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Em 23 de maio de 1932, o conflito entre paulistas e varguistas levou à morte de quatro estudantes

Martins, Miragaia, Drauzio e Camargo: os quatro jovens que, assassinados há 87 anos, inspiraram o movimento de 9 de julho

André Nogueira Publicado em 23/05/2019, às 15h00 - Atualizado às 17h00

Fragmento de cartaz de promoção do levante de 1932
Fragmento de cartaz de promoção do levante de 1932 - Arquivo Estadual

Quando, em 1930, Getúlio Vargas chegou ao poder, teve inicio o projeto nacional que retirava considerável poder de mando do Estado de São Paulo. Ao mesmo tempo, Vargas revogava a constituição de 1891, e governava sem qualquer carta de leis. Diante deste cenário, São Paulo era um barril de pólvora contra o potencial ditador em vigor, mas em favor do retorno do status quo da República Velha.

A partir de 25 de janeiro de 1932, manifestações foram realizadas na Praça da Sé, contra o governo Vargas. A população paulista, e principalmente paulistana, era massivamente antivarguista. Os protestos envolveram estudantes, comerciantes e setores da classe média.

Cartaz clássico de 1932 / Crédito: Wikimedia commons

 

Em 23 de maio, em um desses protestos , a população insatisfeita saiu pelas ruas da cidade. Um setor do ato decidiu invadir a sede do Partido Popular Paulista, que na época era alinhado com o governo revolucionário, e coordenado pelo famoso tenentista que se aliou a Prestes nos anos 1920, Miguel Costa.

Quando o protesto chegou à sede do Partido, na Praça da República, os partidários governistas já estavam preparados, pois tinham antecipado o plano dos revoltados.

Armados com fuzis e granadas, eles protegeram o prédio do Partido da tentativa de invasão, dando início a uma verdadeira batalha.

Cartão postal em homenagem a MMDC / Crédito: Wikimedia commons

 

No meio do tiroteio, muitos foram feridos e alguns mortos. Entre os falecidos, ganharam um destaque especial, criando grande comoção, quatro jovens estudantes: Mário Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Dráuzio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade.

O impacto da morte dos quatro jovens foi tão forte que o movimento antivarguista em SP tornou-os mártires da revolta e começaram a se identificar com a inicial de cada um deles. Com isso, teve início a ideia de MMDC.

Representados pela sigla, o movimento autodeclarado Constitucionalista (por exigir o retorno da Constituição no Brasil) ganhou muito fervor. A maioria da publicidade em favor do movimento começou a utilizar a sigla e, até hoje, o MMDC tem força simbólica em São Paulo, a ponto de haver um grande mausoléu com um obelisco em homenagem aos mártires.

Entrada do mausoléu ao MMDC, obelisco do Ibirapuera / Crédito: Reprodução

 

A intriga entre SP e o governo federal foi tão forte que, em 9 de julho daquele ano, os revoltosos estouraram um grande levante na cidade, criando uma guerra civil que acabou em outubro.

Os paulistanos chamam esse momento de Revolução Constitucionalista de 1932, que acabou com a derrota das tropas paulistanas pelo Exército nacional em defesa de Vargas, que vinha de Minas Gerais.

Porém, o levante paulistano foi forte o suficiente para pressionar Vargas a instituir uma Assembleia Constituinte, que deu origem à Carta de 1934, uma das mais avançadas do mundo na época.