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Leopoldina de Bragança, a filha de Dom Pedro II que deu origem à disputa pelo trono

Após renunciar ao título de princesa do Brasil, a aristocrata deu origem ao ramo de Saxe-Coburgo e Bragança contra a herança da Princesa Isabel

André Nogueira Publicado em 26/05/2020, às 08h00 - Atualizado às 11h00

Leopoldina de Bragança
Leopoldina de Bragança - Wikimedia Commons

Dona Leopoldina de Bragança e Bourbon, filha de Dom Pedro II com a esposa Teresa Cristina, foi uma princesa brasileira e, depois, duquesa germânica conhecida por sua proximidade com a Princesa Isabel e por ser pretendente ao trono, em disputa com a irmã.

Leopoldina deixou de ser princesa brasileira após casar-se com Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota, príncipe alemão que a levou para a Europa como Duquesa de Saxe, o que a fez renunciar os títulos americanos. Ela era a segunda na linha de sucessão de D. Pedro, num cenário em que as filhas do imperador não tinham herdeiros homens.

Ela nasceu em 1847, no Palácio de São Cristóvão, sendo neta de dois importantes imperadores. Recebeu o nome em homenagem à avó, rainha de origem austríaca. Filha do monarca ilustrado brasileiro, ela começou a ter aulas desde bem cedo, no objetivo de, assim como as irmãs, ser uma mulher culta e independente. Então, passou a ser instruída pela Condessa de Barral, amante de Pedro II.

Leopoldina, Luís Augusto e o filho Pedro / Crédito: Wikimedia Commons

 

Assim como o pai, ela recebeu instrução de diversos professores qualificados, num sistema de educação particular fortemente vigiado pelo imperador, que se preocupava com a cultura da família. Passava quase o dia inteiro estudando, em seis dos sete dias da semana. Altamente controlada, ela só recebia visitas nos domingos, dias também reservados para festividades e cerimônias.

Ela, então, ficou versada nas mais diversas línguas e áreas do conhecimento, como álgebra, astronomia, desenho, filosofia, mineralogia, botânica, música e muitas outras. Na adolescência, já falava os principais idiomas da Europa, possibilitando uma série de influências da nobreza.

Então, em 1864, Pedro pediu para que a irmã, dona Francisca, princesa de Joinville, guiasse uma expedição à Europa para que se encontrasse um consorte digno para a filha. Então, mapearam-se propostas de casamentos arranjados com o duque de Penthièvre e o filho de Leopoldo I da Bélgica, Felipe, Conde de Flandres. Naquele mesmo ano, D. Pedro anunciou ao Parlamento que sua filha se casaria (mesmo sem apontar o nome do pretendente).

Ambos os nomes cogitados recusaram os convites do governo brasileiro, o que levou à lista de segundas opções: o Conde D’Eu e Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota. A princípio, o primeiro seria destinado à pretendente do trono, Isabel, e o segundo à caçula. Porém, D. Pedro II decidiu consultar as filhas para que as decisões fossem tomadas.

Os príncipes viajaram ao Brasil, para que conhecessem as filhas do Imperador. Com os encontros, percebeu-se que as afetividades guiavam a uma inversão do plano original, e Luís Augusto se tornou pretendente de Leopoldina de Bragança. Negociações entre a o Brasil e o Ducado de Saxe-Coburgo-Gota estabeleceram que o casal manter-se-ia no país até que fosse oficial que a princesa não seria herdeira do trono, em benefício de Isabel.

Leopoldina e o marido / Crédito: Wikimedia Commons

 

Casaram-se finalmente em 1864, passando a morar no Rio de Janeiro, numa residência pública onde a princesa teve seus filhos. O local, conhecido como Palácio Leopoldina, era vizinha ao Palácio do pai, na Quinta da Boa Vista. Em 1866, deu à luz a Pedro Augusto, reconhecidamente favorito do Imperador, que sofria com transtornos psicológicos que o levaram a ser internado na Europa.

Leopoldina passou a viver dividida entre a Europa e o Brasil, sempre retornando ao Rio de Janeiro para ter seus filhos, como estabelecia o acordo de seu matrimônio. Somente com seu último filho, Luís Gastão, que ela e o marido decidiram não retornar, cansados dessa dinâmica exaustiva.

A princesa, finamente, abdicou do título de Princesa Brasileira, em nome do casamento com o nobre europeu. Em Viena, Leopoldina passou a sentir fortes febres e dores intestinais, além de manchas na pele e outros sintomas da febre tifoide. Em fevereiro de 1871, os fortes delírios e convulsões já tomavam o dia-a-dia da aristocrata.

Diariamente, a princesa ficava mais fraca e apresentava quadros de prostração. Ao lado da irmã Isabel e do Conde D'Eu, além do marido, passou a sofrer fortes dores com as convulsões, assim como a suar frio e ter alucinações. 

Com apenas 23 anos, Leopoldina de Bragança morreu naquele ano, em sofrimento. Sua sogra,  Clementina de Orléans, escrevera uma carta relatando o trágico acontecimento à princesa de Joinville:

"[...] A noite foi calma, mas pela manhã de terça-feira o peito foi tomado e às 10 horas os médicos declararam que não havia mais esperança, e entretanto eu ainda dela cuidei nesse longo dia passado junto do seu leito, vendo-a tão calma e tão pouco mudada; mas pelas 16 horas a respiração tornou-se mais curta. O abade Blumel recitou a oração dos agonizantes, nós estávamos todos ajoelhados em torno de sua cama, e às 18 horas a respiração cessou, sem que se visse a menor contração de sua fisionomia. Ela estava mesmo bela neste momento, e tinha uma expressão angélica. Agora está deitada num caixão vestida com roupa de seda branca, uma coroa branca e seu véu de casamento na cabeça [...]"

Seus filhos, diante do falecimento e das intrigas pela sucessão do trono brasileiro, que era destinado a Isabel, reivindicaram ao ramo Saxe-Coburgo e Bragança da Casa Imperial (nascido com o casamento dos pais) o poder no Brasil. A defesa de que Pedro Augusto ou Augusto Leopoldo eram os herdeiros presuntivos tivera fim em 1889, quando a monarquia foi abolida no Brasil.


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