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Matérias / Independência do Brasil

As mulheres que tiveram extrema importância para a Independência do Brasil

Nas comemorações do bicentenário da Independência, enaltecer as forças femininas durante o período vira livro e podcast

Izabel Duva Rapoport Publicado em 04/09/2022, às 08h00 - Atualizado em 05/09/2023, às 16h23

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Montagem de Leopoldina com Maria Quitéria - Domínio Público / Wikimedia Commons
Montagem de Leopoldina com Maria Quitéria - Domínio Público / Wikimedia Commons

Ao se debruçar na história da Independência do Brasil à procura da atuação feminina nos acontecimentos políticos de 1822, depara-se, sim, com mulheres. Algumas, como Maria Leopoldina e Maria Quitéria, não caíram no anonimato como outras tantas, porém, mesmo elas não foram reconhecidas ao longo dos últimos 200 anos.

Para resgatá-las e trazer à tona outras biografias femininas que desempenharam papel importante na luta e no processo de libertação do país, a historiadora e idealizadora do projeto, Heloísa Starling, e a roteirista Antonia Pellegrino lançam o livro 'Independência do Brasil – As Mulheres Que Estavam Lá' (Editora Bazar do Tempo). No ano passado, a revista Aventuras na História conversou com as autoras.

Como foi a participação feminina nas lutas pela separação do Brasil de Portugal?

Seja no Brasil colonial ou na Europa, os usos e costumes do final do século 18 e da primeira metade do século 19 não recomendavam às mulheres se arriscarem para fora da esfera doméstica; se fosse o caso de tentar, elas podiam até ganhar a vida como próprio trabalho, sustentar maridos ou, na Europa, manter salões ilustrados.

Mas de jeito nenhum deveriam reivindicar participação política. Isso era proibido. Havia mulheres, contudo, decididas a governar a própria vida, que ameaçavam as convenções morais e sociais estabelecidas e dispostas a desafiar o mundo proibido da participação política.

Também levaram a sério um projeto de Independência para o Brasil. Viveram esse projeto de maneiras diferentes, partiram de patamares sociais desiguais, e atuaram de forma diversa: algumas dessas mulheres empunharam armas, outras se engajaram no ativismo político. Mas todas elas recusaram o lugar subalterno que lhes era reservado.

Essa participação atingiu todas as classes sociais e regiões do país?

Sim, o livro tem histórias quase passam em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Ceará... ou seja, as mulheres estiveram no "front" em todo o Brasil.

A obra retrata a atuação de mulheres pouco reconhecidas, como Maria Quitéria e Leopoldina, e de outras ainda bem desconhecidas. Por que essas histórias ficaram tanto tempo esquecidas?

Algumas destas personagens são nomes de ruas, praças e monumentos. Ou seja, não ficaram exatamente esquecidas, mas ficaram obscurecidas. Apagadas nas sombras do tempo. O que estamos fazendo agora é lançar luz sobre este conjunto de sete mulheres que fizeram, há 200 anos, o que, até hoje, é o mais proibido para a mulher: se meter com política.

Entre os relatos do livro, há a luta de uma menina de 10 anos de idade. Quem foi ela e o que ela fez?

Um panfleto foi composto, em versos, na cidade de Salvador, em 1822. Chama-se “Lamentos de uma Baiana”. Escrito por uma menina de 10 anos, nos dias 19, 20 e 21 de fevereiro de 1822. Seus versos inflamados contra a tirania da Coroa Portuguesa estão incluídos na história.

Sabemos que faz parte da sequência de acontecimentos que tecem a Independência e temos acesso direto a ele. Mérito do trabalho notável de reunião e análise dos panfletos da Independência, realizado pelos historiadores Marcello Basille, Lúcia Bastos e José Murilo de Carvalho, e publicado pela Editora UFMG, em 2014. Mas sobre a sua autora pesa um enorme silêncio.

Não sabíamos nada sobre ela – até a historiadora Patrícia Valim mergulhar em arquivos para retirá-la do esquecimento. O esquecimento é portador do silêncio, da indiferença e da obscuridade. Esconder-se ou esconder algo no esquecimento: o verbo esquecer, emprego, é ambíguo “eu me esqueço” pode ser entendido também como “eu me escondo”. A autora do panfleto – a jovem mulher que fala na cena pública – ficou escondida, permaneceu fora do relato que a história faz da Independência por 200 anos até aqui. Seu apagamento acaba nas páginas deste livro. 

Indo além da atuação pela Independência, vocês notaram algo em comum entre essas mulheres?

Elas têm em comum o fato de serem mulheres pioneiras, de terem se insurgido contra as regras do seu tempo. E várias delas gostam de botânica. Nossa hipótese é que o espaço da natureza era um espaço de reflexão.

Que lições podemos aprender com elas 200 anos depois? Ou qual a importância de trazê-las à tona em pleno século 21?

Em 2022, o Brasil vive um tempo sombrio e existe risco real para a democracia no país. Convocar a força dessas mulheres e conferir permanência à ação política que elas realizaram para mostrar onde estão fincadas as raízes das ideias de liberdade, soberania e república entre nós pode nos dizer muita coisa sobre o brasileiro – e a brasileira – que um dia já fomos – ou poderíamos ser.

Por isso que nos mobilizamos com o propósito de chamar de volta ao coração as nossas heroínas pioneiras, para criar uma jornada comemorativa destes 200 anos por meio de um podcast, um livro e um festival com debates e exposição. Se comemorar é recordar junto, é preciso que, nestes 200 anos de Independência do Brasil, a aparição das mulheres no mundo público finalmente se faça História.


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