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O M&Ms de 85 mil dólares: o surto que fez o vocalista do Van Halen quebrar um camarim

A extravagância do rockstar fez o episódio ser conhecido como o mais famoso caso de histeria nos backstages — e mudou a visão dos contratantes

Wallacy Ferrari Publicado em 06/05/2020, às 13h24

A banda Van Halen reunida em sessão de fotos
A banda Van Halen reunida em sessão de fotos - Divulgação

Rockstars costumam fazer questão de replicar suas extravagâncias para o âmbito pessoal, principalmente no que se refere a vida profissional. O cantor Prince, por exemplo, costumava solicitar um enfermeiro em seu camarim para aplicar uma injeção de vitamina B-12. Os senhores do AC/DC, por sua vez, exigem aos contratantes três tanques de oxigênio com máscaras, desde a década de 1990.

O pedido de camarim mais famoso de todos os tempos foi o da banda Van Halen. No auge do sucesso durante a transição das décadas de 1970 para 1980, tinham uma lista gigante de pedidos específicos aos contratantes. Os quatro membros do grupo tinham um contrato de 53 páginas, que era passado aos produtores e aos responsáveis do local onde haveria os shows.

Alguns dos pedidos eram simples, como um balde de frutas frescas e uma tábua com queijos de vários tipos. A lista de bebidas continha uma parte para específicas as quentes, que pedia café coado e água continuamente quente para a preparação de chás; e frias, com iogurtes e sucos. Em outro ponto dos papéis, os músicos exigiam um tubo grande de lubrificante, sem especificar seu uso.

Porém, o mais famoso pedido ficava na página 40, onde havia o artigo 126. Com o título “Munchies” — uma expressão na língua inglesa para ‘larica’ — a quarta exigência era um balde contendo a famosa bala colorida de chocolate M&Ms com apenas um aviso ao lado: “Atenção: absolutamente sem nenhum marrom”.

A banda Van Halen em apresentação durante a turnê mundial de 1978 / Créditos: Wikimedia Commons

 

Caso algumas das cláusulas não fossem cumpridas, a banda poderia solicitar o cancelamento imediata apresentação com compensação integral pelos custos de instalação, locomoção e agenda. Nos dois primeiros anos da turnê mundial, tudo ocorreu conforme o planejado e aceito nos termos de uso.

O tal M&M marrom

Em 30 de março de 1980, a banda estava preparada para se apresentar na Universidade de Southern Colorado, em Pueblo, Colorado. David Lee Roth, o pulante vocalista interrompeu seu bom humor ao observar de perto o pedido descumprido: no topo do balde havia um M&M marrom. Foi o suficiente para enlouquecer o cantor.

Em relatos de outros membros da banda, a cena foi cinematográfica: o músico pegou a bala com a ponta dos dedos e a levantou na altura da cabeça, olhando a mesma de pertinho para certificar se estava realmente vendo aquilo. Perguntou aos outros membros: “O que isso na minha frente?” — sem resposta, decidiu ser ainda mais incisivo.

David destruiu a tigela e virou a mesa onde o buffet estava instalado, fazendo os itens caírem ao chão. Com o auxílio de objetos de montagem do palco, destruiu tudo que viu pela frente, desde quadros e espelhos até a porta do camarim. O prejuízo causado pela destruição ficou em US$ 12 mil.

Os gastos para o contratante ficaram ainda maiores graças aos danos dos equipamentos do palco, que danificaram o piso da quadra de basquete, feito com uma manta emborrachada especial para absorver o impacto. O prejuízo total passou de US$ 85 mil dólares, mas foi justificado por David apenas 32 anos depois.

Uma cópia do contrato proposto pela banda, com a exigência destacada com uma seta / Créditos: Divulgação

 

Em entrevista ao National Public Radio, em 2012, ele explicou que a exigência era parte de uma estratégia para identificar se os contratantes realmente haviam lido o contrato para evitar problemas que poderiam pôr a saúde dos músicos e do público em prova. O vocalista havia desenvolvido o projeto de luzes junto aos empresários: “Van Halen foi o primeiro a utilizar 850 lâmpadas de par em uma turnê nacional. Na época, era a maior produção de todos os tempos”.

Assim como se confirmou com o prejuízo da quadra, David provou que era possível saber o rigor dos produtores com o pedido: ”Quando vi os M&Ms marrons na mesa, tinha a garantia que o promotor não havia lido o contrato e teríamos que fazer uma séria verificação de toda a configuração do palco”.


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