Hieróglifos: francês decifra o código de Roseta

Placa de granito achada em 1799 desvendou o significado dos intrigantes desenhos das tumbas e templos antigos

Textos Carla Aranha Publicado em 01/06/2007, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

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A Pedra de Roseta é uma placa de granito (estela) onde aparece o mesmo texto em grego, em egípcio demótico (a escrita do povão) e em hieróglifos (a escrita egípcia feita com desenhos e símbolos, usada pela elite religiosa e política). Foi encontrada por soldados de Napoleão em 1799 perto da cidade de Roseta, a 65 quilômetros de Alexandria. Mede 1,12 metro de altura, 76 centímetros de largura e 28 centímetros de espessura.

Em 1822, o francês Jean François Champollion decifrou os até então incompreensíveis hieróglifos tomando a parte em grego (uma língua conhecida) como base. Descobriu que o texto é um decreto instituído em 196 a.C. por Ptolomeu V.

Os hieróglifos são considerados a primeira linguagem escrita organizada da humanidade. Foram usados durante 3500 anos pelos egípcios. Aparecem em estelas, templos e túmulos de 3000 a.C. a 394 d.C. A escrita é formada por cerca de 6900 sinais. Por ser muito complicada, os egípcios adotaram com mais facilidade as línguas grega e romana quando esses impérios ficaram por cima. A ascensão do cristianismo foi o prego no caixão da escrita hieroglífica. No século 5, tudo o que estivesse relacionado aos antigos deuses egípcios era considerado pagão e, portanto, proibido.

ÁRABES JÁ SABIAM

O arqueólogo Okasha El Daly, da Universidade de Londres, anunciou em outubro de 2004 que alquimistas árabes tinham desvendado os hieróglifos mil anos antes de Champollion, usando pedras similares à de Roseta. “Um dos alquimistas, Ibn Wahishiya, criou até um dicionário mostrando que os hieróglifos representavam letras e não idéias, fato descoberto pelo Ocidente só no século 19.”

Hoje a Pedra de Roseta faz parte da coleção permanente do Museu Britânico, em Londres.