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O homem que realizou o casamento entre Hitler e Eva Braun há 76 anos

Neste dia, em 1945, o tabelião Walter Wagner tornou-se o responsável pela histórica união no misterioso Führerbunker

Pamela Malva Publicado em 29/04/2021, às 09h00

Eva Braun e Adolf Hitler sentados lado a lado
Eva Braun e Adolf Hitler sentados lado a lado - Wikimedia Commons

Em meados da década de 1980, o historiador britânico Ian Sayer visitou uma das muitas vendas de garagem que estava acostumado a frequentar, sempre procurando por mais artefatos. Naquele dia, todavia, ele encontrou algo muito mais valioso do que esperava.

Atraído por tudo aquilo que contava histórias, o estudioso colocou suas mãos em um antigo cartão postal, datado da Segunda Guerra Mundial. Inocente, aquele pedaço de papel carregava uma narrativa que acabou mantida em segredo durante décadas.

Ao lado do amigo, o jornalista britânico Douglas Botting, Ian percebeu que o postal comprado aleatoriamente colocava uma figura inusitada no Führerbunker, o esconderijo de Adolf Hitler no final do conflito. Mais ainda, a carta enviada pelo próprio homem misterioso mostrava que foi ele quem realizou o casamento entre o Führer e Eva Braun.

Um alemão comum

Nascido em Berlim, na Alemanha, o jovem Walter Wagner era apenas um tabelião na época da Segunda Guerra, mas acreditava piamente nas ideias que Hitler defendia. Dessa forma, ele passou a fazer parte do Partido Nazista, em julho de 1931.

Em fevereiro de 1944, o advogado conheceu Cordula Kroepels, com quem se casou no mês seguinte. Naquele mesmo ano, enquanto morava com a mãe em Berlim, a mulher deu à luz o único filho de Walter, o pequeno Michael, no dia 1º de novembro.

Foi sobre a criança que o tabelião escreveu no postal encontrado por Sayer, tantos anos mais tarde. Saudoso, o então membro do Partido Nazista escrevia poucos antes de ser enviado ao Führerbunker, em abril de 1945, com um objetivo especial.

Eva Braun e Hitler posando para foto com seus cachorros / Crédito: Wikimedia Commons

 

Uma tarefa importante

Quando a Guerra já estava em seus últimos suspiros, Adolf Hitlerdecidiu que queria se casar com a mulher que amava. Ainda que o bunker não fosse o lugar mais romântico do mundo, era ali que o Führer trocaria suas alianças com a bela Eva Braun.

Ao seu parceiro de confiança, Joseph Goebbels, então, Hitler fez um pedido bastante específico: encontrar um tabelião que pudesse realizar o matrimônio. Ao pensar em seus compatriotas mais fiéis, o ministro da propaganda selecionou Walter para a tarefa.

Imediatamente após ser localizado por tropas da SS, o tabelião foi retidado de uma batalha em Friedrichstrasse e levado às pressas para o Führerbunker. Sua chegada foi registrada há exatos 76 anos, no dia 28 de abril de 1945.

Casamento silencioso

Uma vez no bunker, Walter percebeu que Hitler e Eva não dispunham dos papéis necessários para a realização do casamento. Dessa forma, o advogado viu-se obrigado a voltar para Pankow, onde reuniu todos os documentos obrigatórios.

Naquele mesmo dia, iniciou-se a cerimônia, com Goebbels e Martin Bormann, o chefe da Chancelaria, como testemunhas. Pouco depois da meia noite, Hitler e Eva realizaram seus votos de casamento e, assim, o Führer assinou o matrimônio com sua amada.

Não demorou muito para que Walter fosse retirado do bunker da mesma forma que havia sido levado até lá: em segredo e com a maior segurança possível. Apesar de ter realizado um dos casamentos mais históricos da humanidade, ele apenas retornou para a frente de batalha, como se nada tivesse acontecido.

Pouco menos de 24 horas depois da cerimônia, no entanto, o tabelião foi atingido na cabeça, durante um conflito na região de Anhalter Bahnhof. Ele morreu ali mesmo, aos 37 anos. Seu corpo, assim como o de vários outros soldados, nunca foi encontrado.

Adolf Hitler e Eva Braun, sua companheira / Crédito: Divulgação

 

A história continua

Décadas mais tarde, o cartão que ele havia escrito para a esposa no dia 30 de março de 1945 foi encontrado por Ian Sayer. No cabeçalho da carta, alguém, que não Walter, havia intitulado o postal como “o Último Cartão”, como o documento passou a ser chamado.

Endereçado para a ilha Frisian de Fohr, onde Cordula viva com o filho de Walter, o postal contava com um selo inconfundível. Utilizado pelos correios na Segunda Guerra Mundial, o adesivo era ornamentado com a efígie do próprio Adolf Hitler.

Durante outros 22 anos, então, o historiador britânico tentou decifrar a caligrafia de Walter, que parecia complexa demais. Quando conseguiu, ele encontrou o nome do filho do tabelião, com quem logo tratou de entrar em contato.

Em 2002, então, Michael Wagner descobriu a verdade sobre seu pai. Ao mesmo tempo, o historiador soube que o postal havia sido retirado da casa de Cordula pela Inteligência Militar Britânica, sendo vendido por um dos soldados 35 anos mais tarde.

Dessa forma, um dos maiores mistérios dos últimos dias da vida de Hitler fora solucionado. Isso porque, antes do livro ‘Hitler e Mulheres’, publicado por Ian Sayer e Douglas Botting em 2004, pouco se sabia sobre Walter Wagner, o homem que realizou o histórico casamento entre o Führer e Eva Braun, que durou cerca de 40 horas.


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