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Os 10 maiores roubos da História

A prática é milenar: tumbas, joias e quadros famosos atiçam a cobiça de ladrões

Álvaro Oppermann Publicado em 18/10/2019, às 08h00

A Duquesa de Devonshire
A Duquesa de Devonshire - Wikimedia Commons

No mundo dos grandes roubos, não são apenas os seres humanos que enchem as mãos com o ouro do vizinho. A roubalheira já incitava brigas e discórdias entre os deuses da mitologia grega. Autólico, filho de Hermes, era conhecido como o Príncipe dos Ladrões: se o pai tinha os pés leves, ele tinha as mãos, chegando até a surrupiar Zeus.

O importante, no entanto, é que ninguém gosta de ladrão, mas muitos bem que se deliciam com uma história de golpes, e suas tramoias mirabolantes. E, já que cada época rouba aquilo que mais lhe é importante, os ladrões acabam com a cara e o feitio do tempo em que nasceram.

Na Idade Média, por exemplo, o fanatismo religioso explicou o furto de corpos de santos da Igreja. Na Renascença, surgiu o mercado negro de arte roubada. Já na Revolução Francesa, época de insurgência popular contra a realeza, o ladrão Cadet Guillot limpou o tesouro de Luís XVI (levando até mesmo a coroa do rei) e nunca foi condenado.

Mas, além dele, outras figuras têm um passado suspeito, como Adam Worth, o criminoso vitoriano que inspirou sir Arthur Conan Doyle na criação do arqui-inimigo de Sherlock Holmes, o Professor Moriarty. Ou ainda Leonardo Notarbartolo, o ladrão do roubo mais high-tech da História.

Dez roubos que marcaram a história.

Golpe à egípcia (1111 a.C)

De acordo com o Museu Britânico, o primeiro ladrão de túmulos processado no Egito foi Amenpanufer, acusado de surrupiar ouro e joias de tumbas de faraós no Vale dos Reis. Seu roubo mais notório foi o da câmara mortuária de Sobekemsaf. "Eu roubei, sim, por força do hábito", teria dito. Para o historiador T.E. Peet, Amenpanufer encobria uma rede de corrupção da nobreza.

Assalto a Herodes (44 a.C)

Rei Herodes / Crédito: Wikimedia Commons

 

Na Judeia, um golpe limpou o cofre do governador Herodes. Hezekiah ben Garon, autor do plano, era líder dos zelotes, o partido extremista judaico. Ele e seu bando ludibriaram a guarnição, disfarçando-se de pastores, e afanaram a carga de prata que estava prometida a Cássio, conspirador no assassinato de Júlio César.

Santo furto (1087)

Uma comitiva da cidade italiana de Bari foi à Ásia Menor com uma missão peculiar: roubar o cadáver de são Nicolau (que gerou a lenda do Papai Noel), patrono da cidade de Mira (na atual Turquia). Os furtos fúnebres fomentaram um lucrativo comércio na Idade Média. Bari se tornou, então, um centro de peregrinação. Mas, para driblar o mandamento "Não roubarás", os juristas católicos criaram um artifício: o furto teria sido, na verdade, um mero translado.

Imbróglio polonês  (1473)

O juízo final / Crédito: Hans Memling

 

A pintura O Juízo Final, de Hans Memling, foi roubada do navio que a transportava dos Países Baixos para Florença quando a embarcação foi rendida pelo capitão Pawel Beneke. Misteriosamente, a obra apareceu na Catedral de Gdansk, na Polônia, gerando um incidente diplomático. O Vaticano mediou a discussão e o quadro permaneceu na Polônia. Foi o primeiro caso ilustre de roubo de arte no Ocidente.

Assalto em Paris (1792)

O diamante mais famoso do mundo, o Hope, tem um passado nebuloso: ele seria, na verdade, o Azul de França, de Maria Antonieta. A joia foi surrupiada por Cadet Guillot, que roubou também a coroa de Carlos Magno. Em 1813, a pedra reapareceu em Londres. Comprada pelo banqueiro Henry Hope, acabou doada ao Museu Smithsoniano.

O livro do demo (1648)

A bíblia do diabo / Crédito: Wikimedia Commons

 

A Bíblia do Diabo foi escrita por um monge beneditino no século 13, que teria feito pacto com o demônio para terminá-la. A história é talvez apócrifa. A bíblia ganhou o apelido, contudo, por causa de uma ilustração do capeta. Com 92 cm de altura, 50 cm de largura e mais de 70 kg, ela foi roubada em Praga durante a Guerra dos Trinta Anos, como um espólio de guerra, por mercenários do rei sueco Karl VIII. Até hoje, a obra permanece na Suécia.

Gênio do Crime (1878)

Numa noite enevoada de Londres, o quadro A Duquesa de Devonshire sumiu da galeria Thomas Agnew & Sons. Foi um roubo de Adam Worth, conhecido na Scotland Yard como Napoleão do Crime. O furto, porém, foi inútil: o retrato da jovem Georgiana Spencer não teve comprador. Em 1901, nos EUA, Worth, já velho e doente, negociou um resgate e o quadro voltou ao mercado.

Sorriso roubado (1911)

Vincenzo Peruggia / Crédito: Wikimedia Commons

 

Disfarçado de funcionário do Louvre, o pintor Vincenzo Peruggia roubou o quadro Monalisa. Entre os suspeitos estavam o pintor Pablo Picasso e o poeta Guillaume Apollinaire – Peruggia só foi descoberto em 1913. Sua motivação era patriótica: queria que a obra voltasse à Itália. A pena de Vincenzo foi leve e os jornais italianos o trataram como herói.

Inimigo nº 1 (1934)

Uma onda de assaltos a bancos varria os Estados Unidos na época. Nenhum gângster é tão famoso quanto John H. Dillinger, o Inimigo Público Nº 1. Depois de fugir da prisão, ele foi acusado de assaltar o Security National Bank, um roubo de 46 mil dólares. O FBI promoveu uma caçada humana a Dillinger, que foi morto a tiros.

Roubo CSI (2003)

Leonardo Notarbartolo e seu grupo / Crédito: Divulgação

 

Uma gangue italiana, chamada Escola de Turim, planejou durante um ano e meio o roubo ao Distrito dos Diamantes de Antuérpia, na Bélgica. Leonardo Notarbartolo e seu grupo estudaram a planta do local, clonaram chaves eletrônicas e descobriram como passar despercebidos. O bando limpou 123 dos 160 cofres, contendo o equivalente a US$ 100 milhões em pedras.


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