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Há 7 anos, o turbulento reinado de Juan Carlos 1º chegava ao fim oficialmente na Espanha

Rei da Espanha por quase 40 anos, o ex-monarca renunciou em 2014 e abandonou o país no ano passado

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 19/06/2021, às 09h00

O ex-rei da Espanha, Juan Carlos 1º
O ex-rei da Espanha, Juan Carlos 1º - Getty Images

Juan Carlos 1º governou a Espanha por quase 40 anos. Durante seu reinado, passou por inúmeros escândalos que fizeram com que o monarca renunciasse ao cargo em junho de 2014, aos 82 anos.

Mas além da renúncia, o ex-rei também comunicou ao mundo em agosto do ano passado que deixaria o país — aquele o qual administrou por quatro décadas. Ao filho, o rei Felipe 6º, escreveu uma carta em que afirmava a “decisão pensada” de sair da Espanha.

"Faz um ano que expressei minha vontade e desejo de deixar de desenvolver atividades institucionais. Agora, guiado pelo convencimento de prestar o melhor serviço aos espanhóis, a suas instituições e a ti como rei, te comunico minha pensada decisão de me mudar neste momento para fora da Espanha", informou ao novo rei, como repercutiu a BBC.

E quais foram os motivos apontados por Juan Carlos que o levaram a tomar tal decisão? Segundo a carta enviada ao filho, “certos acontecimentos da minha vida privada” fizeram com que ele sentisse que deixar o país era a melhor decisão. 

"Com o mesmo afã de serviço a Espanha que inspirou meu reinado e diante da repercussão pública que estão gerando certos acontecimentos da minha vida privada, desejo manifestar a ti minha mais absoluta disponibilidade para contribuir e facilitar o exercício de tuas funções, desde a tranquilidade e sossego que requer tua alta responsabilidade", escreveu.

Escândalos do rei

O ex-rei da Espanha, Juan Carlos 1º / Crédito: Getty Images

 

Em outubro de 2018, foi inaugurada uma linha de trem de 450 quilômetros que ligava Medina e Meca na Arábia Saudita. Uma obra colossal, que colocou um trem de alta velocidade no deserto árabe, cujo contrato custou mais de US$ 7,8 bilhões.

A construção foi feita na Arábia Saudita, mas as empresas responsáveis pela linha de trem eram, em grande parte, espanholas. Em 2011, uma licitação milionária foi feita por um consórcio de companhias da Espanha. Antes disso, porém, as negociações já estavam a todo vapor.

O valor da obra era muito elevado e Juan Carlos 1º, que ainda era rei da Espanha, tinha uma relação muito próxima com o regime saudita. Mas as incertezas sobre a legalidade da construção vieram à tona apenas em 2018.

Naquele ano, foi divulgada uma gravação da empresária Corinna zu Sayn-Wittgenstein, que afirmava ter sido amante do ex-rei na época. O áudio tinha sido gravado há três anos e apontava que o espanhol teria interferido no contrato e guardado dinheiro no exterior.

Pouco tempo depois, investigações começaram a ser feitas por autoridades fiscais da Espanha e Suíça, onde o dinheiro supostamente teria sido escondido. Suspeitava-se que o então rei tinha recebido comissões ilegais do governo saudita durante as negociações do contrato da linha de trem.

O jornal suíço Tribune de Genève foi sucinto em março daquele ano, publicando que "Juan Carlos 1º escondia 100 milhões em Genebra". A publicação afirmava que “entre 2008 e 2012, com o amparo de uma sociedade panamenha e como único beneficiário, o rei emérito confiou em total discrição US$ 100 milhões ao Banco Mirabaud”.

Na reportagem, também relatou-se que "em 2012, Juan Carlos transferiu o que restava de dinheiro, uns US$ 76 milhões (cerca de R$ 404 milhões) para sua antiga amante".

Pouco após a carta escrita por Juan Carlos ter sido divulgada à imprensa, o Palácio de la Zarzuela também informou o paradeiro do ex-rei, que havia comunicado há pouco seu desejo de deixar a Espanha. 

Segundo a sede da monarquia, Juan Carlos “indicou à Casa de Sua Majestade o Rei que comunicasse que, no dia 3 do presente mês de agosto, dirigiu-se aos Emirados Árabes Unidos (EAU), onde permanece atualmente”, conforme divulgado pelo El País.


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