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Pesadelo do Terceiro Reich: conheça Zinaida Portnova, a destemida envenenadora soviética

Aos 16 anos, a garota juntou-se a um grupo de resistência e participou de operações de sabotagem contra os alemães

Nicoli Raveli Publicado em 03/05/2020, às 09h00

Zinaida Portnova, jovem soviética que lutou contra o regime nazista
Zinaida Portnova, jovem soviética que lutou contra o regime nazista - Divulgação

Zinaida Portnova era apenas mais uma moradora da então Bielorrússia que presenciou a tomada nazista em 1941. No período, muitos soviéticos foram feridos e acabaram morrendo durante os primeiros meses da invasão alemã. Em pouco tempo, a tropa chegou até Obol, cidade que a jovem morava.

Monumento em homenagem a Zinaida Portnova / Crédito: Divulgação 

 

A russa ainda não havia expressado sua ingratidão sobre os ataques nazistas, até que sua avó foi agredida por soldados alemães - ela não havia permitido que o exército confiscasse seus gados. Desde então, a guerra tornou-se pessoal para Portnova.

Jovens Vingadores

Inicialmente, a mulher juntou-se a Liga Komsomol, conhecidos como Jovens Vingadores e, aos 16 anos, tornou-se um dos destaques da resistência. Sua atividade era baseada na disseminação de panfletos que induzia diversos planos para colocar um fim a guerra. No entanto, ela iria muito além. 

Com o passar do tempo, Portnova buscou outros caminhos para lidar com as tropas de Hitler. Dessa maneira, aprendeu a usar uma arma e teve um papel ativo nas operações de sabotagem criadas pelos soviéticos. 

Jovens soviéticas estudando as armas / Crédito: Divulgação 

 

Como consequência, a equipe de jovens era responsável por realizar ataques em locais de grande aglomeração nazista. Aprendendo a usar explosivos, sabotou usinas e até mesmo fábricas de tijolos. De tudo fazia para acabar com as tropas de Adolf. Mas, um episódio específico representaria o auge de suas ações. 

Em uma das missões, a ativista se passou por uma ajudante de cozinha e conseguiu se infiltrar no local. Auxiliando no preparo da comida que seria oferecida aos soldados de Hitler, seguiu com a sua missão: envenenar os alimentos. Atingiu o objetivo. Após a refeição, muitos combatentes se sentiram indispostos. Outros, num estado crítico, acabaram morrendo.

A busca por Portnova

Após o episódio, a garota foi acusada como a principal suspeita pelo envenenamento. Acabou provando do próprio veneno. Quando foi procurada, experimentou a comida que havia servido aos nazistas e não apresentou qualquer sintoma anormal.

Dessa maneira, foi liberada e seguiu caminho para a casa de sua avó. Mas, por ter ingerido parte do veneno, passou mal e foi socorrida pela idosa, que a alimentou com soro de leite a fim de expelir a toxidade de seu corpo.

No dia seguinte, Zinaida não retornou ao seu local de trabalho, o que levantou novas suspeitas. Em seguida, o ato fez com que ela se tornasse uma fugitiva, os nazistas realmente acreditavam que ela havia sido responsável pelo episódio insólito.

Mais uma vez, a garota inteligente driblou os alemães e buscou apoio num grupo de partidários que homenageavam o militar soviético Kliment Voroshilov. E ficou um tempo desaparecida.

“(...) Mãe, agora estamos em um grupo partidário. Junto com você, derrotaremos os invasores nazistas", disse numa carta enviada a mãe. 

Missão suicida

Em 1944, a jovem se infiltrou novamente em meio aos nazistas, no mesmo local que havia provocado o envenenamento. Sem sucesso, foi encontrada por autoridades e acabou sendo entregue aos seguidores do Führer. Todavia, Portnova não aceitava que aquele seria seu fim.

Ilustração do interrogatório de Zinaida Portnova / Crédito: Diulgação 

 

Assim, pegou uma arma de uma autoridade nazista, atirou em dois soldados e correu pelo campo. Os soldados a alcançaram e realizaram um interrogatório seguido de torturas brutais. Pouco tempo depois, a soviética foi levada até uma floresta e friamente executada antes de completar seus 18 anos.

Com o fim da guerra, a bravura da jovem foi exaltada. De acordo com Museu Bielorrusso da Grande Guerra Patriótica, os episódios que ela havia participado resultaram na morte de mais de 100 nazistas. 

Além de seu nome estar escrito em diversas placas e monumentos nas cidades russas, Zinaida recebeu o título de Herói da União Soviética, em 1958, e a Ordem de Lenin, uma condecoração da União Soviética.


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