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Jean-Louis B.: O homem que foi condenado em 9 mil euros por não fazer sexo com sua esposa

Casado há 21 anos e com dois filhos, o francês, que tinha 51 anos na época, foi enquadrado pelo artigo 215 do código civil da França, que diz que casais devem concordar com uma “vida comunal compartilhada”

Fabio Previdelli Publicado em 23/11/2020, às 17h30

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Imagem ilustrativa - Creative Commons

Não há como negar, um dos pilares de uma boa relação saudável é o sexo. Diversos estudos comprovam isso. Um dos mais recente, por exemplo, publicado em 2017 no periódico científico Personality and Social Psychology Bulletin, mostra que casais dos EUA e da Suíça — sejam aqueles com filhos ou os que se uniram mais recentemente — que mantêm uma frequência sexual maior, sentem e demonstram muito mais afeto e intimidade entre si, mesmo horas depois das relações.  

“Sexo faz você se sentir bem, não só porque libera endorfinas e hormônios, mas também porque você se torna mais afetivo, seja mulher ou homem”, explica Anik Debrot, coautora do estudo e psicóloga da Universidade de Lausanne, na Suíça, em entrevista à BBC.  

Para Debrot, o estudo só mostrou algo que era explicito para muitos: manter uma vida sexual ativa é importante para qualquer relacionamento. “Quanto mais sexo eles tiveram, em geral, mais afeto. Menos sexo, menos afeto. O sexo precisa ser mantido e reabastecido. Muitos terapeutas gostam de dizer que o sexo é apenas 20% de um relacionamento, mas na minha experiência, quando os casais não estão tendo relações sexuais, pode corresponder a 100% de um relacionamento.” 

Apesar disso, ela acrescenta que nessa equação não se conta apenas o ato sexual de fato. “Momentos eróticos ou sexualmente excitantes foram tão preditivos de emoções positivas quanto o ato em si”. 

E foi justamente por esse motivo que um caso chamou a atenção em 2011. Quer dizer, não pela frequência do ato, mas pela falta dele.  

O caso Jean-Louis B. 

Na ocasião em questão, um francês foi processado por sua ex-mulher por não ter feito sexo o suficiente com ela no período em que os dois ficaram casados: pouco mais de 21 anos, período no qual tiveram dois filhos na Riviera Francesa.  

Com 51 anos na época, o homem identificado apenas como Jean-Louis B. foi enquadrado pelo artigo 215 do código civil da França, que diz que casais devem concordar com uma “vida comunal compartilhada”.  

Segundo declarações de sua mulher ao tribunal de Aix-en-Provence, apesar das mais de duas décadas de união e dos dois frutos da relação, Jean-Louis se demonstrou pouco inspirado como o passar dos anos, sendo “o único responsável” pela falta de momentos mais quentes no quarto do casal. 

De acordo com o rapaz, a falta de ‘atenção’ se dava por problemas de saúde e pelo estresse do trabalho. “A relação sexual entre marido e mulher é a expressão de afeto que têm um pelo outro e, neste caso, estava ausente”, declarou o juiz ao anunciar que Jean-Louis seria condenado a pagar 9.000 euros, algo na casa dos 21 mil reais, segundo a cotação da época. 

"Ao se casar, os casais concordam em compartilhar suas vidas e isso claramente implica que eles farão sexo um com o outro”, sentenciou. A notícia foi repercutida em diversos veículos pelo mundo, como o Daily Mail e The Telegraph. 

Além da abstinência sexual, a violência e a infidelidade são os motivos mais citados por casais franceses na hora do divórcio. Entretanto, o caso como o de Jean-Louis, com uma condenação financeira, é extremamente raro no país. A última vez que algo semelhante havia ocorrido, foi há mais de 10 anos, em 2000. 

Falta de sexo, um problema cultural? 

Segundo uma pesquisa do Instituto Francês de Opinião Pública, na época, que foi repercutida do Daily Mail, entre mil adultos entrevistados, 76% deles disseram “sofrer de problemas de relacionamento devido a uma vida sexual pobre”. Outros 50% também falaram que “não sentiam desejo” de fazer sexo.  

Mais de um terço das francesas confessou citar dores de cabeça, fadiga ou "não na frente dos filhos" como desculpas para não se relacionarem. Já um em cada seis homens admitiu desculpas semelhantes. Além disso, os números mostram que um em cada três casamentos franceses tradicionais termina em divórcio.


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