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Os passos da extinção: Há três anos morria Sudan, o último rinoceronte-branco macho do Norte

Apesar do eminente desaparecimento da subespécie, um estudo tem a esperança de salvá-los de seu fim

Fabio Previdelli Publicado em 18/03/2021, às 09h32

Sudan, o último rinoceronte-branco-do-norte macho da Terra
Sudan, o último rinoceronte-branco-do-norte macho da Terra - Divulgação/ Ol Pejeta

Em 20 de março de 2018, há três anos, o mundo se comovia com a morte de Sudan, o último rinoceronte-branco-do-norte macho, que há meses vinha sofrendo problemas de saúde.

Segundo explica matéria do El País, o mamífero, originário da África Central, não tinha conseguido se recuperar totalmente de uma infecção em sua pata traseira direita.  

“Sua doença piorou significativamente nas últimas 24 horas; era incapaz de ficar de pé e estava passando muito mal”, informou uma nota divulgada pela Ol Pejeta, uma reserva natural no Quênia onde o animal vivia desde 2009 — e que, desde então, ficou marcado como lar do último rinoceronte-branco-do-norte macho autêntico que pisou na Terra. Mas como assim? 

Espécie em extinção 

Antes de entendermos como essa situação pode ser revertida, primeiro precisamos entender como chegamos nela.

Conforme explica matéria da BBC da época, Sudan passou a ser o último macho de sua subespécie — afinal, a reserva de Ol pejeta ainda abriga as fêmeas Fatu e Najin — depois que outro rinoceronte-branco-do-norte morreu em 2014.

Com uma idade equivalente aos 90 anos para um humano, o animal vivia recebendo tratamento para doenças degenerativas que atingiam seus músculos e ossos.  

O rinoceronte-branco-do-norte Sudan/ Crédito: Divulgação/ Ol Pejeta

 

Apesar de todos os esforços, conforme relata a BBC, o animal passou suas últimas 24 horas de vida em uma situação deprimente. Sem conseguir ficar de pé, ele sofria muito.

Assim, os veterinários da Ol Pejeta decidiram que o sacrifício seria a melhor maneira de Sudan ter um fim digno. “Sudan será recordado por sua vida memorável e incomum”, disse a reserva em comunicado. 

Conforme explica matéria da Galileu, rinoceronte é considerado um dos cinco grandes animais da África, ao lado do leão, do elefante, do búfalo e do leopardo. Entre a espécie, há duas subespécies do rinoceronte-branco: os do Sul e os do Norte. Esse segundo grupo é muito mais raro e está em perigo crítico, conforme explica a BBC.  

Na década de 1970, quando Sudan passou a viver em uma reserva natural, existia menos de 500 rinocerontes-brancos-do-norte. Porém, de lá pra cá, sua população — que vivia em Uganda, na República Centro Africana, no Sudão e no Chade — foi dizimada.

O motivo? Segundo a BBC, a caça foi estimulada pela demanda de chifres de rinoceronte-branco, que eram usados para a medicina tradicional chinesa (mesmo que seus efeitos não sejam comprovatórios), e para a confecção de alças de punhal, no Iêmen. 

A matéria ainda diz que a última dúzia da colônia de rinocerontes-brancos-do-norte foram mortos no início dos anos 2000, na República Democrática do Congo. Já em 2008, segundo apontamento da WWf, entidade de preservação ambiental, a subespécie foi considerada extinta da natureza.  

No ano seguinte, os últimos quatro rinocerontes-brancos-do-norte (duas fêmeas e dois machos) foram transferidos de um zoológico da República Tcheca para essa reserva no Quênia. Como explica a BBC, nessa altura havia a esperança que eles se sentissem melhor em um habitat semelhante ao natural que costumavam a viver — o que poderia encorajá-los a cruzar.  

Mas, infelizmente, isso acabou não acontecendo e, após quatro anos, Sudan foi aposentado de sua vida de conquistas.  

Sudan no Tinder e a esperança de novos rinocerontes-brancos 

Antes de sua morte, Sudan já havia chamado a atenção de grande parte da população por um motivo bem peculiar: o Tinder. Acontece que, segundo explica o El País, o aplicativo de relacionamento havia lançado um perfil do animal como parte de uma campanha para angariar fundos que seriam usados para desenvolver técnicas de fertilização de sua espécie.  

“Sou único. Sou o último rinoceronte branco macho no planeta Terra. Não quero parecer um aproveitador, mas o destino da minha espécie literalmente depende de mim. Ajo sob pressão. Meço 1,82 metros e peso 2.267 quilos, caso isso interesse”, dizia o perfil de Sudan.  

Sudan, o último rinoceronte-branco-do-norte macho da Terra/ Crédito: Divulgação/ Ol Pejeta

 

Após a morte do animal, pesquisadores coletaram seu material genético. As pesquisas com seus genes, que ainda estão sendo desenvolvidas, começaram em janeiro de 2020. Segundo a Galileu, espera-se que a fertilização in vitro seja usada para a reprodução da espécie. 

"É incrível ver que seremos capazes de reverter a trágica perda dessa subespécie através da ciência", declarou Najib Balala, ministro queniano, em comunicado do Kenya Wildlife Service. A pesquisa tem como objetivo criar, ao menos, uma manda de cinco animais, que seriam devolvidos ao seu habitat natural.  

O plano dos pesquisadores, como explica a Galileu, seria transferir o embrião das duas rinocerontes fêmeas que sobraram, Fatu e Najin — que já estão muito velhas para e debilitadas para reproduzirem —, e gerá-las in vitro juntos como espera de Sudan

Assim, eles seriam inseridos em uma rinoceronte-branca-do-sul, que as geraria. Se tudo der certo, essas crias seriam levadas para viver junto a Fatu e Najin, para que eles desenvolvessem os costumes de sua subespécie.  

Chamado de BioRescue, o projeto de coleta, criação e preparação para transferência foi desenvolvido pelo Instituto Leibniz de Pesquisa em Zoológico e Vida Selvagem, da Alemanha; a Avantea, da Itália; o Zoológico Dvůr Králové, da República Tcheca, o Ol Pejeta Conservancy, do Quênia; e o Serviço de Vida Selvagem do Quênia. 

“Não sabemos quantos embriões precisaremos para conseguir um nascimento bem-sucedido de um novo filhote de rinoceronte-branco do Norte. É por isso que todo embrião é tão importante e a cooperação a longo prazo entre cientistas, especialistas em zoológicos e conservacionistas, é um elemento crucial”, declarou Jan Stejskal, responsável pelos Projetos Internacionais no Zoológico Dvůr Králové.


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