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Lar de afeto: a história da mulher que transformou sua casa em um abrigo para órfãos

Em entrevista exclusiva à AH, Arnaldo Devianna contou como Rosemary Aparecida deu vida ao livro 'A Minha Turma é Demais'

Pamela Malva Publicado em 27/03/2021, às 10h00

Imagem meramente ilustrativa de casa em Pitangui
Imagem meramente ilustrativa de casa em Pitangui - Wikimedia Commons

“Eu te ajudo, você me ajuda e o mundo muda”. Esse é o lema da Mama Terê, a dona do abrigo que está prestes a ser demolido no livro ‘A Minha Turma é Demais’, de Arnaldo Devianna. Publicada em 2018, a obra é inspirada em na história de uma mulher real.

Morando em Pitangui, um município de Minas Gerais, a generosa Rosemary Aparecida de Freitas Batista transformou sua casa em um abrigo para crianças que não podiam mais ficar no sistema de adoção. É ela quem dá vida a Mama Terê e seu lindo abrigo.

Em entrevista exclusiva ao site Aventuras na História, Arnaldo Devianna contou cada detalhe da história real por trás de seu livro. Ainda mais, o autor também explicou como os órfãos de Rosemary ganharam seu espaço na obra infantojuvenil.

Imagem meramente ilustrativa de crianças brincando / Crédito: Divulgação/Pixabay

 

Um encontro repentino

“Eu conheci a Rosemary em 2010, 2011 mais ou menos”, narrou Arnaldo. “Estava trabalhando na cidade de Pitangui e a conheci. Foi um feliz acaso.” Tendo conhecido a história da mulher mais de perto, ele percebeu que ela merecia estar em um livro.

Trabalhando como professora, Rosemary morava apenas com o marido quando decidiu mudar completamente sua vida. “Ela simplesmente transformou a casa em que vivia, uma residência simples, em um abrigo”, contou o autor.

Segundo Arnaldo, tudo começou enquanto a senhora servia como voluntária em um abrigo municipal. Como conhecia os bastidores do sistema de adoção, Rosemary se sensibilizou com a história dos jovens que faziam 18 anos e tinham de sair do abrigo.

Imagem meramente ilustrativa de baçanço em parquinho / Crédito: Divulgação/Pixabay

 

Um coração gentil

“O primeiro era um jovem com deficiência que não tinha condições de arrumar um trabalho para se sustentar”, narrou Arnaldo. “Então Rosemary levou ele pra casa.” Foi assim que a pequena casa em Pitangui ganhou outras proporções.

“Quando me dei conta dos detalhes da história, me emocionei”, revelou o autor, sem deixar de citar a enorme generosidade da senhora. Isso porque, além de abrir as portas de sua residência para jovens desabrigados, ela recebia pouquíssimo dinheiro por isso. “Era mais um caso de amor mesmo”, pontuou Arnaldo.

Depois que conheceu Rosemary, então, o autor teve a oportunidade de visitar a casa da mulher, além de conhecer algumas das crianças que ela abriga, cujas características foram representadas em algumas das personagens do livro. O que o escritor encontrou, no entanto, foi muito mais chocante e cruel do que esperava.

Um mundo de violência

Acontece que as crianças abrigadas por Rosemary foram parar no sistema de adoção por diversos motivos. Entre as muitas narrativas, Arnaldo conheceu meninos e meninas que sofreram abusos e violência de membros da própria família. “Tinham histórias que eu nem pude contar no livro de tão pesadas. É assutador”, revelou o autor.

Por sorte, esses mesmos jovens acabaram acolhidos por Rosemary. “Eu fiquei espantado quando entrei na casa dela”, narrou o autor. “Os quartos cheios de beliches, a sala com três sofás enfileirados, como em um cinema. A cozinha industrial, com panelas gigantes. No quintal, uma floresta de varais estavam cheias de roupas secando.”

O conforto e o carinho na casa de Rosemary são tão presentes que muitos dos jovens sequer pensam em sair do abrigo. “Tem gente que já está na idade adulta, mas mora lá até hoje”, contou Arnaldo. Ainda mais, conforme a família crescia, a senhora buscou uma forma de se institucionalizar e, assim, até a justiça passou a enviar crianças para ela.

Capa do libro e fotografia de Arnaldo Devianna / Crédito: Divulgação/Abajour Books

 

Digna de livro

“Eu costumo brincar que todo escritor é, de certa forma, um ladrão de histórias”, explicou Arnaldo. “Eu garimpo as minhas inspirações no cotidiano e senti que precisava contar essa história.” Foi assim que nasceu ‘A Minha Turma é Demais’ e Mama Terê.

Com o pequeno Leo, um menino inteligente e paciente, como protagonista, a obra retrata a realidade sobre o sistema de adoção do país, mas de forma mais amena. Os abusos e as violências também aparecem nas páginas, a fim de ensinar os jovens sobre temas tão delicados, já que esses são crimes tão silenciosos, segundo Arnaldo.

Todos esses assuntos são enfrentados por Leo e sua turma, enquanto eles tentam salvar o abrigo de Mama Terê, a Rosemary da ficção. O desenvolvimento da narrativa ainda conta com a história de Tiradentes e com verdadeiras lições para os pequenos, trazidas através do ‘Fantástico livro de dicas da Mama Terê’, criado pela personagem.

Com o objetivo de, talvez, inspirar outras Rosemary's em todo o Brasil, Arnaldo, que já tem outros quatro livros prontos, quis criar uma obra divertida, que também ensinasse. Isso porque, na opinião do autor, “livros para crianças têm que ser divertidos, mas também têm que fazer elas pensarem um pouco”.


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