Frei Galvão

O padre que criou as milagrosas pílulas de papel será o primeiro santo genuinamente brasileiro

01/03/2007 00h00 Publicado em 01/03/2007, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
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Antônio de Sant’Anna Galvão nasceu em 1739, numa família rica, em Guaratinguetá, no interior de São Paulo. Aos 13 anos, foi mandado para o Seminário dos Padres Jesuítas, na cidade baiana de Belém, para completar seus estudos. Lá conheceu a fundo os ensinamentos de Jesus Cristo e se entusiasmou. O jovem, então, optou pela pobreza e ingressou na ordem franciscana do Rio de Janeiro. Começava ali a vida religiosa do homem que se tornou beato e está prestes a virar santo.

Depois de ser ordenado sacerdote, em 1762, ele retornou a São Paulo e impressionou seus superiores do Convento de São Francisco com sua sabedoria. Logo ganhou a incumbência de pregador e de confessor dos leigos, além de ser porteiro. O cargo é importante num mosteiro, pois é ele quem recepciona, orienta e acolhe os fiéis. Seu próximo destino foi ser confessor das “Recolhidas de Santa Tereza” – único estabelecimento de religiosas na época.

Ao ouvir e aconselhar as irmãs, decidiu construir, ele mesmo, um convento para elas. Foram necessários 14 anos de trabalho de sol a sol para colocar a obra de pé. Ao lado do prédio principal foi construída a igrejinha “Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição da Divina Providência”, mais tarde conhecida como Mosteiro da Luz. Foi lá que Frei Galvão, a seu pedido, foi enterrado quando morreu, em 23 de dezembro de 1822.

Enquanto ajudava as irmãs, ele começava a fazer seus primeiros milagres. Certa vez, um homem que sentia fortes dores nos rins o procurou. Frei Galvão, então, pegou um pedaço de papel e escreveu uma oração a Nossa Senhora. Depois, dobrou o papel e entregou-o ao doente. O homem engoliu a oração como se fosse um remédio e foi curado de um cálculo renal. Em outra ocasião, uma mulher corria risco de morrer ao dar à luz e recebeu do frei a mesma receita. O resultado foi um parto saudável. O papel é conhecido como “pílula de Frei Galvão”. Ela fez uma série de curas na cidade de São Paulo, no século 18, e ainda ajuda os fiéis. Graças à pílula, o Frei virou beato.

A causa de beatificação e canonização teve início em 1938. Finalmente, em 23 de outubro de 1988, o papa João Paulo II o declarou beato. Além de suas virtudes, foi comprovado um milagre feito por ele. O caso apresentado à Santa Sé, examinado e aprovado pelos peritos do Vaticano, foi o da menina Daniela da Silva, de São Paulo. Em 1990, aos 4 anos de idade, ela conseguiu ser curada de uma hepatite B após tomar as pílulas do frade.

Como beato, ele só pode ser venerado nas cidades onde nasceu e atuou como religioso. Para tornar-se santo e ter seu culto universal, é preciso a comprovação de outro milagre, ocorrido depois de sua beatificação. Em 16 de dezembro de 2006, o papa Bento XVI promulgou o “Decreto sobre o Milagre”, permitindo assim que ele possa ser canonizado em breve. O milagre em questão é o nascimento do menino Enzo de Almeida Galafassi, em 11 de dezembro de 1999, em São Paulo. Sua mãe, Sandra, tinha um problema de malformação do útero, o que gerou uma gravidez de alto risco. Depois de tomar as pílulas de Frei Galvão, ela levou a gestação até o fim. O bebê ainda apresentava graves problemas respiratórios, mas, no dia seguinte, estava com a saúde perfeita.

Todo dia 23 de cada mês, data em que morreu, acontecem missas em sua homenagem no mosteiro. A igreja onde está seu túmulo é centro de peregrinação. Ali, os devotos depositam bilhetes para eles.

Pílulas abençoadas

As pílulas que levam o nome de Frei Galvão são um remédio simbólico. Feitas de papel, elas são ingeridas pelos fiéis que buscam alcançar graças e obter cura para males físicos e espirituais. Nelas, está escrita a seguinte frase, em latim: “Post partum Virgo inviolata permansisti, Dei Genitrix intercede pro nobis”. A tradução expressa um pedido a Nossa Senhora: “Depois do parto, permanecestes virgem, Mãe de Deus, intercedei por nós”. As pílulas milagrosas são feitas e distribuídas pela irmãs enclausuradas no Mosteiro da Luz, em São Paulo, onde formam-se grandes filas à sua procura.

Oração

Pai Santo, fiel remunerador daqueles que, nesta vida e exílio, buscam e trabalham para que em tudo se cumpra a Vossa vontade santíssima, pedimos humildemente a glorificação de Beato Frei Antônio de Sant’Anna Galvão, concedendo-lhe socorrer a todos os que, em suas necessidades, cheios de confiança, solicitem a intercessão do “homem da paz e da caridade” e do filho devoto da Imaculada Conceição. Isso vos pedimos para a vossa maior honra e glória, por Cristo Nosso Senhor. Amém.