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De Francisco Ferdinando a John Kennedy: os 8 maiores assassinatos políticos do século 20

A radicalização ideológica abriu caminho para a aniquilação de reis, czares e imperadores

Reinaldo José Lopes Publicado em 23/09/2019, às 08h00

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1. John Kennedy 

Em plena campanha para a reeleição, o ex-presidente e a ex-primeira-dama dos Estados Unidos desfilavam em carro aberto pelas ruas de Dallas, no Texas, cercados por uma multidão que os aclamava.

O perigo, no entanto, veio do alto de um dos prédios circundantes: tiros que acertaram em cheio a cabeça de John Kennedy, com 46 anos. As tevês de todo o mundo reprisaram à exaustão, nos últimos 30 anos, a tentativa desesperada de Jackie de agarrar os restos da massa encefálica do marido que foram espalhados pela carroceria do Lincoln preto, mas foi tudo em vão: o ex-presidente morreu a caminho do hospital.

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Lee Harvey Oswald foi preso pelo crime, mas acabou assassinado dois dias depois da morte de Kennedy. 

2. Francisco Ferdinando

O automóvel andava devagar pelas ruas da cidade dos Bálcãs. À frente dele, ia a cavalaria em trajes de gala, enquanto a multidão acompanhava o cortejo. Um espectador desavisado poderia achar que era um dia de festa na pequena Sarajevo, mas é bem provável que fosse um momento odioso.

O assassinato de Francisco Ferdinando / Crédito: Reprodução

Anexada pelo Império Austro-Húngaro, a região fervilhava com desejos de independência e tinha de engolir a visita dos herdeiros da potência opressora: o arquiduque Francisco Ferdinando e sua esposa, duquesa Sofia. O corso seguia em clima tenso. Naquela manhã, uma bomba lançada contra a comitiva ferira um de seus membros, mas o arquiduque manteve a programação.

De repente, dois jovens saltam à frente do carro: um deles dispara um revólver várias vezes. É o sérvio Gavrilo Princip, então com 20 anos. Os tiros matam Ferdinando e Sofia. O ato desencadeou uma série de ameaças e ultimatos que colocam a Europa toda em guerra.

3. Hara Takashi

As facadas que mataram Takashi Hara, ex-primeiro-ministro do Japão, na Estação Central de Tóquio foram desferidas por um jovem ferroviário militante de uma organização radical de direita. O ato não podia ter sido mais irônico. Afinal, foi Hara o responsável por trazer a massa de trabalhadores japoneses para uma posição mais próxima da participação na política do que jamais haviam tido.

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Membro de uma família tradicional, Hara ajudou a fundar o Rikken Seyukai (Partido dos Amigos do Governo Constitucional), o primeiro partido japonês a funcionar como seus pares ocidentais. Graças a seus esforços, os pequenos proprietários de terras japoneses ganharam o direitode votar. Ao se tornar primeiro-ministro, em 1918, ele tentou diminuir o poder dos militares, atraindo a oposição da direita radical japonesa.

4. Luis Carrero Blanco 

Depois de intensa pressão popular e de cuidadosas negociações políticas, a ditadura do general Francisco Franco chegara ao fim. A volta da democracia já estava acertada, com a restauração da monarquia, que se submeteria ao Parlamento. Franco, no entanto, ao largar o poder havia deixado no governo o almirante Luis Carrero Blanco.

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Em 1973, políticos espanhóis e a comunidade internacional temiam que o ex-primeiro-ministro espanhol ensaiasse uma volta ao franquismo. Essa ameaça se apagou de maneira trágica. Um grupo de terroristas do ETA escavou um túnel sob uma rua por onde Blanco passava e lá colocou 100 quilos de explosivos.

Quando foi detonada, a bomba lançou o carro do militar a uma altura de 20 metros. Ele morreu ao lado de seu motorista e seu segurança. O processo de transição para a democracia na Espanha foi concluído em 1975.

5. Faisal I

É difícil qualificar o que aconteceu com o rei Faiçal I, da Arabia Saudita, no dia do aniversário do profeta Maomé, em 1975. Já idoso (69 anos) e adoentado, Faiçal recebia calmamente em seu escritório o ministro do Petróleo do vizinho Kuwait.

