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Mima Renard, a imigrante francesa acusada de bruxaria no Brasil

Considerada bonita demais, a jovem foi condenada por lançar supostos feitiços nos homens da vila, a fim de atraí-los

Pamela Malva Publicado em 11/08/2020, às 16h00

Imagem meramente ilustrativa de utensílios comumente usados na bruxaria
Imagem meramente ilustrativa de utensílios comumente usados na bruxaria - Divulgação/Pixabay

Entre 1692 e 1693, centenas de mulheres de Salém sofreram com o preconceito de uma sociedade conservadora, que enxergava diferenças como bruxaria. A cor do cabelo, o gosto por animais e até mesmo uma verruga representavam pena de morte.

Na época da Caça às bruxas, não bastava seguir os padrões, era necessário provar sua índole. Os inquisidores violentos, então, afogavam mulheres em lagos, queimavam partes de seus corpos e constrangiam damas de todas as idades.

Até ser solteira era um afronte, já que uma jovem respeitável deveria dedicar sua vida ao marido. Tais costumes e conceitos, no entanto, não faziam parte apenas da comunidade de Salém: mulheres também foram acusadas de feitiçaria no Brasil.

O número de damas vítimas da Caça às bruxas brasileira aumentava a cada dia naqueles anos de perseguição e o panorama não parecia melhorar. Dona de uma beleza intensa, Mima Renard foi mais uma das muitas condenadas pela caçada autoritária.

Imagem meramente ilustrativa de julgamento em Salem / Crédito: Wikimedia Commons

 

Além do mar

Muita coisa sobre o passado de Mima ainda permanece um mistério, já que sua história só passou a ser fortemente documentada após as primeiras suspeitas de bruxaria. Sabe-se, no entanto, o que motivou sua vinda para o Brasil.

Nascida na França, a jovem tinha um rosto delicado, que era emoldurado pelos seus cabelos sedosos e bem penteados. Ela sabia se portar em público e, junto de sua beleza avassaladora, sabia usar sua personalidade para conseguir tudo o que queria.

Assim, já na idade adulta, conheceu e se casou com um belo pretendente chamado René. Juntos, o casal apaixonado logo tratou de se mudar para o Brasil. Como imigrantes, eles foram direto até a terra das oportunidades: a Vila de São Paulo.

Imagem meramente ilustrativa de um dos testes feitos em acusadas de bruxaria / Crédito: Divulgação/Youtube

 

De braços abertos

Uma vez instalados, René e Mima chamaram atenção de toda a comunidade, principalmente por se tratarem de um belo e jovem casal recém-chegado de terras estrangeiras. Eles eram interessantes demais para escaparem dos brutais boatos da época.

Tudo piorou, contudo, quando as mulheres da vizinhança começaram a prestar atenção no rosto angelical de Mima. A jovem forasteira logo se tornou uma ameaça: ela era tão bonita que, apesar de casada, tinha uma fila de pretendentes ao seu dispor.

Companheiro de uma jovem tão bela e cobiçada, René logo se tornou alvo de diversas agressões e, segundo relatos da época, acabou morto por um homem que estava interessado em Mima. De repente, a jovem viu-se sozinha, viúva e sem amor.

Mulher acusada de bruxaria sendo colocada na forca / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Uma vila cruel

Sem nunca ter levantado a mão para trabalhar, Mima não teve outra opção a não ser começar a se prostituir para sobreviver. Seu corpo era seu bem mais precioso, mas a linda dama precisava se alimentar, precisava de um teto para morar.

Não demorou muito para que o serviço já mal visto da jovem se tornasse sua ruína. Outras mulheres de São Paulo começaram a duvidar da índole de Mima e, assim, as primeiras acusações de bruxaria foram feitas.

Na época, a comunidade enxergou em Mima uma mulher ardilosa que, através de bruxaria e ocultismo, atraía os homens para a sua armadilha. Para elas era mais do que óbvio: Mima jogava feitiços em todos os pretendentes da vila.

Mulheres acusadas de bruxaria na fogueira / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Corte impiedosa

O caso da jovem bruxa se espalhou rapidamente, assim como os boatos a seu respeito, e Mima logo se tornou um dos nomes mais conhecidos na Caça às bruxas brasileiras. Nesse momento, ela imaginava que as coisas não poderiam piorar.

Sozinha e inocente, é claro, ela estava errada. Um dia, dois dos clientes de Mima, ambos casados, entraram em conflito. Da briga, um deles saiu sem vida e foi a jovem quem levou a culpa pelo assassinato, sendo denunciada pelo crime.

Acusada de bruxaria, Mima Renard foi levada até a paróquia local, onde foi julgada e condenada por supostos atos de bruxaria. No ano de 1692, então, ela foi executada em uma fogueira pública, na mesma Vila de São Paulo que a recebeu tão bem de início.


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