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Há 29 anos, começava a Guerra do Golfo

O último grande confronto do século 20 foi uma prévia do que viria no seguinte

Simone Bitar Publicado em 02/08/2019, às 10h00

Soldados da 82ª divisão aerotransportada
Soldados da 82ª divisão aerotransportada - Getty Images

Desde a Antiguidade, o Iraque e o Kuwait faziam parte de um só país — a Mesopotâmia. No fim da Primeira Guerra Mundial, os britânicos, que dominavam a região, dividiram o território. Kuwait foi o nome dado ao pedaço de 17 820 km², rico em petróleo e com uma ampla saída para o golfo Pérsico. O território maior, com 437 072 km², virou o Iraque.

Em 1990, Saddam Hussein, invocou as antigas fronteiras para justificar a invasão do vizinho. Na verdade, tinha US$ 80 bilhões de dívida externa, herdada principalmente da guerra contra o Irã, entre 1980 e 1990. Um milhão de iraquianos havia morrido no conflito, mas o país permanecia como a maior força militar da região.

Tanques T-72 do exército iraquiano. Créditos: Wikimedia Commons

A produção de petróleo do Kuwait, na época responsável por 10% da produção mundial, foi a gota d’água. A economia iraquiana dependia da indústria petrolífera e a alta produção do vizinho pressionava os preços internacionais para baixo.

Em 22 de julho de 1990, o exército iraquiano mobilizou 120 mil soldados nas fronteiras com o Kuwait. Em 2 de agosto, há exatos 29 anos, o Iraque invadiu o território vizinho. Era o início do maior conflito bélico do fim do século 20.

As forças iraquianas não tiveram muitos problemas durante a invasão, e o governo do Kuwait caiu rapidamente. A ONU respondeu, impondo sanções econômicas e diplomáticas. O então presidente dos Estados Unidos, George Bush, promete enviar porta-aviões para o Golfo Pérsico, além de aumentar o contingente de soldados presentes na Arábia Saudita, aliada americana, enquanto a ONU dá um ultimato para que as tropas iraquianas deixem o Kuwait.

Pouco tempo depois, em janeiro de 1991, o Congresso americano apoia uma intervenção no Iraque. Uma força de coalizão é montada envolvendo inúmeros países, liderados, principalmente, por Estados Unidos e Inglaterra

Os iraquianos atacaram Israel e Arábia Saudita com mísseis. A ideia era fazer Israel retaliar e talvez trazer o apoio dos outros países árabes da região, que relutariam em lutar ao lado do país. Os EUA, percebendo a estratégia, aconselharam os israelitas a não entrarem no conflito, só se defenderem (com bastante apoio norte-americano) se necessário.

As forças da coalizão iniciaram bombardeios navais e aéreos. Os aviões foram especialmente efetivos, destruindo mísseis, equipamentos e infraestrutura dos iraquianos sem encontrar grande resistência.

Em 24 de Fevereiro, as tropas da coalizão iniciaram, também, os avanços por terra. 100 horas depois, no dia 28, além da libertação total do Kuwait, parte do Iraque também havia sido ocupada. Um cessar-fogo foi assinado por ambas as partes, sacramentando a vitória da coalizão.

Além da restauração da monarquia do Kuwait, o Iraque foi obrigado a destruir e/ou entregar suas armas químicas, biológicas e mísseis balísticos, e, também, interromper o desenvolvimento de novos armamentos dessas categorias. Os Estados Unidos atacariam o país em 2003, como consequência dos atentados de 11 de setembro de 2001, agora sob o comando de George W. Bush, filho do ex-presidente Bush, sob a acusação de que essas armas ainda existiriam.