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Paul Aussaresses, um sanguinário torturador francês em plena ditadura brasileira

Enviado para o Brasil na década de 70, o militar deveria ensinar suas insólitas práticas aos militares brasileiros

Caio Tortamano Publicado em 07/12/2019, às 08h00

Paul Aussaresses em retrato
Paul Aussaresses em retrato - Domínio Público

Uma entrevista insólita realizada em 2000 por um jornal francês revelou aos leitores informações sobre as práticas terríveis cometidas por militares em períodos ditatoriais. Alguns dos relatos mais chocantes foram proferidos por Paul Aussaresses. De acordo com o militar, “a tortura se justifica se pode evitar a morte de inocentes”.

Aussaresses foi um general francês que lutou durante a Segunda Guerra Mundial, a Primeira Guerra da Indochina e a Guerra de Independência Argelina. Durante a entrevista, o militar contou com detalhes os metódos de tortura utilizados no conflito de independência para conter os rebeldes considerados terroristas pelas forças francesas. Para ele, “a tortura pode ser necessária contra o terrorismo”.

A história de Aussaresses parece distante de nós, se não fosse por um grande período em sua vida. Nos anos 70, veio ao Brasil cumprir uma “missão diplomática” francesa em terras tupiniquins.

Chegando ao país no mesmo dia do golpe militar no Chile, em 11 de setembro de 1973, provavelmente não se tratou de uma coincidência, especialmente pelo fato do Brasil ter enviado armas, homens e aviões durante o golpe chileno.

No período militar, se deu muito bem com o general João Batista Figueiredo (que mais tarde seria presidente), e era amigo de Sérgio Fleury, tido pelo próprio Paul como chefe do esquadrão da morte brasileiro junto com Figueiredo, que foram responsáveis pelos mais terríveis atos contra os alvos do governo.

Sua função no Brasil era simples: ensinar os militares brasileiros a torturar os presos políticos para coletar informações que fossem úteis ao governo, assim como já havia feito nos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã.

As ações violentas e brutais dos militares brasileiros eram endossadas pelo torturador francês. Em um de seus livros, Aussaresses revelou que em uma conversa com o chefe da missão diplomática francesa, Michel Legendre, afirmou que eram os torturadores os responsáveis por manter o governo francês bem informado.

O implacável torturador pareceu nunca ter se arrependido de suas ações. Até o fim da vida, em 2013, relembrava com macabra lucidez suas ações antirrevolucionárias. Para ele, depois de torturados as pessoas não podiam simplesmente ser soltas, por isso, foi responsável pela morte de diversos presos políticos no escuro período militar.


Para ler mais sobre a ditadura no Brasil recomendamos as obras:

O que é isso, companheiro?, Fernando Gabeira (2017)

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Ditadura à brasileira: 1964-1985 a democracia golpeada à esquerda e à direita, Marco Antonio Villa (2014)

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Nos idos de março: A ditadura militar na voz de 18 autores brasileiros, Luiz Ruffato (2013)

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