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Matérias / Abuso sexual

O líder evangélico mexicano que se declarou culpado por abuso sexual de menores

Naasón Joaquín García, líder da La Luz del Mundo, se declarou culpado nesta sexta-feira, 3

Redação Publicado em 11/06/2022, às 06h00

Naasón Joaquín García, líder evangélico culpado por denúncias de abuso sexual de menores - Divulgação/YouTube/Noticias Telemundo
Naasón Joaquín García, líder evangélico culpado por denúncias de abuso sexual de menores - Divulgação/YouTube/Noticias Telemundo

Naasón Joaquín García, de 53 anos, era um líder religioso mexicano e terceiro líder da igreja evangélica La Luz del Mundo, sucedendo seu pai e seu avô. Naasón enfrentava há quase três anos uma ação judicial que o acusava de abuso sexual de menores, sendo preso em 2019 no aeroporto de Los Angeles, e tendo seu julgamento realizado a finalizado somente na última semana.

Ao todo, o líder religioso enfrentava cerca de 19 acusações, incluindo estupro, posse de pornografia infantil e tráfico de pessoas, e os crimes teriam sido cometidos de junho de 2015 até junho de 2019.

Inicialmente, Naasón era alvo de 25 denúncias, mas de 2019 para cá houve variações e o número caiu para 19, baseadas em depoimentos de cinco mulheres anônimas, vídeos e conversas em aplicativos de telefone.

Naasón Joaquín García, ex-líder da igreja evangélica La Luz del Mundo
Naasón Joaquín García, ex-líder da igreja evangélica La Luz del Mundo / Divulgação/YouTube/Noticias Telemundo

Além de Naasón, outras três mulheres relacionadas ao ex-líder religioso enfrentam acusações semelhantes: Alondra Ocampo, uma americana de 39 anos, que se declarou culpada e atualmente está detida e sem direito a fiança; Susana Medina Oaxaca, que foi presa junto a Joaquín Garcia no aeroporto de Los Angeles em 2019, e defende ser inocente, tendo sido colocada em liberdade mediante pagamento de fiança; e Azalea Rangel Meléndez, que segue sendo procurada.

O julgamento de Naasón Joaquín García deveria ter acontecido nesta segunda-feira, 6, mas na sexta-feira, 3, ele se declarou culpado e teve sua sentença de 16 anos e 8 meses de prisão atribuída nesta quarta-feira, 8.

La Luz del Mundo

A igreja La Luz del Mundo, uma das maiores igrejas evangélicas a nível internacional, foi fundada por Eusebio Joaquín González — avô do acusado de abuso sexual de menores — em Guadalajara, no México, em abril de 1926. Após Eusebio, o próximo líder da igreja foi seu filho, Samuel Joaquín Flores — pai do acusado — que, após sua morte em 2014, passou a liderança, por fim, para Naasón.

Após assumir a presidência da igreja, Joaquín Garcia foi responsável pela criação de uma estrutura de comunicação em redes sociais que possibilitou que ele alcançasse mais fiéis, segundo a página oficial do movimento, como repercutido pelo g1.

Segundo a Procuradoria Geral da Califórnia, a criação dessa estrutura possibilitou o cometimento dos abusos e outros crimes da acusação.

Sede da igreja La Luz del Mundo em vista aérea
Sede da igreja La Luz del Mundo em vista aérea / Divulgação/YouTube/Nmas

Além disso, a acusação ainda sustenta também que três menores foram convidadas a compor um grupo "especial" — como dito pelos depoimentos das mulheres que o acusaram — que atendiam o líder religioso toda vez que ele ia para Los Angeles. Elas eram convidadas a dançar com pouca roupa nesses atendimentos, além de participar de orgias e posarem nuas.

Naasón vivia em um filme pornô em 90% de seu tempo. E ele podia fazer isso possível porque tinha dinheiro e poder", alegou Sochil Martin, jovem americana que descobriu o escândalo sexual da igreja após servir como recrutadora, em entrevista para a BBC News Mundo, como informado pelo g1.

Influência política

A página oficial da igreja La Luz del Mundo aponta que ela está presente em 58 países e conta com mais de 5 mil fiéis. Elio Masferrer, pesquisador da Escola Nacional de Antropologia e História (ENAH), garante que o grupo religioso sempre esteve próximo ao poder político.

Nos anos 80, a La Luz del Mundo apoiou o Partido Revolucionário Institucional em Jalisco; em 1995, apoiou o Partido da Ação Nacional, grupo conservador que venceu as eleições locais; e entre 2000 e 2018, a igreja apoiou todos os governos federais.