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Matérias / Crimes

Lisanne Froon e Kris Kremers: Vítimas de serial killer, canibalismo ou tráfico?

Em 2014, estudantes holandesas desapareceram no Panamá após iniciarem uma trilha; meses depois, autoridades encontraram fragmentos de ossos e fotos perturbadoras

Fabio Previdelli

por Fabio Previdelli

fprevidelli_colab@caras.com.br

Publicado em 05/08/2023, às 15h00

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Lisanne Froon e Kris Kremers - Arquivo Pessoal
Lisanne Froon e Kris Kremers - Arquivo Pessoal

As estudantes holandesas Kris Kremers e Lisanne Froondesapareceram de forma misteriosa em 1º de abril de 2014, enquanto faziam a trilha turística de El Pianista, no Panamá — ao redor do vulcão Baru, no distrito de Boquete, ao norte da província de Chiriqui. 

Partes de seus restos mortais só foram encontrados meses depois, em condições brutais; por conta disso, a causa da morte das turistas jamais foi esclarecida — o que levantou inúmeras teorias: teriam sido vítimas de canibalismo, assassinadas por um serial killer ou tiveram parte de seus corpos retirados para o tráfico de órgãos

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Duas jovens

Criadas na cidade de Amersfoort, em Utrecht, na Holanda, Kris Kremers, de 21 anos, foi descrita como uma jovem criativa, sociável e muito responsável que havia concluído seus estudos em educação social cultural, especializando-se em educação artística; já Lisanne Froon, de 22, era vista como otimista, inteligente e apaixonada por jogar vôlei, tendo se formado em psicologia aplicada. 

A amizade era tamanha que, ainda na Holanda, as duas passaram a dividir um dormitório e trabalhavam juntas no mesmo restaurante. Durante alguns meses, as jovens economizaram dinheiro para uma viagem de seis semanas ao Panamá, onde esperavam aprender espanhol, se voluntariar para ajudarem crianças e, principalmente, celebrar a formatura de Froon

Lisanne Froon e Kris Kremers/ Crédito: Dutch Police

O desembarque no país da América Central aconteceu em 15 de março de 2014. Por lá, viajaram por duas semanas como parte de um programa de turismo antes de chegarem em Boquete, no dia 29 de março, onde foram acolhidas por uma família local — enquanto fariam seu voluntariado com crianças. 

Até aquele ponto, a viagem era deslumbrante: as amigas aproveitavam da melhor forma possível todo o roteiro turístico, conhecendo praias e bares, tirando diversas fotos e, principalmente, experimentando a culinária local. 

O trabalho voluntário das jovens estava marcado para começar dia 1º de abril, mas as atividades foram adidas em uma semana. Com o tempo livre, decidiram explorar a nova cidade.

O desaparecimento

No dia 1º de abril, por volta das 11 horas da manhã do horário local, Kris e Lisanne decidiram fazer a trilha de El Pianista — uma caminhada perto das florestas que cercavam o vulcão Baru. No entanto, não dispunham do auxílio do guia local, que só estaria disponível no dia seguinte. 

Testemunhas apontam que a dupla partiu mata adentro apenas com a companhia do cachorro da família anfitriã, chamado Blue. Segundo o DutchNews, antes de iniciarem, elas postaram em suas redes sociais que visitariam uma vila local e que, pouco mais cedo, haviam participado de um brunch com dois colegas holandeses. 

Lisanne Froon e Kris Kremers/ Crédito: Arquivo Pessoal

Naquela noite, a família que hospedava as turistas notou que algo estava errado: afinal, Blue havia retornado são e salvo, mas sozinho. Kremers e Froon não foram vistas nas proximidades. Ainda assim, seus anfitriões esperaram até a manhã seguinte para alertar as autoridades — visto que elas poderiam ter partido para aproveitar a cidade. 

Na manhã seguinte, reportou o veículo local NRC, as holandesas perderam um encontro com um guia local que as levaria em um passeio privado por Boquete. Começava ali o grande mistério sobre o paradeiro das jovens. No dia 3 de abril, a polícia e residentes começaram as buscas pela dupla. 

Sem pistas, os familiares de Kris Kremers e Lisanne Froon desembarcaram no Panamá em 6 de abril, acompanhados de detetives particulares — que durante 10 dias vasculharam a região de floresta com o auxílio de unidades caninas. Uma recompensa de 30 mil dólares foi colocado por qualquer ajuda que levasse ao paradeiro das jovens. 

