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O mistério das Máscaras de Chumbo: OVNIs, drogas e radioatividade no Brasil

Inúmeras teorias tentam a explicar a morte de dois homens no morro do Vintém, Rio de Janeiro. Entretanto, 53 anos depois o caso continua sem solução

Joseane Pereira Publicado em 28/05/2019, às 11h00

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- Crédito: Reprodução

Era 20 de agosto de 1966, quando um jovem rapaz explorava as encostas do Morro do Vintém, em Niterói-RJ, à procura de um local para empinar sua pipa. Ao atravessar o terreno acidentado, o garoto Jorge da Costa acabou encontrando algo que não esperava: vestindo sobretudos e portando estranhas máscaras feitas de chumbo, dois homens jaziam mortos no chão da colina.

Enigma histórico

O Caso das Máscaras de Chumbo ainda hoje desconcerta a ciência forense por ser um mistério não resolvido. A investigação da polícia identificou os corpos dos técnicos Manoel Pereira da Cruz e Miguel José Viana, da cidade vizinha de Campos dos Goytacazes. A primeira coisa que perceberam foi um item curioso e insólito.

Uma nota, encontrada no bolso de um dos homens, continha as seguintes informações: “16:30 está local determinado. 18h30 ingerir cápsula após o efeito, proteger metais aguardar sinal máscara”. Além do papel, também foram encontradas duas toalhas molhadas e uma garrafa de água vazia.

A carta / Créditos: Reprodução

 

Segundo a reconstituição, Manoel Pereira e Miguel Viana haviam deixado sua cidade natal em 17 de agosto, dizendo às esposas que iam comprar materiais de trabalho em São Paulo. De acordo com uma garçonete local, que trabalhava no bar onde eles compraram água, Miguel parecia muito ansioso e olhava o relógio a todo instante.

Curiosamente, a polícia nunca realizou um exame toxicológico nos corpos dos dois homens, sendo impossível saber se eles realmente ingeriram alguma cápsula estranha. Não havia sinais de violência, nem armas nos arredores.

Por suspeita de que as máscaras, sobretudo e toalhas molhadas revelassem uma tentativa de se proteger contra radiação, os corpos dos dois foram escaneados à procura de material radioativo - que não foi detectado.

Hipóteses

Inúmeras teorias ganharam vida. Alguns afirmam que os homens estavam envolvidos em venda ilegal de material radioativo, tendo sido assassinados por compradores insatisfeitos, enquanto outros – mais conspiratórios – deduzem que os dois seguiam instruções ditadas por extraterrestres, e usaram as máscaras para se proteger da radiação emitida pelas aeronaves.

Entretanto, a teoria mais aceita foi apresentada pelo amigo de um dos falecidos. Ele revelou que os dois homens eram membros de uma seita religiosa científico-espiritualista, envolvida na experimentação de drogas psicodélicas.

Como a morte ocorreu nos anos 60, quando o uso recreativo dessas substâncias estava em alta, é possível que Manoel e Miguel tenham embarcado em uma forte e infeliz viagem psicodélica, no terreno acidentado do Morro do Vintém.