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Um crime, muitos suspeitos: Amanda Knox e um dos casos mais sórdidos da Itália

Em meados de 2007, Meredith Kercher foi encontrada morta em seu apartamento, em um homicídio misterioso que, para muitos, segue sem justiça até hoje

Pamela Malva Publicado em 15/08/2020, às 11h30

Imagem meramente ilustrativa de uma silhueta humana
Imagem meramente ilustrativa de uma silhueta humana - Divulgação/Pixabay

No primeiro dia de novembro de 2007, Meredith Kercher, uma jovem inglesa de 21 anos, voltou para seu apartamento em Perúgia, Itália, após uma festa. Sempre cheio com as companheiras de quarto da jovem, a casa, dessa vez, estava vazia.

Durante a madrugada, no entanto, a garota, que estava no meio de seu intercâmbio, abriu as portas para seu próprio assassino. Meredith foi encontrada no dia seguinte, coberta por um edredom. Ela tinha levado 46 facadas, sendo uma delas na garganta.

Foram Amanda Knox, a companheira de apartamento da vítima, e seu namorado, Raffaele Sollecito, quem suspeitaram que algo de errado havia acontecido com Meredith. Naquele dia 2 de novembro, eles, inclusive, tentaram arrombar a porta do quarto da jovem antes de chamar a polícia.

Começava, então, um dos casos mais complexos e cheios de mistérios que a Itália já viu. Dezenas de pessoas se envolveram e uma enorme trama foi montada pela promotoria, que tinha, ao mesmo tempo, muitas e quase nenhuma prova para analisar.

Fotografias de Meredith e Amanda, respectivamente / Crédito: Wikimedia Commons/Divulgação/Youtube

 

Um sonho que virou pesadelo

Nascida em Seattle, Amanda era apaixonada pela Itália desde muito jovem. Quando juntou o dinheiro necessário, decidiu que estudaria no país. Extrovertida e animada, a jovem de 20 anos chegou ao apartamento em Perúgia, no mês de setembro de 2007.

Além de Meredith, a norte-americana ainda dividia a casa com mais duas jovens estudantes, com cerca de 30 anos cada. Não demorou muito para que todas se enturmassem. Em pouco tempo, todas sentiam-se em casa.

O conto de fadas, no entanto, acabou no momento em que o corpo de Meredith foi encontrado, junto com uma narrativa bastante confusa, que envolvia gente demais. Daquele dia em diante, a vida de Amanda nunca mais foi a mesma.

Amanda Knox em carro, na época do assassinato / Crédito: Wikimedia Commons

 

Suspeitos de um crime

Logo que as investigações sobre o assassinato de Meredith começaram, Amanda foi chamada para dar seu testemunho. Nesse momento, segundo ela mesma afirma, a jovem estadunidense foi mal-tratada pelas autoridades italianas.

Apesar da suposta violência, Amanda afirmou que teria passado a noite do homicídio na casa de seu namorado, Raffaele Sollecito. Sob constante pressão dos policiais, contudo, a testemunha acabou mudando de versão e culpou outra pessoa pelo crime.

De repente, o chefe de Amanda, Diya Patrick Lumumba, foi envolvido no caso, conforme a jovem afirmava que ele era o assassino. Assim, tanto a norte-americana, quanto Raffaele e o empresário foram presos, em novembro de 2007.

Amanda Knox em recente documentário da Netflix / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Rostos perdidos na multidão

Com o passar dos dias, entretanto, ficou claro que Lumumba não tinha qualquer envolvimento com o caso e ele logo foi liberado. Ao mesmo tempo, um terceiro suspeito surgiu: Rudy Guede, amigo do namorado de Meredith.

Segundo a promotoria, o DNA de Rudy foi encontrado nas genitais e nas roupas íntimas da vítima. Era óbvio, então, que o acusado estava na cena do crime. Mas as autoridades não estavam satisfeitas: tinham certeza que ele não agiu sozinho.

Convencidos da participação de Amanda e Raffaele, os oficiais reconscruíram uma suposta cena do crime. Nesse sentido, acreditava-se que a jovem de Seattle foi quem golpeou a cabeça de Meredith e, em seguida, desferiu as dezenas de facadas. Ainda mais, uma pequena quantidade de DNA de Raffaele foi encontrada no sutiã da vítima.

Em outubro de 2008, Rudy foi condenado a 30 anos de prisão pelo abuso sexual e pelo homicídio de Meredith. No final, sua sentença foi reduzida para 16 anos. Amanda e Raffaele, por sua vez, continuaram alegando sua inocência, ainda que os investigadores afirmassem que ambos seguraram a vítima enquanto ela era abusada por Rudy.

Mugshot de Rudy Guede e fotografia atual de Amanda Knox / Crédito: Wikimedia Commons

 

Idas e vindas confusas

Entre 2009 e 2015, então, o caso, já muito famoso na mídia, teve diversas reviravoltas. Para a promotoria, Amanda e Raffaele tinham, com toda a certeza, participado do assassinato. Para o júri, contudo, as coisas não eram tão simples.

Em dezembro de 2009, Amanda e seu namorado foram condenados pelo crime, mas declarados inocentes, em 2011. Após um terceiro julgamento, o casal foi culpado mais uma vez, em uma decisão que parecia definitiva.

Em março de 2015, todavia, o Supremo Tribunal de Cassação italiano decidiu que o caso do assassinato era infundado e, assim, absolveu o casal definitivamente. Anos mais tarde, o governo italiano foi obrigado a pagar uma indenização de 18 mil euros para Amanda, por violar seus direitos durante as primeiras investigações.

Com o final do caso, Amanda Knox, já estabelecida nos Estados Unidos, formou-se na faculdade e escreveu um livro sobre o homicídio. Em fevereiro de 2020, ela se casou com o autor Christopher Robinson e, até hoje, comemora sua liberdade. Para muitos, no entanto, ela continua sendo a verdadeira culpada pelo assassinato de Meredith.


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