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Matérias / Guerra Fria

USS PUEBLO: Há 52 anos, a Coreia do Norte capturava o único navio americano em mãos estrangeiras

A Marinha dos EUA invadiu o território peninsular para interceptar mensagens secretas, mas acabou perdendo a embarcação de maneira humilhante

André Nogueira Publicado em 23/01/2020, às 08h00 - Atualizado às 08h54

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Selo comemorativo da captura do navio USS Pueblo - Getty Images
Selo comemorativo da captura do navio USS Pueblo - Getty Images

O que mais surpreende sobre a Coreia do Norte é que, entre os países com inimizades com os EUA, poucos são tão pequenos e de origem tão pobre quanto ela, ao mesmo tempo em que o país apresenta uma considerável ameaça à soberania militar estadunidense.

Antes da produção de mísseis nucleares na península, Pyongyang já apresentava empecilhos para as Forças Armadas de Washington — se tornando, inclusive, o único lugar a capturar para sempre um navio americano.

Trata-se do USS Pueblo, capturado em 1968 e, que, até hoje, é o único navio da Marinha americana nas mãos de uma nação estrangeira. Uma das maiores humilhações militares dos EUA antes da derrota no Vietnam, essa façanha do pequeno país asiático aconteceu no dia 23 de janeiro.

USS Pueblo / Crédito: Getty Images

O USS Pueblo, na ocasião, estava rondando a costa norte-coreana disfarçado de navio científico, enquanto tentava interceptar mensagens do país. Diante desse cenário, as forças de segurança de Kim Il-sung mandaram três barcos que anunciaram que o navio estrangeiro seria abordado. Com a recusa dos estadunidenses, a Coreia do Norte abriu fogo.

O navio de 155 metros estava pouco armado, tendo apenas duas metralhadoras a bordo. Os americanos não esperavam uma atitude de Pyongyang, subestimando os poderes do país inimigo. Segundo Skip Schumacher, na época tenente na embarcação, “éramos um navio desarmado. Esse era nosso disfarce”, declarou em entrevista à BBC.

O comandante da tripulação ordenou que o navio batesse em retirada. Ganhando tempo na fuga, os soldados passaram a destruir toda documentação que fosse relevante, para que não parasse nas mãos dos coreanos. Porém, a marinha do país capturou o navio americano depois de horas de disputa. Pela falta de trituradores, somente parte dos dados da inteligência americana foram destruídos.

Tripulação estadunidense rendida / Crédito: KCNA

O processo todo de captura levou ao óbito de um americano, além de outros 83 feridos. Os soldados apanhados ficaram presos por quase um ano, tempo em que passaram por diversas interrogações e foram mantidos em cativeiros de alta segurança.

"Puseram uma pistola contra sua [capitão Bucher, chefe da operação] cabeça e disseram: 'Vamos te matar'. E faziam um 'clic' com o revólver, que parecia não ter balas, mas ele ainda assim se negava", relatou Schumacher.

Quando se ameaçou o fuzilamento de toda a tropa, o capitão finalmente assinou uma confissão sobre suas atividades na Coreia. A liberdade dos militares só foi possível com uma negociação que levou a um pedido de desculpas oficial de Lyndon Johnson, presidente dos Estados Unidos, que admitiu o erro do país em violar a soberania norte-coreana ao invadir seu território.

Os norte-coreanos ainda obrigaram os soldados americanos a tirarem uma foto provando que estavam sendo bem tratados. Numa brincadeira dos estadunidenses, contra os inimigos, alguns deles falaram que o dedo do meio era sinal de boa sorte no Havaí, e tiraram a fotografia com o gesto — o que gerou revolta na Coreia do Norte.

Tripulação do USS Pueblo / Crédito: Getty Images

No fim, o capitão teve de gravar um pedido de desculpas e agradecimentos pelo tratamento oficial. Bucher foi levado ao tribunal, por ter se rendido, depois que sua tropa foi liberada em dezembro de 1968, na zona desmilitarizada na fronteira entre as Coreias.

Até hoje, esse navio está nas mãos da Coreia do Norte, que o colocou em um rio em Pyongyang, transformando-o em ponto turístico local e em um troféu de sua luta contra o imperialismo dos EUA. No local, há visitas guiadas que contam a história da captura do veículo.


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