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Morto há 200 anos: a peculiar história do 'vampiro' encontrado há 30 anos

Um túmulo com um esqueleto, no mínimo, bizarro, foi localizado nos Estado Unidos na década de 90 — e trouxe à tona uma história curiosa do século 18

Alana Sousa Publicado em 13/12/2020, às 08h00

Cena do filme The Brides of Dracula (1960)
Cena do filme The Brides of Dracula (1960) - Divulgação/Universal International

Presentes em livros, filmes e séries, a crença em criaturas mitológicas muitas vezes escapam da ficção para a realidade. Um dos exemplos mais marcantes disso é o medo de vampiros, que supostamente assombram a humanidade há séculos.

Desde a Idade Média, figuras como a de Vlad, o Empalador ficaram marcadas como cruéis sugadoras de sangue; e, a onda de terror se espalhou por diferentes partes do mundo. Na Nova Inglaterra, região dos Estados Unidos que engloba dos estados do Maine, Nova Hampshire, Vermont, Connecticut, Massachusetts e Rhode Island, não foi diferente.

No início do século 19, há mais de 200 anos, especialmente as populações de Connecticut e Rhode Island sofriam com o surto da tuberculose, o que causou uma alta na disseminação do mito dos vampiros. Pessoas eram acusadas e mortas pelo temor de que pudessem ser o maligno ser das trevas, que levantariam de seus caixões para espalhar a temida doença entre os vivos.

Esqueleto de John Barber / Crédito: Divulgação/Michael E. Ruane

 

Este foi o caso de um homem que morreu em 1800, identificado posteriormente por especialistas como John Barber. Há 30 anos, um túmulo bizarro foi encontrado em Griswold, Connecticut, nele estava os restos do que aparentava ser um homem. Análises iniciais do laboratório de DNA do Armed Forces Medical Examiner System em Dover mostraram que ele havia morrido de tuberculose e enterrado rapidamente. Porém, tempos depois, seu cadáver fora submetido a um estranho ritual.

Sua cabeça foi retirada de seu corpo, o resto dos membros haviam sido realocados sob as costelas, a clavícula estava quebrada, e seus dentes da frente não estavam no caixão. Em geral, a figura mostrava uma caveira com ossos cruzados.

Vampiro de Connecticut

Mesmo que inusitada, a ação era uma forma de prevenir que Barber levantasse do túmulo e infectasse outro humano com a tuberculose. Como explica o autor e folclorista, Michael E. Bell, as vítimas da doença ficavam bastante magras e pálidas, sendo muito comum que suas tosses fossem repletas de sangue, o que fazia com que suas bocas ficassem manchadas de vermelho. Assim, alimentando a lenda dos vampiros e o pavor em uma sociedade ainda, de certo modo, com informações escassas.

A sepultura, encontrada mais de cem anos após a morte do homem, trouxe à tona o tema que, por vezes, é esquecido. Estudiosos liderados por Charla Marshall, da SNA International em Alexandria, Virginia, tentaram mostrar quem era John Barber — muito além do suposto “vampiro”.

A verdade sobre John Barber

O estudo, publicado em agosto de 2019, teve como o primeiro desafio encontrar o nome do túmulo, cujo a inscrição marcava apenas JB 55. Ainda que pareça bizarro hoje em dia, há 80 casos documentados em zonas rurais da Nova Inglaterra de famílias que pediram a exumação de parentes, em muitas situações até mesmo o coração do falecido era queimado.

Ossada do suposto vampiro / Crédito: Divulgação

 

Após localizarem um fazendeiro que vivia na região, nomeado John Barber, os cientistas passaram a estudar o caso a partir de relatórios da década de 1990, quando o caixão foi descoberto.

“Os ossos do tórax foram rompidos e os ossos do crânio e da coxa foram colocados em uma posição de crânio e ossos cruzados”, escrevera Paul S. Sledzik e Nicholas F. Bellantoni, em 1994. Sobre o coração, não se tem informações de seu paradeiro, no entanto, é improvável que ele tenha sido carbonizado.

O projeto, que reviveu o surto vampiresco dos EUA, mostrou que Barber também tinha um filho, enterrado em uma cova do mesmo cemitério. Pode parecer brutal a ideia de exumar um corpo e deformar a ossada, mas Bellantoni explica que o motivo era genuíno.

“As pessoas estavam morrendo em suas famílias e não tinham como impedir, e talvez fosse isso que pudesse impedir as mortes. Eles não queriam fazer isso, mas eles queriam proteger aqueles que ainda estavam vivos.”

“A testa coberta de gotas de suor. As bochechas...um vermelho lívido. Os olhos afundaram... A respiração ofensiva, rápida e trabalhosa”, as palavras que foram relatadas por um médico do século 18 poderiam ter saído de um script de um filme de Hollywood, mostram que aquelas pessoas tratavam a tuberculose com nada mais que o medo da morte.


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