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"Saudadis, Cacildis": Mussum completaria 80 anos hoje

Humorista que marcou época com Os Trapalhões teve uma infância humilde e fez parte do grupo Os Originais do Samba

Fabio Previdelli Publicado em 07/04/2021, às 17h10

Antônio Carlos Bernardes Gomes, o Mussum
Antônio Carlos Bernardes Gomes, o Mussum - Divulgação/ Arquivo/ Rede Globo

Ator, compositor, músico e humorista, Antônio Carlos Bernardes Gomes foi tudo isso e mais um pouco. Em 53 anos de vida, Mussum alegrou a todos com seu jeito irreverente que mostrava não só quando estava junto ao Trapalhões, como também quando fazia parte dos Originais do Samba.  

Um dos maiores nomes do humor nacional, fez o sucesso ao lado de Didi, Dedé e Zacarias. Vítima de complicações ocorridas após um transplante de coração, Mussum completaria 80 anos hoje, 7 de abril. Após quase três décadas de sua morte, uma única palavra descreve bem o legado deixado pelo ator: “Saudadis”. 

Nascidis no Rio 

Filho da empregada doméstica Malvina BernardesAntônio Carlos Bernardes Gomes nasceu em 7 de abril de 1941 no Morro da Cachoeirinha, em Lins de Vasconcelos, na zona norte do Rio de Janeiro, como relata Juliano Barreto no livro Mussum Forévis. 

Mussum em cena do filme Os Trapalhões e o Mágico de Oróz (1984)/ Crédito: Wikimedia Commons

 

Desde cedo, o menino já mostrava todo seu carisma e vontade de ajudar o próximo, tanto é que, como relata Barreto, sempre foi focado muito nos estudos, já que fazia questão de repassar todos seus ensinamentos para sua mãe. Em 1954, conclui o ensino primário e ingressou na Fundação Abrigo Cristo Redentor.  

No instituto Profissional Getúlio Vargas, uma das instituições que faz parte da Fundação, o jovem Antônio Carlos é aprovado para o programa “Nutrição Boa”. Mais tarde, em 19574, ele recebe o diploma de ajustador mecânico e começa a trabalhar como aprendiz em uma oficina no Rocha, bairro da Zona Norte do Rio, conforme explica Juliano. Paralelamente a isso, ele serve a Força Aérea Brasileira por oito anos.  

Mussum artista 

Apesar de seu trabalho nas Forças Armadas, Antônio Carlos ainda tem tempo para nutrir um dom que tanto admira: a música. Como explica matéria da Folha de São Paulo, ao mesmo tempo que participa da Caravana Cultural de Música Brasileira do produtor Carlos Machado, ele inicia sua carreira musical tocando reco-reco no grupo Os Originais do Samba.  

Os Originais do Samba na foto da capa do álbum Alegria de sambar, de 1975/ Crédito: Divulgação

 

Com o grupo, gravou 13 álbuns, ficando conhecido por se apresentar com coreografias descontraídas e por usar roupas coloridas, o que fez com que o conjunto se tornasse muito popular na televisão durante os anos 1970. 

Os Originais do Samba, inclusive, como relembra o portal Correio do Cidadão, chegou a tocar com grandes nomes da música brasileira, como Elis Regina, e emplacou diversos sucessos como Tá Chegando Fevereiro”, “Do Lado Direito da Rua Direita”, “A Dona do Primeiro Andar”, “O Aniversário do Tarzan” e “Tragédia no Fundo do Mar”. 

Carreira 

No início dos anos 1960, chegou a ser convidado para participar de diversos programas humorísticos, mas sempre recusava. Porém, finalmente, em 1965, ele dá o braço a torcer e aceita participar do humorístico Bairro Feliz, da TV Globo.

Foi durante as gravações, inclusive, como mostra matéria publicada no site Jovem Nerd, que Grande Otelo lhe dá o apelido pelo qual ficaria conhecido até o resto da vida: Mussum — que é uma derivação de muçum, uma classe de peixes que, assim como Otelo atribuiu a ele, era escorregadio e liso, visto que Mussum conseguia facilmente se livrar de situações estranhas ou constrangedoras.  

Foi durante suas participações em shows humorísticos que chegou a conhecer Dedé Santana. Mais tarde, em 1969, chegou a ser convidado por Wilton Franco, diretor de Os Trapalhões, para participar do grupo, mas chegou a negar, sendo convencido depois por Dedé, relembra matéria do Terra. 

Assim, em 1972, passa a formar um trio junto com Dedé e Didi. Dois anos depois, o grupo abriria vaga para mais um humorista: Mauro Faccio Gonçalves, o eterno Zacarias. Juntos, eles marcaram época na TV brasileira. 

Mussum, Didi, Dedé e Zacarias/ Crédito: Divulgação

 

A mania de Mussum de encher palavras com “is”, no entanto, aconteceu ainda quando ele trabalhava na Escolinha do Professor Raimundo. Nesta época, como mostra matéria da Folha de São Paulo, Chico Anysio sugeriu que ele começasse a falar dessa maneira. 

Quando Os Trapalhões se mudaram para a Rede Globo, em 1977, os compromissos televisivos fizeram com que Mussum tivesse que deixar Os Originais do Samba. Mesmo assim, ele ainda assim conseguiu se dedicar a essa parte musical, gravando discos com Os Trapalhões e três álbuns solo. 

O adeus de Mussum 

Durante quase duas décadas, de 1977 até 1994, Os Trapalhões eram sucesso certo na Rede Globo. Porém, o grupo chegou ao fim quando Mussum morreu, em 1994. Aos 53 anos, ele foi vítima de complicações ocorridas após ele ser submetido a um transplante de coração.  

Mussum teve que ser submetido a um transplante de coração no dia 12 de julho de 1994, pois ele tinha uma miocardiopatia dilatada, uma enfermidade que faz com que o coração aumente de tamanho e não trabalhando de maneira satisfatória. 

Ele estava internado no Hospital Beneficência Portuguesa desde o dia 7 de julho. Conforme explica a Folha, o transplante ocorreu de forma satisfatória e não houve rejeição aguda, porém, logo nos primeiros dias, o humorista passou a apresentar problemas após o procedimento. 

O primeiro entre eles foi o acúmulo de coágulos sanguíneos no tórax. Mussum chegou a ser submetido a outra cirurgia para retirar os coágulos. Porém, no dia 22 de julho, o pulmão do artista foi tomado pela infecção, que causou sua morte.


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