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O tétrico caso de Emilie Sagée, a professora que esteve em dois lugares ao mesmo tempo

O acontecimento, por mais que assustador, pode ter duas explicações: o fenômeno da bilocação, ou a teoria dos Doppelgangers

Pamela Malva Publicado em 21/12/2019, às 09h00

Doppelgänger 1, pintura de Sebastian Bieniek
Doppelgänger 1, pintura de Sebastian Bieniek - Wikimedia Commons

Enquanto a professora escrevia no quadro negro o que seria estudado no dia, as alunas do Pensionato von Neuwelcke para meninas prestavam atenção em todos os seus movimentos. Emilie Sagée, de 32 anos, riscava a superfície da lousa com sua letra cursiva e um giz branco. De repente, as 13 alunas presentes na sala de aula perceberam algo bizarro. Outra pessoa surgiu ao lado da senhorita Sagée — uma mulher idêntica a ela, imitando todos os seus movimentos, mas sem qualquer giz em mãos.

Imediatamente, as meninas ficaram assustadas e chamaram a atenção de Emilie — ao se virar, a jovem professora não viu nada. Em outra ocasião, as meninas identificaram a mesma pessoa, igual a professora de francês, parada na frente da sala de aula, enquanto a Sagée de carne e osso andava nos jardins da escola na Letônia.

O caso, ocorrido em 1845, parece estranho para aqueles que nunca ouviram falar em Doppelganger ou no fenômeno da bilocação. Mas, de acordo com essas duas teorias, o que aconteceu com a professora, na verdade, tem uma explicação.

Gêmeo mau

Proveniente do alemão, a palavra Doppelganger (“doppel”, duplo e “ganger”, que anda), se refere ao fantasma de uma pessoa viva e está diretamente associada à teoria do gêmeo mau. Nesse sentido, a teoria do doppelganger defende que um duplo etéreo — composto por uma matéria sutil — assumiria uma aparência idêntica ao do ser físico — de carne e osso.

 How They Met Themselves,  de Dante Gabriel Rossetti / Crédito: Wikimedia Commons

 

Mas, se tais seres realmente existem, por que Emilie Sagée não pôde enxergar seu próprio doppelganger? Segundo a literatura parapsicológica, os gêmeos do mau são compostos por uma matéria tão rarefeita que nossos cinco sentidos não podem ser capazes de percebê-la.

Mesmo assim, o duplo etéreo pertence ao plano físico e, de vez em quando, pode ser visto por algumas pessoas. Segundo estudiosos, o doppelganger teria uma união intrínseca com seu gêmeo físico.

Assim, caso o corpo etéreo sofra alguma dor ou ferimento, tal sentimento iria se refletir no corpo físico — se a cópia de Emilie Sagée caísse no chão, a própria professora sentiria a dor da queda. Ao mesmo tempo, todavia, quanto mais o corpo etéreo existir, mais debilitado o corpo físico fica, como em uma transferência de energia.

Representação de um duplo etéreo em uma fotomontagem, 1887 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Segundo o americano Henry Steel Olcott, fundador da Sociedade Teosófica, a separação entre o gêmeo etéreo e o ser físico pode até levar à morte do sujeito de carne e osso. Ainda mais, a teoria doppelganger está associada ao fenômeno da bilocação — quando alguém está em dois lugares ao mesmo tempo.

De acordo com estudiosos, os duplos etéreos aparecem, em geral, com o intuito de avisar o seus familiares e amigos de tragédias iminentes. Assim, o ser etéreo pode até mesmo plantar ideias maléficas em seus gêmeos físicos.

Casos reais e no cinema

Na cultura pop, os doppelgangers já foram tema de filmes, peças de teatro e obras da literatura. Um dos representantes mais famosos é o Retrato de Dorian Gray, romance do irlandês Oscar Wilde. Os gêmeos maus também foram explorados no filme Pacto Sinistro, de Alfred Hitchcock.

Cena do filme Dorian Gray / Crédito: Momentum Pictures

 

Na vida real, muito longe das telonas, alguns casos de doppelgangers foram relatados na história. O escritor francês Guy de Maupassant, por exemplo, disse ter sido perseguido por seu gêmeo mau, já no final de sua vida. Ele narra que, certa vez, o sósia etéreo teria entrado em seu quarto, sentado a sua frente e começado a ditar tudo que Guy escrevia.

Algo parecido aconteceu com Johann Wolfgang von Goethe. Um dia, o alemão cavalgava por uma estrada e teria visto um homem muito parecido consigo vindo pelo sentido contrário. Anos mais tarde, Goethe cavalgava pela mesma rua, no mesmo sentido que teria visto seu doppelganger. Foi aí que ele percebeu que se vestia exatamente como seu sósia estava no passado.


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