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Morto em 1812 e encontrado em 2019: o esqueleto de Charles-Etienne Gudin, general de Napoleão

A busca pelos restos mortais de Gudin resultou em uma das descobertas arqueológicas mais impressionantes da História

Giovanna Gomes Publicado em 13/12/2020, às 09h00

Gudin (à esqu.) e os restos mortais (à dir.)
Gudin (à esqu.) e os restos mortais (à dir.) - Wikimedia Commons - Divulgação/Pierre Malinowski

Recentemente, uma equipe de pesquisadores anunciou uma grande descoberta arqueológica. Foram encontrados os restos mortais do aristocrata Charles-Étienne Gudin, veterano das guerras revolucionárias que se deram na França entre os séculos 18 e 19.

De acordo com os historiadores, ele teria sido um dos generais favoritos de Napoleão Bonaparte, tendo frequentado a mesma escola militar que o imperador francês.

Prestígio

O general contava com tamanho prestígio, que um busto em sua homenagem reside no Palácio de Versalhes e seu nome foi registrado no Arco do Triunfo, em Paris. Além disso, há ainda uma rua com o seu nome na capital do país.

Busto de Gudin/ Crédito: Wikimedia Commons

 

Integrou o Grande Armée (Grande Exército) de Napoleão, que chegou a contar com 400.000 homens, era considerado imbatível. No entanto, apesar de inicialmente ter capturado Moscou após a retirada do exército russo durante um inverno rigoroso, o imperador percebeu que suas tropas também não poderiam continuar. Assim, a invasão teve fim de maneira desastrosa naquele ano.

Em uma carta em que jurava explodir o Kremlin, Napoleão declarou que seu exército havia sido devastado por doenças, frio e fome e que muitos cavalos também estariam morrendo.

E foi no caos que Gudin acabou sendo atingido por uma bala de canhão perto da cidade de Smolensk, quando tinha 44 anos. Como consequência, uma de suas pernas teve de ser amputada e o general acabou morrendo três dias depois, em 22 de agosto, de gangrena.

Conforme divulgado pela Reuters no ano passado, o exército francês removeu seu coração e o enterrou em uma capela no cemitério Père Lachaise de Paris.

Contudo, o paradeiro dos restos mortais do combatente representavam um mistério que intrigava pesquisadores. Talvez tenha sido essa dúvida que resultou em uma grande descoberta, mais de 200 anos após a morte de Charles. 

Napoleão Bonaparte/ Crédito: Wikimedia Commons

 

Restos mortais

A busca pelos restos mortais foi liderada pelo historiador Pierre Malinowski em maio de 2019.  Financiada por Malinovsky, também foi aprovada pelo presidente russo Vladimir Putin.

As escavações /Crédito - Pierre Malinowski

 

Para chegar a grande descoberta foram utilizadas memórias de Louis-Nicolas Davout, outro general francês responsável pelo funeral de Gudin e que descreveu o local. 

Depois, os pesquisadores seguiram outro relato, que os encaminhou para um caixão. Foi um tiro certo: o esqueleto acabou sendo encontrado em julho do mesmo ano sob uma antiga pista de dança no parque da cidade de Smolensk.

Mas como foi possível definir que aquele era o favorito do general?

Bom, registros históricos indicam que as lesões de Gudin no campo de batalha levaram à amputação de sua perna esquerda e a danos adicionais na perna direita. Os restos mortais são consistentes com esses ferimentos.

O local da descoberta /Crédito - Divulgação

 

Contudo, os pesquisadores precisavam de mais dados para dar a descoberta como certa, o que foi possível diante de análises de DNA.

Conforme anunciou o jornal francês Le Point no ano passado, o DNA do esqueleto coincidiu com os restos mortais da mãe do oficial e de seu filho, Charles Gabriel César Gudin. 

Já em novembro de 2019, Malinowski afirmou que os testes de DNA dos restos mortais encontrados na Rússia eram semelhantes aos do também general Pierre-César Gudin, irmão de Charles-Etienne Gudin. "O DNA se encaixa 100%", disse o historiador à emissora France Bleu. "Não há mais dúvidas." 

"Assim que vi o esqueleto com apenas uma perna, soube que tínhamos nosso homem", afirmou Marina Nesterova, chefe da equipe arqueológica. 

Esqueleto do general Charles Etienne Gudin - AFP/Getty Images

 

Para Malinovsky, a descoberta foi resultado de uma longa busca. "Esse é um momento histórico não só para mim, mas também para os dois países", disse se referindo à França e à Rússia. "Napoleão foi uma das últimas pessoas a vê-lo vivo, o que é muito importante, e ele é o primeiro general do período napoleônico que encontramos".


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