As evidências macabras

Após 10 semanas do sumiço de Kremers e Froon, as buscas já acompanhavam um ritmo mais calmo e a esperança de encontrá-las com vida já diminuía. No dia 14 de junho, uma mulher alegou ter encontrado uma mochila azul em um arrozal ao longo das margens do rio — evidência que ela disse não ter visto por lá no dia anterior. 

A mochila azul que foi encontrada/ Crédito: Reprodução

Dentro da mochila haviam dois pares de óculos de sol, uma câmera fotográfica, 83 dólares, o passaporte de Lisanne, uma garrafa de água, dois sutiãs e os aparelhos celulares das mulheres — todos os itens estavam secos e em perfeito estado.

Uma análise nos aparelhos telefônicos mostrou que, cerca de seis horas após o início da caminhada, alguém discou 112 (número de emergência internacional usado na Holanda) e 9-1-1 (número de emergência no Panamá), cita o The Daily Beast. 

A primeira tentativa de chamada de socorro foi feita pelo iPhone 4 de Kremers às 16h39; logo em seguida, outra tentativa foi feita com o Samsung Galaxy S III de Froon às 16h51. Nenhuma das 77 chamadas de emergência foi completada devido à falta de sinal da região. 

A bateria do telefone de Lisanne teria acabado por volta das 5 horas da manhã do 5 de abril e nunca mais foi ligado; já o iPhone de Kris se manteve ativo até o dia 11 de abril, às 11h56 da manhã — um fato que chama a atenção é que inúmeras tentativas malsucedidas foram feitas para desbloquear o aparelho com um número PIN errado. 

Um fato mais perturbador foi constatado no rolo de fotos da câmera fotográfica de Froon, que continha 90 fotos tiradas com flash no meio da selva em um cenário de quase escuridão total — entre 1h e 4h da manhã de 8 de abril. Portanto, nunca foi possível identificar o local ou qual cenário elas planejavam registrar. 

Uma das fotos encontradas na câmera/ Crédito: Arquivo Pessoal

Algumas fotos mostram que elas possivelmente estavam perto de um rio ou de uma ravina. Mas apenas três registros eram mais reveladores: o primeiro de um galho com sacolas plásticas em cima de uma pedra; outro mostrava o que parece ser a alça de mochila e um espelho em outra pedra. 

Já a terceira foto, aponta La Estrella de Panamá, aparentava ser a parte de trás da cabeça de Kris Kremers com sangue vazando de sua têmpora.

Os restos mortais e as teorias

Com as novas pistas, as equipes de busca ampliaram a área de procura ao longo do rio Culubre; onde algumas peças de roupas de Kremers — cuidadosamente dobradas — foram encontradas no topo de uma rocha na margem oposta do afluente, a poucos quilômetros de onde a mochila de Froon foi localizada.

Dois meses depois, a polícia descobriu 33 fragmentos de ossos amplamente espalhados, o pedaço de uma pélvis e uma bota com o pé de Lisanne ainda dentro dela — tudo isso estava perto do local onde a mochila foi vista. 

Os ossos de Lisanne Froon pareciam ter se decomposto naturalmente, visto haver pedaços de carne presos a ele; como se tivessem sido triturados. Mas os restos mortais de Kris Kremers estavam totalmente limpos e brancos; o que em condições normais aconteceria apenas após dois anos de decomposição, aponta o The Daily Beast. 

A polícia questionou os moradores, guias turísticos e outros caminhantes que estavam na área no momento, mas nada além das fotos e registros de chamadas forneceu evidências sobre o que havia acontecido. Não havia provas suficientes para determinar a causa da morte.

Foto encontrada na câmera/ Crédito: Arquivo Pessoal

Até hoje, o desaparecimento e as mortes de Kris Kremers e Lisanne Froon permanecem um mistério angustiante. A única certeza é que elas não foram vítimas de animais predadores da região. 

Com isso, surgiram especulações que as jovens podem ter sido vítimas de canibalismo, tráfico de órgãos ou até de um suposto serial killer que ataca na região — visto que, em 2017, uma jovem estadunidense, Catherine Johannet, de 23 anos, foi estrangulada e morta na região.

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