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Princesa Diana e o aperto de mãos que representou uma conquista na luta contra o estigma social da AIDS

Durante a inauguração de uma unidade de tratamento para AIDS e HIV em Londres, a princesa contrariou o esperado e apertou as mãos de um paciente sem luvas

Daniela Bazi Publicado em 05/01/2020, às 09h00

Princesa Diana com um paciente portador de HIV, no Canadá
Princesa Diana com um paciente portador de HIV, no Canadá - Getty Images

Um dos momentos mais marcantes da trajetória da Princesa Diana ocorreu no dia 19 de abril de 1987, durante a inauguração de uma unidade para o tratamento de AIDS e HIV. 

O evento ocorreu no Hospital Middlesex de Londres, e contou com uma atitude completamente inesperada da princesa para todos ali presentes, que acabou ficando marcada na história. 

Diana na inauguração da unidade de tratamento no Hospital Middlesex de Londres / Créditos: Getty Images

 

Na inauguração, muitos dos leitos encontravam-se vazios, o que chocou a princesa. O motivo do acontecimento é que muitos dos pacientes estavam com medo da exposição devido ao enorme preconceito da época. 

Entretanto, durante a visita, Diana tomou a atitude de apertar a mão de um dos pacientes, portador do vírus HIV, sem usar luvas. Na época, apesar do conhecimento de que a doença não poderia ser transmitida através de um aperto de mãos, ainda existia um grande estigma social com a doença.

Durante a visita, Diana também fez questão de conversar com todos os profissionais ali presentes / Créditos: Getty Images

 

Segundo o enfermeiro John O’Reilly, que trabalhava no hospital, ele conseguiu convencer apenas um portador do vírus a se encontrar com Diana, que só aceitou por estar perto da morte, e deixou ser fotografado apenas de costas.

Diana com o único paciente que aceitou encontrá-la no dia da inauguração / Créditos: Getty Images

 

Em 1985, uma pesquisa feita pelo Los Angeles Times revelou que 50% dos entrevistados eram a favor da quarentena para pessoas com AIDS. Segundo relatos da época, muitos pacientes, inclusive crianças, acabaram sendo estigmatizados por causa da doença.

A atitude da princesa causou comoção em diversas partes do mundo, e tornou-se exemplo para muitas pessoas. "Se uma pessoa da realeza foi autorizada a apertar as mãos de um paciente, alguém no ponto de ônibus ou o supermercado poderia fazer o mesmo. Sua atitude realmente educou as pessoas", comentou uma enfermeira que estava presente no dia à BBC.  

Em declaração, a princesa disse “O HIV não faz com que seja um risco encontrar pessoas. Pode-se apertar suas mãos e abraçá-las, e eles precisam muito de um abraço”. O CEO da fundação Terence Higgins, dedicada à luta contra o HIV revelou que Diana foi a primeira pessoa importante a se mostrar disposta a tomar tal atitude e desafiar os preconceitos da época.

Ele completou dizendo que “Esse gesto público desafiou a noção de que o HIV era transmitido pelo toque. A princesa Diana utilizou seu status para ajudar ao máximo as pessoas que viviam com HIV e nossa instituição beneficente. Às vezes, ela aparecia em nossas clínicas sem o acompanhamento da imprensa, apenas para passar algum tempo com as pessoas que estavam doentes”.

Mesmo após a sua morte, o trabalho de Diana continou através do Diana Award, instituição criada em nome da princesa para homenagear pessoas que lutam pelo fim do preconceito relacionado à doença.


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