Matérias » Brasil Império

Quilombo do Leblon: conheça a história do local que foi palco do movimento abolicionista

Segundo a obra “Leblon”, de Augusto Ivan de Freitas Pinheiro e Eliane Canedo, a Chácara das Camélias pertencia a um comerciante português

Victória Gearini | @victoriagearini Publicado em 30/05/2021, às 09h00

Imagem do Rio de Janeiro do século 19
Imagem do Rio de Janeiro do século 19 - Domínio Público, via Wikimedia Commons

Atualmente, o Leblon, localizado na cidade do Rio de Janeiro, possui o metro quadrado mais caro da região carioca. O bairro nobre é conhecido pelos seus prédios de alto padrão e pela beleza da praia. No entanto, durante o século 19, essa não era a realidade do local.

Na época, o Leblon era conhecido por abrigar um quilombo. Poucas pessoas sabem, mas a região teve um papel importante na abolição da escravatura, ocorrida em 13 de maio de 1888, conforme revelou a obra “Leblon”, organizada pelos urbanistas Augusto Ivan de Freitas Pinheiro e Eliane Canedo

A Chácara das Camélias

De acordo com a Folha de S.Paulo, o quilombo fazia parte da Chácara das Camélias, que hoje abriga o Alto Leblon. Conforme o livro, o local funcionava onde hoje equivale o Clube Federal. 

O dia da assinatura da Lei Áurea no Paço Imperial / Crédito: Domínio Público, via Wikimedia Commons

 

Sabe-se que a chácara pertencia a um comerciante português, chamado José de Seixas Magalhães. No texto “As Camélias do Leblon e a Abolição da Escravatura”, divulgado pelo site da Fundação Casa Ruy Barbosa, o autor Eduardo Silva explica que além da fábrica, o proprietário cultivava flores no local, com o auxílio de alguns escravizados. 

Com um viés progressista, o dono da propriedade ajudava a esconder escravos fugitivos. Além disso, tinha o apoio da Confederação Abolicionista, que funcionava na até então capital do Brasil Império. 

“O imigrante Seixas era um homem muito bem relacionado”, disse, Eduardo Silva em entrevista à Folha em 2019. O escritor complement, que o português contou com a proteção da princesa Isabel

Retrato da Princesa Isabel / Crédito: Insley Pacheco (1830-1912) / Domínio Público, via Wikimedia Commons

 

A partir disso, as camélias passaram a ser vistas como símbolo abolicionista e progressista. As flores sotisticadas, na época, eram sinônimo de mudança e enfeitavam, ainda, a mesa de trabalho e a capela da princesa Isabel

O paradoxo 

Conforme a Folha de S.Paulo, a antropóloga Alba Zaluar, que também assina o livro “Leblon”, reforça o paradoxo por trás da famosa Chácara das Camélias e, consequentemente, do quilombo do Leblon. 

Segundo a autora, a propriedade do imigrante José de Seixas Magalhães abrigava brancos e negros, pobres e ricos, sendo fundamental para o movimento abolicionista do século 19. 


+Saiba mais sobre o tema por meio de grandes obras disponíveis na Amazon: 

Um Quilombo No Leblon, de Luciana Sandroni (2011) - https://amzn.to/3oYuWBK

O Brasil Imperial (Vol. 1), de Keila Grinberg (2010) - https://amzn.to/2yXKnV8

O Castelo de Papel: Uma história de Isabel de Bragança, princesa imperial do Brasil, e Gastão de Orléans, conde d'Eu eBook Kindle, de Mary del Priore (2013) - https://amzn.to/2xv4dXo

Nostalgia imperial: Escravidão e formação da identidade nacional no Brasil do Segundo Reinado eBook Kindle, de Ricardo Salles (2014) - https://amzn.to/2y7PuSB

Cidade febril: Cortiços e epidemias na corte imperial, de Sidney Chalhoub (2018) - https://amzn.to/2VSL7DW

Justiça Infame: Crime, Escravidão e Poder no Brasil Imperial, de Yuri Costa (2019) - https://amzn.to/2YoKpQv

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, a Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.

Aproveite Frete GRÁTIS, rápido e ilimitado com Amazon Prime: https://amzn.to/2w5nJJp 

Amazon Music Unlimited – Experimente 30 dias grátis: https://amzn.to/2yiDA7W