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Portugueses no continente asiático: os japoneses que foram submetidos à escravidão

Segundo historiadores, milhares de japoneses foram escravizados entre os séculos 16 e 17

Giovanna Gomes, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 13/06/2021, às 08h00

Pintura em biombo feita por Kano Naizen retrata portugueses chegando ao Japão
Pintura em biombo feita por Kano Naizen retrata portugueses chegando ao Japão - Domínio Público/Museu Nacional de Arte Antiga

Muito se fala sobre as inúmeras escravidões realizadas ao longo dos séculos, em especial as praticadas contra povos de origem africana e nativo-americana. Porém as inúmeras atrocidades cometidas contra japoneses e demais povos asiáticos ainda permanece desconhecida por grande parte da população.

A verdade é que há diversos documentos que apontam que, a partir do século 16, milhares de japoneses foram capturados e escravizados por portugueses que chegavam ao país. Segundo a BBC, um dos primeiros casos que se tem conhecimento é de um menino que, em 1585, foi vendido ao comerciante Rui Pérez.

A criança, que ficaria conhecida pelo nome de Gaspar Fernandes, foi levada para Manila, nas Filipinas junto ao português e sua família. Este teria sido, segundo os historiadores, o primeiro de cinco japoneses que teriam sido escravizados por Pérez.

D. Sebastião teria tentado acabar com o comércio de escravos no Japão na década de 1570, segundo historiadores / Crédito: Getty Images

 

Entendendo o passado

De acordo com o pesquisador português Lúcio de Sousa, quem é professor da Universidade de Estudos Estrangeiros de Tóquio, um documento descoberto nos Arquivos Gerais da Nação no México, em 2013, é uma peça importantíssima para entender o tema.

"Passei um mês no México, pesquisando horas por dia, até que o registro do transporte do Gaspar e outros escravos caiu nas minhas mãos. Eu sabia que não estava apenas atrás de um simples documento, eu estava lidando com a vida de pessoas que existiram de verdade, foram exploradas e esquecidas", declarou ele à BBC News.

Mercado ilegal

Apesar de ter sido realizado pelos portugueses no país, o comércio de escravos era uma prática ilegal. Segundo Lúcio, "o mercado de escravos não começou com uma estrutura organizada." Ele explicou que "alguns eram raptados, outros se vendiam por causa da fome extrema e da guerra."

Imagem religiosa em igreja / Crédito: Getty Images

 

Além disso, prosseguiu, "tinham japoneses que se vendiam para escapar de situações ou para dar o dinheiro a família, acreditavam que, quando chegassem a Macau, conseguiriam fugir. Muitos foram enganados e não receberam dinheiro algum."

Catolicismo no Japão

Com o tempo, missionários jesuítas foram espalhando o Cristianismo pelo território japonês, convertendo desde camponeses até os grandes senhores feudais, os chamados daimyos.

Contudo, o fato de muitos portugueses estarem escravizando a população local fez com que a imagem da Igreja ficasse manchada.

Toyotomi Hideyoshi em ilustração de Kano Mitsunobu / Crédito: Domínio público/Templo Kōdai-ji

 

Quando o grande guerreiro Toyotomi Hideyoshi soube, em 1587, que o povo que vivia na região de Kyushu estava sendo escravizado, essa prática tornou-se intolerável. Hideyoshi, quem foi responsável por unificar o Japão, partiu para Nagasaki e acabou por banir os padres do país.

No entanto, mesmo a escravidão sendo proibida pelas autoridades japonesas e também pela própria Igreja Católica, a prática persistiu até o início do século 17. À essa altura, os cristãos já estavam sendo perseguidos e massacrados.

Na década de 1630, os portugueses foram expulso do país, que estava sob o comando do xogunato Tokugawa.


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