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De funcionário público a "Deus da sacanagem": os quadrinhos picantes de Carlos Zéfiro

O desenhista — responsável por revistinhas como As Aventuras de João Cavalo e Luíza, a Insaciável — vendia suas obras às escondidas durante a ditadura

Daniela Bazi Publicado em 21/01/2020, às 14h35

Revistinha Paulam, memórias de um "bom" advogado, de Carlos Zéfiro
Revistinha Paulam, memórias de um "bom" advogado, de Carlos Zéfiro - Reprodução/Carlos Zéfiro

Descrito como o “Deus da sacanagem” pelo desenhista Eduardo Barbosa ao jornal A Notícia em 1991, Alcides Caminha era um funcionário público do Rio de Janeiro que, na verdade, escondia ser o desenhista Carlos Zéfiro, responsável pelos quadrinhos de sexo explícito publicados entre as décadas de 1940 e 1980.

As revistinhas eram famosas na época, principalmente entre os adolescentes, que quase não tinham informações sobre sexo devido a forte repressão moral imposta na sociedade.

Revistinha Domada Pelo Sexo, de Carlos Zéfiro / Crédito: Reprodução/Carlos Zéfiro

 

Suas obras ficaram reconhecidas inicialmente no Rio de Janeiro, e acabaram se espalhando por todo Brasil. Entre suas obras mais famosas, estão As Aventuras de João Cavalo e Luíza, a Insaciável. Devido a ditadura, elas eram vendidas sempre às escondidas.

Revistinha As Aventuras de João Cavalo, de Carlos Zéfiro / Crédito: Reprodução/Carlos Zéfiro

 

Alcides teve sua identidade revelada em 1991, em uma entrevista para a revista Playboy. Entretanto, antes da verdade vir à tona, Caminha desafiou o concorrente para uma espécie de concurso público, onde ambos deveriam desenhar em frente de uma plateia e serem julgados para definir quem seria o verdadeiro Carlos Zéfiro.

Caminha acabou não aceitando a proposta, pois estava sofrendo de catarata e uma paralisia na época, mas mesmo assim apresentou uma série de detalhes precisos sobre as obras, que Eduardo não tinha.

Revistinha Suzete, de Carlos Zéfiro / Crédito: Divulgação/Carlos Zéfiro

 

O desenhista morreu nove meses depois de sua grande revelação, no dia 5 de julho de 1992. Entretanto, durante seus últimos tempos de vida, passou a receber muito mais reconhecimento. Alcides deu entrevistas para alguns dos principais veículos de comunicação do Brasil, foi uma das principais atrações em uma bienal de quadrinhos e, dois dias antes de falecer, venceu o prêmio HQ Mix.

Suas obras que eram inspiradas em fatos reais da vida do próprio autor ficaram reconhecidas por pregar a sedução e o respeito ao levar uma mulher para a cama, priorizando o prazer sexual dela.


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