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Jesus queria fundar uma nova religião?

É uma das questões mais polêmicas do cristianismo. No início, a ideia de pregar para todos não estava nos planos de Jesus

Redação Publicado em 24/12/2019, às 08h00

Sermão da Montanha, por Carl Bloch, século 19
Sermão da Montanha, por Carl Bloch, século 19 - Wikimedia Commons

Uma das mais cabeludas questões do cristianismo. Ou melhor: uma das questões mais cabeludas levantadas por não cristãos. Para os cristãos, Jesus é Deus na Terra, que obviamente veio para mudar tudo. Mas, para os primeiros deles, isso não parece ter sido tão claro.

Nos evangelhos, Jesus aparece pregando apenas para judeus e tendo apenas judeus entre seus discípulos. Há passagems como a do centurião que queria curar seu servo (Mateus 8:5-14), mas Jesus usa isso de exemplo contra a falta de fé dos judeus - o goy, o estrangeiro que tem mais fé que eles. Jesus inclusive aparece ordenando os apóstolos a não pregar para estrangeiros (Mateus 10:5-6).

Os evangelhos afirmam que Jesus, após ressuscitar, mudou a ordem. Para "Ide e pregai o evangelho a toda criatura" (Marcos: 16:15). Mas os evangelhos foram escritos após uma decisão crucial ser tomada.

Foi só por iniciativa de Paulo de Tarso, um dos primeiros conversos após a morte de Jesus - que afirmou tê-lo encontrado numa visão - que a pregação aos não judeus começou.

O primeiro concílio cristão aconteceu no ano 50 (Atos, capítulo 15). Nele, a principal questão era: deviam os cristãos não judeus ser circuncidados? Parece um detalhe, mas era algo central: a circuncisão era o sinal da aliança entre Deus e os judeus.

Ser circuncidado significava ser judeu - e a decisão final, de que não era necessário ser, indicava que um cristão não precisava ser antes convertido ao judaísmo. Que o cristianismo não era uma versão do judaísmo. Jesus considerava a si mesmo o prometido messias judeu, para salvar aos judeus? Ou estava lançando as bases para uma religião mundial?

Em 1928, o teólogo alemão Hanz Lietzmann lançou o termo Cristandade Paulina, diferenciando os ensinamentos de Jesus e Paulo. Desde então, vários outros acadêmicos, como o judeu Daniel Boyarin, autor de The Jewish Gospels: The Story of the Jewish Christ (Os Evangelhos Judeus: A História do Jesus Judeu), o cristão Bruce Chilton, autor de Rabbi Jesus: An Intimate Biography (Jesus Rabino: Uma Biografia Íntima) e o islâmico Reza Aslan, de Zelote: A Vida e a Época de Jesus de Nazaré, vêm dizendo que, como resume Chilton, "Jesus era um judeu pregando para judeus".

Além dos versículos pós-ressurreição, ortodoxos rebatem que o apoio de Pedro, o primeiro apóstolo, a Paulo no concílio é prova de que Jesus queria mesmo espalhar a mensagem.


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