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Estevão, o papa que levou o cadáver apodrecido de seu antecessor a julgamento

O Pontífice mandou ao tribunal o corpo em decomposição e foi responsável por um insólito caso de sínodo cadavérico

Redação Publicado em 26/06/2020, às 10h00

O episódio retratado em obra de Jean-Paul Laurens (1870)
O episódio retratado em obra de Jean-Paul Laurens (1870) - Wikimedia Commons

A Igreja Católica passava por uma época turbulenta no fim do século 9. Enquanto no século 20 Roma teve oito papas, no século 9 contavam-se às dezenas os que se sucederam no cargo — a maioria na casa dos 30 anos. “Em alguns casos, os papas terminavam assassinados, eram depostos, fugiam”, diz a historiadora Valéria Fernandes da Silva, especialista em História da Igreja.

As poderosas famílias de Roma tinham influência na Santa Sé, o que levou algumas pessoas perturbadas a sentar no trono de Pedro. Mas em termos de bizarrice, nenhum superou Estevão.

No começo de 897, o papa Estevão VI (alguns o citam como Estevão VII) tomou uma atitude excêntrica: ordenou a exumação de seu antecessor, Formoso, morto nove meses antes do outro tomar posse.

Lista de papas enterrados na Basília de São Pedro que conta com o nome de Formoso / Crédito: Wikimedia Commons

 

No evento conhecido como sínodo cadavérico, o corpo do papa-defunto, vestido de insígnias e ornamentos, foi julgado e condenado por excesso de ambição. Estevão excomungou Formoso, que foi despido de suas vestes papais e teve amputados os dedos da mão direita, utilizado para abençoar os fiéis.

Seu corpo ainda foi atirado no Rio Tibre, uma pena que fazia parte de inúmeras condenações a criminosos na época.

Depois do ocorrido, a popularidade de Estevão foi para o fundo do Tibre junto com o corpo de Formoso. Ele foi deposto numa rebelião e estrangulado até a morte, ainda em 897. No ano seguinte, o novo papa João IX anulou o sínodo cadavérico no Concílio de Ravena e ordenou o retorno do corpo de Formoso, resgatado do rio, à tumba, na Basílica de São Pedro.

“Foi talvez o período mais conturbado da história do papado”, diz a historiadora Valéria Silva. “Coisas assim são um sintoma da instabilidade da Igreja, da crise de autoridade e da ingerência das grandes famílias”, conclui.


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