A Índia se moderniza

País deve investir US$ 40 bilhões na troca de seu arsenal

Guilherme Gorgulho Publicado em 01/11/2007, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
Aventuras na História - Arquivo Aventuras

Anos após o fim da Guerra Fria, a Índia começa a traçar um plano na área da Defesa para equiparar seu papel militar ao de potência econômica emergente. Com um orçamento previsto de 40 bilhões de dólares para a substituição de seu arsenal nos próximos cinco anos, o governo indiano pretende modernizar seu equipamento da era soviética adquirindo desde artilharia até tanques e submarinos.

A ambição do país asiático está aquecendo a concorrência das grandes empresas do setor, principalmente americanas e européias, além de israelenses e do fornecedor tradicional da Índia, a Rússia, que já tem vários contratos assinados.

Recentemente, o Ministério da Defesa indiano abriu uma concorrência de 10,2 bilhões de dólares para comprar 126 caças. Um dos principais pontos para o aprimoramento da indústria militar no país é a exigência de contrapartidas dos fornecedores estrangeiros na produção de bens na Índia, o que tem gerado uma corrida de empresas para se unirem aos grupos locais, como as gigantes americanas do setor. A Lockheed Martin é uma delas e negocia atualmente um contrato de 1 bilhão de dólares para vender à Índia seis aeronaves de carga C-130J Hercules.

Há também outros interessados no negócio, como a britânica BAE Systems, que firmou um contrato para fornecer 66 aviões de treinamento Hawk e planeja construir dois terços deles na Índia.

Todos os procedimentos de compra de equipamentos militares estão sendo reestudados por autoridades para adequá-los às práticas internacionais. Com o objetivo de evitar a adoção de medidas fragmentadas sobre o tema, o governo pretende analisar todas as sugestões recebidas até meados de abril de 2008 e chegar a um novo Procedimento de Aquisição da Defesa (DPP, na sigla em inglês), que define as práticas para a compra de equipamentos. O DPP foi lançado inicialmente em 2006, pelo então ministro da Defesa Pranab Mukherjee. O documento, pela primeira vez, traçava as rotinas para compras baseadas em três elementos principais: uma cláusula de compensação, a exigência de se ter fornecedores variados e a transferência compulsória de tecnologia em acordos comerciais de grande valor.

O apetite indiano demonstra que o país pretende exercer um papel mais importante na região, além do controle de sua própria costa. Entre aquisições recentes da Marinha indiana estão o navio americano de transporte anfíbio Trenton. Essa embarcação de grande porte foi rebatizada de Jalashva e opera helicópteros que podem ser utilizados em intervenções militares, assistência humanitária ou retirada de indianos em situações de risco no exterior.

Rota do petróleo

A nação indiana tem cada vez mais se posicionado como responsável por águas próximas ao país, principalmente do Oceano Índico. “Como todas as nações em desenvolvimento, a Índia está buscando seu lugar no cenário mundial”, declarou o comandante da Marinha indiana, almirante Sureesh Mehta, em julho, durante conferência com oficiais em Déli. “Se você olhar para a costa da Ásia ocidental até o Pacífico, toda a área tem 70% do tráfego de produtos de petróleo do mundo”, disse Sitanshu Kar, porta-voz do Ministério de Defesa. “Temos o papel de assegurar que essas vias marinhas sejam seguras.”