Teatros municipais de São Paulo e do Rio

Razões diferentes deram origem aos teatros municipais do Rio e de São Paulo

Costa Jr. Publicado em 12/09/2015, às 10h00 - Atualizado em 19/10/2018, às 15h27

Teatro Municipal de São Paulo, inaugurado em 1911
divulgação

Eles são símbolos de erudição e tradição. Mesmo que hoje sejam mais acessíveis, são o retrato de uma época em que o lazer cultural era restrito a uma minoria. Os teatros municipais do Rio e de São Paulo têm muito em comum: por seus palcos, passaram nomes mundialmente reconhecidos e em suas aveludadas poltronas já se sentaram figurões da sociedade. Entretanto, eles não surgiram pelos mesmos motivos. No início do século 20, o Rio, sede do governo federal, abrigava o burburinho artístico do Brasil. Atores, dramaturgos e diletantes pressionaram o poder público para a criação, enfim, de um teatro municipal.

Em São Paulo, o espaço foi erguido para saciar a fome de cultura e de glamour da aristocracia cafeicultora. "Não à toa, ao lado do Municipal ficava o Hotel Esplanada, o mais elegante da cidade, pronto para atender os barões do café, que vinham do interior para conferir os espetáculos", afirma o arquiteto e historiador Benedito Lima de Toledo, professor da FAU-USP. No dia da inauguração do teatro, a elite paulista, com seus mais finos trajes, pôs na rua quase todos os carros da cidade. Os cerca de 300 veículos formaram no centro, em setembro de 1911, o que pode ter sido o primeiro engarrafamento paulistano.

Municipal do Rio

POR DENTRO

Estão no teatro do Rio obras de artistas famosos da época, como Eliseu Visconti, Henrique e Rodolfo Bernardelli e Rodolfo Amoedo. O imponente pano de boca, de Visconti, é considerado a maior tela já pintada no Brasil.

FILHO DO PREFEITO

Em 1903, a prefeitura lançou o edital para escolher o projeto da obra. As propostas de Francisco de Oliveira Passos, filho do prefeito, e do francês Albert Guilbert, inspiradas na Ópera de Paris, foram fundidas.

REFORMAS

A casa teve a quarta reforma e os números impressionam: 4 mil lâmpadas trocadas, mais de 700 lustres restaurados, 55 mil kg de cobre e cerca de 200 mil folhas de ouro aplicadas em detalhes.

ARTISTAS UNIDOS

O dramaturgo Artur Azevedo liderou, em 1894, uma campanha em prol de uma casa teatral municipal. A construção, iniciada em 1905, acabou quatro anos depois.

CONSAGRADOS

Após anos de programação estrangeira, na década de 1930 o teatro ganhou corpo de baile, orquestra e coro. Pelo seu palco já se apresentaram Sarah Bernhardt, Igor Stravinsky, Heitor Villa-Lobos e Maria Callas.

Municipal de São Paulo

RAMOS DE AZEVEDO

Assim como a Pinacoteca e o Mercado municipal, o teatro  é assinado por Ramos de Azevedo, que comandava o maior escritório de arquitetura da cidade. O projeto também é inspirado na Ópera de Paris.

CAFÉ E DINHEIRO

A casa ficou pronta em 1911. Mas o debate sobre ela começou bem antes, em 1895, entre vereadores. O projeto ia de encontro com os anseios da elite enriquecida pelo café, que sonhava com um espaço cultural de porte.

MODERNISMO BRASILEIRO

O seu espetáculo mais marcante foi a Semana de Arte Moderna, que em 1922 reuniu Graça Aranha, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Di Cavalcanti e Heitor Villa-Lobos. O evento lançou os pilares do modernismo brasileiro.

BRECHERET ANTIGO

O que mais impressiona em seu interior são os majestosos vitrais. Somadas, as 200 mil peças de vidro chegam a 300 m2. Ainda na parte interna, fica a obra mais antiga de Victor Brecheret em um espaço público: Diana, a Caçadora, realizada em 1922.

Luxo na Amazônia

Manaus ganhou teatro durante o ciclo da borracha

 Rio e São Paulo ainda não tinham os seus teatros municipais quando, em 1896, foi inaugurado o Teatro Amazonas, em Manaus, coroando a prosperidade vivida pela região com o ciclo da borracha. Sua história começa em 1881, quando um deputado lança a ideia de sua construção. Embalada pela riqueza das seringueiras, Manaus importa um projeto do Gabinete Português de Engenharia e Arquitetura, de Lisboa, datado de 1883, e manda trazer da Europa arquitetos, construtores, escultores e pintores. Já se apresentaram em seu palco artistas como Margot Fonteyn, Christoph Schlingensief e Roger Waters. Sua última restauração foi em 1990.