Matérias » Personagem

Identidade contraditória: a turbulenta saga de John Demjanjuk, acusado de 25 mil mortes no Holocausto

Reconhecido por sobreviventes de campos nazistas como Ivan, o Terrível, o homem levantou uma dúvida no tribunal — que não conseguia identificar quem ele realmente era

André Nogueira Publicado em 04/03/2020, às 14h00 - Atualizado em 23/04/2021, às 08h00

Cena do documentário The Devil Next Door, que narra o caso Demjanjuk
Cena do documentário The Devil Next Door, que narra o caso Demjanjuk - Divulgação/Netflix

Imagine descobrir que um trabalhador autônomo discreto, oficialmente cidadão dos EUA, na verdade escondia uma identidade secreta dos tempos de guerra, quando era um colaborador ativo do nazismo e, portanto, do Holocausto.

Este é o caso de John Demjanjuk, um ucraniano nascido na URSS durante a guerra travada entre o território alemão e o império vermelho entre 1919 e 1921. Em 1952, migrou para os EUA e, só depois de anos, que foi revelada a sua trajetória entre os eventos – período em que ocorreu a ascensão de Hitler e a Segunda Mundial.

Ivan Demjanjuk nos documentos alemães / Crédito: Domínio Pùblico

 

Isso ocorreu nos anos 1980, quando Demjanjuk foi deportado para Israel e passou por julgamentos que expuseram a realidade de seu passado. Diversas vítimas do Holocausto reconheceram o ucraniano como Ivan, o Terrível (seu nome na Europa era Ivan Mykolayovych Demyanyuk), um violento guarda dos campos de Sobibor e Treblinka.

Por esse motivo, em 1988, foi condenado à morte por crimes de guerra, sentença que foi anulada em 1993, quando a Suprema Corte de Israel concluiu que ele não era Ivan. Essa anulação tornou o processo uma confusão, e outros tribunais voltaram a analisar o caso.

Em 2001, ele recebeu uma nova denúncia e, em 2005, voltou receber uma ordem de deportação, mas não saiu dos EUA. Somente em 2009, foi anunciada a deportação de Demjanjuk para a Alemanha.

Naquele ano, Demjanjuk chegou a ser levado por agentes da imigração, em cadeira de rodas, mas pouco tempo depois que saíram de sua casa, a ordem foi anulada. Um mês depois, voltou a ser intimado após a Suprema Corte dos EUA negar seu apelo jurídico.

Demjanjuk em julgamento / Crédito: Wikimedia Commons

 

Então, foi levado de Cleveland ao aeroporto numa ambulância e pegou um voo para a Alemanha. Lá, foi oficialmente acusado de participar da morte de mais de 25 mil prisioneiros em Sobibor.

O julgamento foi iniciado em novembro daquele ano, em Munique, e já era previsto para durar muito tempo. Após idas e vindas de processos e apelos jurídicos, Demjanjuk chegou a ser condenado pelos crimes de guerra, mas diversas alegações que contestavam a identificação de John como Ivan, incluindo uma que dizia que Ivan Demjanjuk teria se matado em 1971, impediram o sentenciamento oficial.

Capa do documentário The Devil Next Door, que narra o caso Demjanjuk / Crédito: Divulgação/Netflix

 

No processo todo, John indagou que aquele processo era uma tentativa alemã de absolver a própria culpa, “encontrando culpados em outras nações”. A dúvida sobre a identidade de John é ainda questionável, mas sabemos que ele morreu tranquilamente em uma casa de repouso para idosos, em 2012, com a ficha criminal limpa.


+Saiba mais sobre o tema através das obras disponíveis na Amazon

Ivan of the Extermination Camp: How the Trials and Denials of Nazi Collaborator John Demjanjuk Added to Our Understanding of the Holocaust, de Tom Teicholz - https://amzn.to/2ChESPf

The Right Wrong Man: John Demjanjuk and the Last Great Nazi War Crimes Trial, de Lawrance Douglas - https://amzn.to/33lyAtN

Fuga de Sobibór, de Richard Rashke - https://amzn.to/33jsGJD

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, a Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.

Aproveite Frete GRÁTIS, rápido e ilimitado com Amazon Prime: https://amzn.to/2w5nJJp

Amazon Music Unlimited – Experimente 30 dias grátis: https://amzn.to/2yiDA7W