Mosquitos tropicais: Pequenos e incômodos

Foi graças aos mosquitos que doenças tropicais se espalharam pelas Américas

Gabriel Mitani Publicado em 01/06/2008, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

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Eles são pequenos, mas podem dizimar grandes populações. Estamos falando de Aedes aegypti, Haemagogus e Anopheles, os mosquitos transmissores das doenças tropicais mais temidas: dengue, febre amarela e malária. Os insetos infectados chegaram ao nosso continente há séculos, a bordo de navios da Ásia e da África. Vários surtos dessas doenças fizeram estragos enormes no Brasil – um deles é vivido agora, com a maior crise de dengue da história do Rio de Janeiro. Para piorar, o aquecimento global deve aumentar a incidência de crises. No calor, os mosquitos ficam desidratados e picam mais vezes para se manter nutridos. Além disso, quanto maior a temperatura, mais os bichinhos se reproduzem.

Trio de peso

A trajetória desses bichinhos perigosos

Haemagogus

Transmissor da febre amarela, saiu de navios da África Ocidental e chegou a Barbados em 1647. Poucos anos depois, já provocava problemas no México, em Cuba e na Jamaica. Em 1686, também em embarcações, alcançou a Bahia. A partir de 1793, foi a vez de Nova Orleans, nos Estados Unidos.

Aedes

Versátil, carrega os vírus da dengue e da febre amarela. Surgiu no Sudeste Asiático, e costumava chegar ao Brasil em viagens de barco a partir de África. No começo do século 20, o bichinho foi extinto no país. A partir da década de 1980, voltou com tudo. A primeira leva veio direto da Ásia e se desenvolveu em Roraima, e dali para o litoral.

Anopheles

Esse inseto vive nas florestas tropicais e adora temperaturas altas. É ele que transmite a malária, que aflige a humanidade há 10 mil anos. As versões mais recentes do bicho saíram da África subsaariana e chegaram às Américas em navios negreiros e se espalharam com facilidade, principalmente na Amazônia.