O Grande Dicionário de Culinária: De dar água na boca

O passeio de Alexandre Dumas, pai dos mosqueteiros, pelo universo gastronômico

Carolina Daher Publicado em 01/03/2007, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
Aventuras na História - Arquivo Aventuras

No menu, cerca de 400 receitas, de clássicos franceses a pratos originais, como filé de canguru salteado. O Grande Dicionário de Culinária, do francês Alexandre Dumas, recém-lançado no Brasil, há mais de 100 anos desfila o título de “bíblia gastronômica”. O autor, um grande romancista – criador de Os Três Mosqueteiros e O Conde de Monte Cristo –, dedicou os últimos anos de sua vida a elaborar um trabalho completo sobre a arte de cozinhar. E de comer bem.

Numa época em que a França reinava absoluta sobre as cozinhas do mundo, Dumas não se intimidou ao se aproximar das caçarolas. Viajante infatigável, bon vivant assumido e excelente contador de histórias, o autor reunia em si os ingredientes perfeitos para a empreitada. Deixou registrados seus objetivos nem um pouco modestos na apresentação do livro: “... reproduzir, dos livros clássicos de culinária caídos em domínio público (...), todas as receitas que conquistaram lugar nas melhores mesas (...) e acrescentar-lhes pratos desconhecidos, coletados em todos os países do mundo”.

Para cumprir o prometido, Dumas levou anos planejando a obra. A idéia surgiu em 1850, mas só começou a tomar forma no verão de 1869, quando, já doente (teve um problema nos pulmões devido à intoxicação por carvão), partiu a conselho médico para a aldeia de Roscoff, no litoral da Bretanha. Na bagagem, além de sua intimidade e talento com a literatura, todo o material coletado: anotações, crônicas, recordações e mais de 3 mil receitas. Mas Dumas morreu em 5 de dezembro de 1870 e não chegou a ver a obra publicada, três anos depois.

Apesar de a primeira edição ter histórias truncadas e verbetes fora de ordem alfabética ou duplicados, o Grand Dictionnaire de Cuisine, seu nome no original, esgotou em pouco tempo. Em 1965, para uma nova edição, o artista e colecionador Alain Meylan cedeu gravuras e desenhos dos séculos 16 a 19 relativas a cozinha e gastronomia. A jóia passou a ser objeto de desejo. A edição brasileira (Jorge Zahar) conta com 615 verbetes, 413 receitas e 275 ilustrações.