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A trágica vida de Jumbo, o elefante que inspirou o filme Dumbo

O animal de três metros de altura viveu décadas sofridas e, na morte, se tornou um herói

Paola Churchill Publicado em 21/04/2020, às 10h00

Jumbo andando pelas ruas de Londres
Jumbo andando pelas ruas de Londres - Wikimedia Commons

O filme Dumbo, um dos filmes mais queridos dos estúdios Disney, conta a história de um adorável elefante, com orelhas tão grandes que deixavam ele voar. Mas, a verdadeira história por trás da amada produção, é bem mais macabra do que sem pensa.

O nome verdadeiro do animal é Jumbo e foi capturado na Etiópia, em 1862. Ele tinha apenas dois anos e meio, e para capturá-lo tiveram que matar sua mãe – história bem diferente do que acontece no clássico. O seu nome significa Olá no idioma africano swahili.

Ele se tornou uma celebridade assim que chegou a capital britânica, as multidões se aglomeravam para ver o maior elefante do mundo no zoológico londrino. Todos queriam dar uma volta em suas costas, inclusive, até os filhos da rainha Vitória eram seus fãs.

O maior elefante do mundo

Por trás de toda magia que os donos do Revent’s Park queriam passar, o paquiderme tinha uma vida triste e sofrida. Se durante as apresentações ele era a grande estrela do show, logo que a noite caía, ele era espancado e colocado em uma pequena jaula.

O filme Dumbo foi inspirada na história do elefante gigante/Divulgação: Divulgação 

 

A situação só começou a melhorar quando Matthew Scott foi designado a cuidar da criatura. Matthew tinha uma vida tão solitária quanto a do animal e isso acabou unindo os dois. O homem chegou até mesmo dormir com o Jumbo. O laço foi tão profundo entre eles que Scott conseguiu amaciar a fera, com grandes doses de amor e uísque. O elefante africano não conseguia ficar muito tempo longe de seu novo dono.

Jumbo, agora tinha 20 anos, era amado por todos e provia a maior fonte de dinheiro para o Regent’s Park. Seus fãs o enchiam de mimos, principalmente tortas bem adocicadas que davam na boca do animal.

Jumbo morreu após ser atropelado por um trem / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Assim que anoitecia, Jumbo tinha novamente rompantes de fúria, sendo que o único que podia chegar perto do animal era Scott, qualquer outro que se atrevesse era fatalmente agredido. As doses da bebida alcoólica tiveram que aumentar, e o animal vivia bêbado. Estudos da Universidade de Leicester, afirmam que a raiva do bicho era provocada pela grande quantidade de tortas que ele ingeria.

Com medo de que os constantes ataques do animal pudessem causar algum acidente horrível, Jumbo foi vendido para o magnata circense P. T. Barnum, no valor de 2 mil libras esterlinas, que convertendo para a cotação atual, seria algo em torno de um milhão de reais.

Então, o animal e seu treinador entraram em um navio rumo ao novo destino: Nova York,. Assim que chegou, foi exibido em um passeio pela Broadway. Barnum queria que os americanos admirassem o imenso paquiderme, que atingira três metros de altura.

O cair do gigante

O circo sempre estava viajando, apesar de ser uma rotina exaustiva, o elefante não se sentia mais tão sozinho, pois em sua companhia, existiam mais 20 animais da mesma espécie, parecia uma final feliz para uma vida tão trágica, se não fosse um terrível acidente.

Em 1885, o circo havia terminado sua turnê em Saint Thomas, no Canadá. Todos estavam prontos para voltar pra casa, só faltavam dois animais: Jumbo e um bebê elefante chamado Tom Tomb.

Jumbo e seu treinador Matthew Scott (a direita)/Crédito: Wikimedia Commons 

 

Quando os dois estavam sendo levados para seus vagões, uma locomotiva desfreada foi em direção ao pequeno Tom Tomb. Jumbo protegeu o filhote com seu corpo de sete toneladas e morreu na hora. O animal tinha 24 anos.

Sua morte deu lugar uma lenda, que logo virou obra da ficção. Em 1939, a escritora Helen Aberson escreveu o livro Dumbo. Mudou o nome do paquiderme para soar mais simpático, já que Dumbo é uma alusão à palavra inglesa dumb (bobinho). Contudo, a vida real do animal passou longe de ser mágica e feliz.


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