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Seu sobrinho, príncipe Faiçal ibn Musad Abd al-Aziz, de 27 anos, entrou na sala e o matou a tiros sem aviso, no meio da conversa. O assassino foi detido na hora e acabou decapitado publicamente em 18 de junho do mesmo ano. A morte de Faiçal pôs fim a uma carreira conservadora, que colocou a Arábia Saudita no mapa geopolítico do mundo.

Depois de tomar o poder de seu irmão, o rei Saud, o soberano participou da guerra árabe-israelense de 1973, peitando os Estados Unidos, e assumiu papel de liderança entre os chefes de Estado dos países produtores de petróleo. Foi sucedido por seu irmão Khalid.

6. Indira Gandhi 

Uma onda de conflitos religiosos e étnicos acabou na morte da primeira-ministra indiana, Indira Gandhi, baleada por dois de seus próprios guarda-costas no jardim de sua casa. Indira (que, apesar do sobrenome, não era descendente de Mohandas "Mahatma" Gandhi) governava o país pela segunda vez, quando irrompeu uma série de combates étnicos por todo o país.

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O mais grave deles se dava na região de Punjab, onde os sikhs lutavam pela autonomia política. Os sikhs são membros de uma religião monoteísta que é uma das principais minorias religiosas da Índia. A invasão do Templo Dourado de Amritsar, apontado pelo Exército como abrigo de separatistas sikhs, acabou com a morte de 450 pessoas. O troco viria rápido, mas não sem aviso. Os sikhs juraram vingança e em 31 de outubro cumpriram suas ameaças.

O crime detonou uma onda de violência e os sikhs foram perseguidos e mortos por hinduístas por toda a Índia. O filho de Indira, Rajiv Gandhi, assumiu um país dividido e governou até 1989, quando renunciou. Em 1991, durante a campanha eleitoral, Rajiv foi assassinado por separatistas tamis, num atentado a bomba.

7. Anuar Sadat

A parada daquele dia fora planejada para ser uma celebração da força do Egito como potência do mundo árabe, no aniversário do ataque das forças do ex-presidente Anuar Sadat contra os israelenses em 1973. Líder do governo egípcio havia mais de dez anos, ele havia conseguido um tratado com Israel que recuperara o Sinai e lhe rendera o Nobel da Paz de 1978.

Mas Sadat também enfrentara brutalmente a oposição interna, prendendo mais de 1500 pessoas (entre fundamentalistas muçulmanos e cristãos coptas), censurando jornais e criando plebiscitos falsos que aprovavam suas medidas autoritárias com margem de mais de 99%.

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O troco veio quando um grupo de militares ligados ao grupo Irmandade Muçulmana deixou seus veículos blindados e correu na direção do palanque onde estava Sadat, lançando granadas e disparando metralhadoras. Uma rajada atingiu o líder em cheio. Seu sucessor, Hosni Mubarak na época, fuzilou dois dos conspiradores, enforcou outros três e prendeu mais de 2500 pessoas suspeitas de participar do atentado.

8. Yitzhak Rabin 

"Fui militar durante 27 anos. Fazia a guerra enquanto não havia chance para a paz. Agora essa chance existe e devemos tirar proveito dela", discursou o ex-primeiro ministro israelense Yitzhak Rabin numa manifestação pela paz entre Israel e os palestinos.

Enquanto caminhava de volta para seu carro, tiros disparados pelo estudante de direito Yigal Amir, então com 25 anos, o acertaram nas costas e no braço. Rabin morreu pouco depois, no hospital, enquanto o assassino, judeu ultra-ortodoxo, afirmava ter recebido ordens divinas para matar o premiê.

 

Ninguém imaginaria que a carreira de Rabin, que ganhara o Prêmio Nobel da Paz ao lado do palestino Yasser Arafat no ano interior, fosse terminar desse jeito. O acordo que o primeiro-ministro firmou para a criação gradual de um Estado palestino e a devolução dos territórios ocupados nunca mais foi o mesmo depois de sua morte nesse ponto, Amir e os judeus extremistas acabaram conseguindo o que queriam.