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Larry Bell, o assassino que ligava para a família de suas vítimas

Em 1958, Bell sequestrou duas crianças e passou as semanas seguintes provocando seus familiares por telefone

Fabio Previdelli Publicado em 25/03/2020, às 17h18

Foto de Larry Gene Bell
Foto de Larry Gene Bell - Divulgação

Shari Faye Smith tinha apenas 17 anos quando foi sequestrada enquanto estava parada próxima a caixa de correio em frente à sua casa, em Lexington, Carolina do Sul, nos Estados Unidos. Era 31 de maio de 1958.

Duas semanas depois, a apenas alguns quilômetros dali, a pequena Debra May Helmick, de 9 anos, teve o mesmo destino. Ela foi levada quando se divertia no jardim de sua casa. Os corpos das meninas só foram encontrados semanas depois. Sem vida.

Shari Faye Smith tinha apenas 17 anos quando foi sequestrada / Crédito: Divulgação

 

A descoberta só foi possível após uma série de telefonemas de um homem que provocava as famílias com comentários sobre os destinos de suas filhas. No final, o assassino — Larry Gene Bell — foi pego depois de ser ligado de maneira indireta a um número de telefone no Alabama.

O criminoso

Bell nasceu em 30 de outubro de 1949 em Ralph, no Alabama, uma pequena comunidade no condado de Tuscaloosa. Ele visitava com frequência a Carolina do Sul antes de se mudar definitivamente pra lá. Foi nesse período que ela sequestrou Shari. Após as investigações, o carro usado no crime foi encontrado abandonado no meio-fio perto de sua casa.

Logo após o desaparecimento da jovem, seus familiares começaram a receber ligações de uma pessoa que os provocava com informações sobre o possível destino da filha. Entre as coisas que o homem disse foi que os Smith receberiam uma carta da adolescente — algo que foi recuperado pela polícia.

O bilhete tinha o título Última Vontade e Testamento e continha demonstrações de amor da jovem com sua família, declarações de fé e uma mensagem assustadora de que ela queria um caixão fechado em seu funeral.

O assassino Larry Gene Bell / Crédito: Divulgação

 

Duas semanas após o sequestro de Shari, o homem ligou novamente para a família dela, desta vez os direcionando para a localização do corpo da filha. Os restos mortais da jovem foram encontrados onde ele disse que estaria, mas o corpo estava decomposto demais para determinar a causa da morte.

Enquanto a família de Smith a procurava, a outra família, de Debra, também buscava por sua filha. Helmick estava brincando com seu irmão e sua irmã quando foi arrebatada do jardim da frente de sua casa.

Assim como os Smiths, sua família também recebeu ligações sobre o paradeiro de seu corpo. Ambas as vítimas foram encontradas com a cabeça embrulhada em plástico selado com fita adesiva.

O telefonema suspeito

Embora os telefonemas para as famílias das vítimas não possibilitaram a conclusão sobre um suspeito, a polícia se apegou em uma pista que uma das ligações forneceu: o bilhete de despedida da pequena Shari — que se acredita ter sido escrito pouco antes da morte da jovem.

Os cientistas do FBI examinaram a carta, usando um dispositivo eletrostático especial para identificar os recuos deixados no papel de escritas anteriores. Assim, a polícia encontrou o recuo de um número de telefone incompleto no papel e trabalhou para completar os dígitos restantes.

O número completo foi atribuído ao Arsenal de Redstone, no Alabama. Mais tarde, o FBI determinou que a ligação foi feita de uma empresa e residência próxima de onde os sequestros e assassinatos ocorreram.

Reprodução em preto em branco do bilhete escrito por Shari Faye Smith / Crédito: Divulgação

 

O comércio e a casa estavam ligados a um casal da Carolina do Sul: Ellis e Sharon Sheppard, que disseram que o número de telefone pertencia ao filho deles, que vivia em Huntsville. Eles escreveram o número em um bloco de anotações amarelo para o caso a babá da casa precisassem contactá-los enquanto eles visitavam esse filho fora da cidade — o rapaz foi identificado com Larry Bell.

O bloco de anotações com a marca do número de telefone do Alabama era o mesmo usado para a comovente carta supostamente escrita por Shari. Posteriormente, os Sheppards confirmaram que a voz — gravada em uma das ligações feitas para as famílias das vítimas — era a de Bell. A partir daí, ele passou a ser o principal suspeito.

A condenação do assassino

Uma busca na casa de Bell levou à descoberta de mais evidências que vinculavam o homem de 37 anos ao crime. Com isso, ele foi julgado e, apesar de afirmar sofrer com problemas mentais, foi considerado culpado.

Entre as evidências de seu crime estava a carta e o bloco de notas amarelo, agora apelidado de "documento de Sheppard". Além disso, Bell também era suspeito no desaparecimento de outras duas mulheres. O assassino passou 10 anos no corredor da morte antes de sua execução, em 4 de outubro de 1996.

Seu método de execução foi único. Eletricista de profissão, Bell optou por morrer na cadeira elétrica da Carolina do Sul em vez de uma injeção letal. Ele foi o último prisioneiro da Carolina do Sul a ser executado por eletrocussão —  até a morte de James Neil Tucker, em 2004.


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