hitler ainda rendeu a ideia de uma das obras mais polêmicas de Spare um autorretrato dele como Hitler. Numa mistura de zombaria e apelo ao caos, ele recriou sua imagem usando os traços clássicos do ditador (como o bigode), e mesmo assim manteve a recusa de pintar o alemão.

Então, durante os ataques à Grã-Bretanha de 1941, Hitler teria exigido que o distrito onde estava o estúdio de pinturas de Spare fosse duramente bombardeado, como represália à oposição e à zombaria do ocultista. O ateliê de Spare foi completamente detonado, mas para a surpresa do Führer, ele e seus gatos saíram todos vivos, e com pouquíssimos ferimentos dada a situação.

Spare em seu estúdio, que seria destruído, com os gatos / Crédito: Getty Images

 

Aquele caso passou a ser chamado por Spare como “a vingança de Hitler”, quase um momento simbólico da impotência do ódio dos supremacistas contra aquele que se dedicou a se opor de maneira jocosa e desrespeitosa. Hitler não merecia respeito, e até seus ataques foram (talvez magicamente, dado o conhecimento do artista em atividades sobrenaturais) inutilizados.


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